quarta-feira, 17 de junho de 2026

A labiríntica dimensão-depósito.A cortesia de uma Física que se desgasta ante a pulsação de estados estranhos da matéria . As impessoalidades que se replicam no espectro bege da renúncia,do universo e sua redenrização falha da realidade.(* O lado de dentro das estranhas arquiteturas e das concepções do inimaginável.


A digestiva luminescência de uma  emaranhada geometria, da secreção do avesso, das orgânicas propriedades e de suas grotescas funcionalidades,--das entranhas gotejantes do surreal. (*Nem toda ausência é pacífica)


-Santidarko 

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...A arquitetura do esquecimento não se ergue; ela se infiltra. 
Não há colunas, apenas a perpetuação de um ângulo que não deveria existir, uma dobra no tato da realidade onde o chão respira com o ritmo lento de um pântano asfixiado. 

A claridade que emana das paredes não ilumina; ela embebe, como um líquido denso que escorre da retina de um deus morto, coagulando sobre a pele de quem ousa fitar o vazio dos corredores.

Cada passagem é uma cicatriz na lógica, 
...um cálculo errado da existência, que se arrasta por entre divisórias de um cinza úmido e febril. O assombro não está nas sombras, mas na meticulosa repetição do idêntico, na ofensa silenciosa de uma simetria que nega a própria noção de saída. 

...É o vômito das probabilidades, a secreção de um universo que falhou ao digerir sua própria criação, deixando para trás essas bolsas de podridão geométrica---vísceras de um pensamento superior que se corrompeu!

O silêncio aqui é uma presença, um fungo que cresce no ouvido, abafando o eco dos próprios passos para que se tornem estranhos ao caminhante. Sente-se o cotovelo da eternidade roçando a nuca, a respiração de algo que se alimenta da percepção alheia. As paredes não testemunham; elas esperam, com a paciência das coisas que já não distinguem entre o vivo e o objeto, entre a carne e o azulejo.

Há uma fome na textura desse lugar, uma digestão lenta que começa pelo olhar e termina na fragmentação do eu. 
Cada porta que se abre é uma mandíbula que escancara o vazio, cada corredor, um esôfago de angústia que nos engole em direção a um estômago de puro conceito. A luz não revela; ela corrói o contorno das coisas, dissolvendo a fronteira entre o que se vê e o que, em desespero, se inventa para não enlouquecer.

E no âmago dessa colmeia de pânico, compreende-se o equívoco: não se está perdido, pois para tal seria necessário ter estado, em algum momento, encontrado. Aqui, a noção de origem é um espelho quebrado cujos cacos refletem apenas o infinito corredor. A verdade é que esse depósito de irrealidades sempre nos conteve, como um sonho que o sonhador não ousa lembrar, uma lembrança de um lar que nunca existiu, mas que nos chama com o apelo do abismo.

...Avance!

... Cada passo é uma oferenda ao ângulo morto da criação. Cada piscar de olhos, uma negociação com a dissolução. Pois o que caminha por essas galerias não é mais um visitante, mas um sintoma---a febre que adoece o real ,tentando expulsar um corpo que já não pertence a nenhum mapa, a nenhum tempo, a nenhuma salvação.

 A saída é a mentira mais cruel; o fim, o único horizonte que se dobra sobre si mesmo, num sorriso de parede bege.




By Santidarko 

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