Proponho o nome : língua estriada, ou, num registro mais próximo do que os alguns linguistas talvez insinuassem, Krek’tah (pronuncia-se com estalos no 'k'e um 'tah' seco, como uma engrenagem girando).
Não se trataria de uma língua tonal ou silábica como as humanas.
--O Krek’tah-- seria uma linguagem de fricções moduladas: cada unidade de sentido é produzida pelo atrito de superfícies corporais que geram sequências de estalidos, rangidos e trinados breves, como uma lixa passando ritmada em metal denteado.
Não haveria vogais sustentadas; o que ouvimos como inseto...seriam microexplosões de ar entre quitinas.
O som de catraca corresponderia ao chamado estrato de contato -- a camada básica de diálogo, uma espécie de conversa cotidiana. Acima dela, inaudível aos ouvidos, existe um estrato ressonante que se propagaria por vibração de campo próximo e, que o cérebro humano captaria como um tilintar residual.
O visual corpóreo:
Os supostos visitantes, a quem vou aqui ,neste ensaio/ exercício, chamá-los de: Os Sibilantes dos favos olhos de cristal negro ,teriam um corpo delgado, de aproximadamente 1,80/ 1,90 metro de altura.
Lâminas serrilhadas que, friccionadas contra um sulco torácico, produzeriam o som catraca. O par de braços funcionariam como braços manipuladores de quatro dígitos; o par traseiro, arqueado, serve de apoio e propulsão em saltos curtos.
A cabeça seria triangular, com grandes olhos que mais parecem favos de cristal negro --não são compostos como os de insetos terrestres, mas uma malha de microlentes que captam polarização e vibração mecânica. Não possueriam boca articulada; a comunicação sonora se daria exclusivamente pelo aparelho estridulatório torácico.
Sua pele seria opaca, de um cinza-azulado com iridescência oleosa, como asas de libélula sob certa luz, e exala um odor levemente adocicado de ozônio após cada emissão sonora.
Chamam a si mesmos, segundo uma decodificação especulativa, de Tzik-Tzik-Nah.
Por que os diálogos ficam tilintando na mente? Repetindo- se na humana mente?
Aqui entra o cerne da teoria.
O Krek’tah é uma linguagem de dupla camada. A camada audível (a catraca) carrega a informação semântica primária: localização, estado, alertas, identificação.
...Mas, simultaneamente, cada emissão produziria um subtom indutivo -- uma vibração mecânica de frequência muito baixa e ritmo assimétrico que o ouvido não registra como som, mas que os ossos do crânio e os líquidos cefalorraquidianos conduzem até os lobos temporais.
Essa vibração ageria como uma espécie de diapasão neurológico: ela entra em ressonância com a atividade elétrica espontânea do cérebro e, ao cessar o estímulo externo, deixa um eco neuroelétrico. O tilintar seria, portanto, a persistência fantasma do subtom indutivo na memória de curto prazo-- um zumbido que não está no ar, mas na própria arquitetura momentânea das sinapses.
Os Sibilantes, ' os visitantes , comunicam-se assim porque, para eles, o significado pleno de uma frase inclui não apenas o conteúdo, mas a assinatura vibratória que ela inscreve no receptor.
É como se cada sentença carimbasse o cérebro do interlocutor com uma sensação associada -- urgência, calma, localização espacial ou mesmo um fragmento de imagem. Nós, humanos, ouvimos só metade da conversa (a catraca) e sentimos o resto como um tilintar semântico que não conseguimos decifrar, mas que se aloja na mente.
●Sintaxe de engrenagem:
A ordem das fricções em Krek’tah segueria um padrão cíclico de três tempos, chamado Tríade Crestada. O primeiro tempo é um estalo de travamento (como um roquete que prende), o segundo seria um trinado de arrasto, e o terceiro é um silêncio de distensão. A repetição fractal dessa tríade, com variações de duração, gera todas as construções comunicativas. O que nos soa como 'conversa de catraca' é uma sequência contínua de trava-arrasta-solta.
● Como supostamente seria seu respectivo planeta.
Talvez um planeta com neblina permanente, onde a visão é secundária e a comunicação mecânica por contato e vibração de substrato prevaleceria. O tilintar residual seria, nesse ambiente, o canal normal de percepção -- uma espécia de 'visão acústica'do estado interno do outro.
●Relação com os humanos:
Os Sibilantes não compreendem nossa fala aérea (vibração de cordas vocais em meio gasoso) como linguagem; para eles, nossa voz é ruído de fundo sem estrutura. Mas percebem o campo neural que nosso cérebro gera ao tentar processar a catraca. Assim, imitar ou interagir, conosco, podem ter interpretado a atividade elétrica cerebral dele como uma resposta, ainda que ilegível, e a ela reagiram intensificando os tilintares-- numa tentativa de 'baixar'a informação para o canal que julgavam ser o nosso.
By Santidarko
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