terça-feira, 30 de junho de 2026

Ambroise Narcisse Tombeau(*O Ratbyron)Lord Ratatúmbulo para os íntimos (*Personagem by Santidarko)



. ..'Ele não é um rato'!

Ele é o suspiro que escapa de uma lápide quando a lua beija o mármore.

Ambroise Narcisse Tombeau nasceu -- ou melhor, foi encontrado --numa noite de novembro, dentro de uma urna funerária abandonada no cemitério de Montparnasse.

O zelador, um bretão supersticioso de nome Gaston, ouviu um choro miúdo e ritmado. 

...Não era choro de fome; era choro de verso!

Ao abrir a urna, encontrou um filhote de rato cinzento, de bigodes absurdamente longos e finos, que o fitou com o desprezo de quem já havia lido todos os epitáfios do mundo. 

Gaston o batizou ali mesmo: Ambroise (pela doçura divina que não possuía), Narcisse (pelo espelho d'água onde se mirava com amargura) e Tombeau (pela sua morada primeira e última).

Cresceu entre gavetas de ossuários, alimentado a migalhas de croissant e tinta de caneta-tinteiro. 

Aos dois meses, declamou seu primeiro poema para uma plateia de três gárgulas e um morcego surdo. 

O morcego aplaudiu!

... As gárgulas choraram ferrugem!

Hoje, Ratatúmbulo -- como o chamam nas vielas de Montmartre -- perambula pelos cemitérios de Paris com suas roupas  surradas e  empoeiradas; e um caderninho manchado de absinto.

 Declama poesia para as estátuas.
 Discute metafísica com os anjos de pedra. 

...Deita-se sobre túmulos frescos e sussurra: 'Ainda quentes... como um bom verso.'



Os Nomes que Paris lhe Deu

Os boêmios, os ébrios, os poetas fracassados e as floristas viúvas o avistam e murmuram:

-O Byron das Catacumbas, por seu romantismo sombrio e seu coxear da alma!


...E...Lorde Ratatúmbulo, quando passa envolto em névoa, deixando um rastro de versos.





Epitáfio Provisório

(Escrito por ele mesmo, aos três meses de idade, para ser usado quando a morte o encontrasse ---'mas ela ainda tem medo dele').


Aqui jaz, ou não,
Ambroise Narcisse Tombeau,
Que fez do túmulo um berço,
Do epitáfio, um verso,
E da tristeza, um chapéu.
Passante, não reze por mim:
A eternidade me tem!;
...E eu a trato mal também!




By Santidarko 
Personagem by Santidarko 

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