Cube 1: O Vazio Lapidado
Filosofia: A Ausência como Obra-Prima.
Este grupo acredita que o vazio não é falta, mas sim uma substância que pode ser moldada, cortada e polida como uma joia. Eles não buscam preencher suas faltas ou curar suas feridas; eles as transformam em algo belo, preciso e cortante. Sua estética é mineral, fria, cirúrgica e arquitetônica.
...Eles são os ourives da própria dor, lapidando a ausência até que ela brilhe na escuridão.
Membros e suas funções no clube:
●A Cicatriz de Tato (Takt Kiz) — A Lapidária-Mor.
Por que ela pertence aqui: Takt transforma o toque em registro permanente. Ela não foge da marca, ela a preserva, estuda-a, quase a venera como um baixo-relevo na pele.
Sua arte involuntária é transformar a efemeridade do contato em uma escultura dérmica. Ela é a própria definição do grupo: faz do trauma uma joia gravada na carne.
Papel: É a leitora e a memória do grupo. Onde outros veem superfícies vazias, ela vê inscrições. Ela é quem define o que deve ser lapidado e o que deve ser descartado, usando sua sensibilidade para encontrar as 'veias'do vazio.
●O Nevasca de Vidro (Níveo Kholodov) — O Guardião da Fratura.
Por que ele pertence aqui: Níveo é a personificação do vazio lapidado. Seu coração não está partido; está transformado em cacos de vidro que ele carrega dentro de si. Ele não busca o calor para se 'curar', mas sim o frio absoluto para tornar seu vazio interior duro e imaculado como um diamante de gelo.
Sua presença racha o mundo, mas cada rachadura é um desenho.
Papel: A defesa absoluta e o isolamento.
Ele cria a redoma de frio que protege o grupo, uma jaula de gelo que é também uma catedral transparente. Sua frieza não é maldade, mas a tentativa de dar forma geométrica ao que é disforme.
Dinâmica no 'Vazio Lapidado':
Takt e Níveo formam uma dupla de silêncios que se compreendem. Ela sente o mundo na pele e o grava; ele congela o mundo para que não possa mais feri-la. Juntos, seu espaço é uma fortaleza de gelo gravada com intricadas cicatrizes brancas. Uma joia oca, fria e perfeita. Eles não se tocam -- seria uma colisão de catástrofes —, mas se entendem pelo olhar e pelo espaço negativo entre seus corpos. A distância entre eles é, ela mesma, uma lapidação.
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Cube 2: Noturno em Âmbar
Filosofia: A Memória Fóssil da Luz.
Este grupo não lida com o vazio, mas com o tempo. Eles acreditam que a escuridão (o 'Noturno') é um momento fugaz que pode ser aprisionado, preservado e aquecido em uma resina eterna (o Âmbar).
... Sua estética é orgânica, fluida, barroca e melancólica. São colecionadores de momentos, guardiões de coisas que já morreram, mas que ainda brilham como insetos presos em âmbar. Eles não lapidam a ausência; eles a embalsamam.
Membros e suas funções no cube:
●Pêsames de Cetim (Soraï Belmont) — O Embaixador do Fim.
Por que ele pertence aqui: Soraï é um mestre em fossilizar a dor alheia. Seus pêsames são o âmbar: um conforto dourado que aprisiona a pessoa no exato momento de sua perda, preservando a tristeza para sempre.
Ele não causa o sofrimento; ele o eterniza, transformando a escuridão do luto em uma peça de cetim reluzente que vicia e paralisa.
Papel: É a face social do grupo e o negociador. Ele oferece a paz do âmbar aos inimigos e aos aliados, sabendo que isso pode ser tanto uma dádiva quanto uma maldição. Sua presença é um lembrete constante de que a beleza pode ser uma armadilha dourada.
●A Granizo de Pérolas (Margot Haizea) — A Fonte Primordial.
Por que ela pertence aqui: Margot transforma a emoção mais líquida e efêmera (a lágrima) em um objeto eterno e precioso (a pérola). Ela é o coração pulsante do Noturno em Âmbar porque cada pérola que ela chora é exatamente isso: um noturno (um momento de profunda tristeza) fossilizado em âmbar mineral (a pérola).
Seu frasco azul é um relicário de instantes petrificados.
Papel: É a cartógrafa emocional e a vidente do clima. Suas pérolas são moedas de troca com o sobrenatural, mas também arquivos que podem ser quebrados para reviver uma memória específica. Ela sente as tempestades chegando, e suas lágrimas são o estoque de 'âmbar' do grupo.
●A Dissecadora de Nuvens / O Aqueduto de Suspiros (Lunaire Caelestis-Aquino) — A Cronista do Efêmero.
Por que ela pertence aqui: Lunaire é a alma gêmea filosófica desse cube.
Como dissecadora, ela corta a névoa e guarda nuvens em frascos -- preservando o incorpóreo. Como Aqueduto, ela canaliza suspiros que são a própria essência de um sentimento passageiro. Ela não os deixa escapar; ela os conduz e os torna visíveis, como filetes de fumaça dourada. A dupla natureza de Lunaire a torna a ponte perfeita entre a tempestade (Margot) e a calmaria mortal (Soraï).
Papel: É a pesquisadora e a médium. Ela cataloga os fenômenos do grupo e traduz os suspiros do mundo. Seus frascos de nuvens e seus aquedutos aéreos são as ferramentas que dão forma ao intangível, transformando o ar em artefato.
Dinâmica no 'Noturno em Âmbar':
Esse é um grupo mais numeroso, mas também mais fluido e emocional. Soraï oferece a moldura (o cetim que embala a dor), Margot fornece a matéria-prima (as pérolas de tristeza) e Lunaire cataloga e conecta tudo (os frascos e os suspiros).
Eles formam uma cadeia de produção de memórias fossilizadas. Soraï pode sentir uma ponta de inveja da pureza de Margot, e Lunaire observa os dois como um experimento, fascinada por suas diferentes formas de 'embalsamar'o tempo.
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A Relação Entre os Dois Cubes: Guerra Fria com Afinidades Secretas
Os dois grupos não são inimigos declarados; são como duas escolas de pensamento que coexistem na mesma geografia sombria, com respeito tenso e atração perigosa.
--Vazio Lapidado (mineral, frio, reativo): Querem criar um mundo de silêncio perfeito, uma joia onde não se sofre porque nada muda. Eles transformam a dor em objeto inerte para neutralizá-la.
--Noturno em Âmbar (orgânico, morno, contemplativo): Querem preservar o mundo em sua beleza trágica, mesmo que isso signifique aprisionar a dor para sempre. Eles transformam a dor em objeto de culto para adorá-la.
Pontos de contato entre cubes:
Takt e Lunaire: A leitora de marcas na pele e a colecionadora de nuvens. Takt sente o mundo pelo tato; Lunaire pelo ar. Poderiam colaborar para 'ler'um evento passado: Takt tocando as superfícies sólidas e Lunaire canalizando os suspiros impregnados no ar.
Juntas, reconstroem cenas inteiras.
Níveo e Margot: O gelo e a tempestade.
... Já falamos da tensão não dita!
Quando seus poderes se cruzam, a chuva de Margot vira neve e as pérolas se tornam esferas de gelo inquebrável. Eles são o ponto de fusão entre os dois cubos, o lugar onde o Vazio encontra o Âmbar e cria algo inteiramente novo.
Conflito interno que move a história:
A disputa central não é sobre quem está certo, mas sobre qual é a natureza do fenômeno que assola a cidade. O Vazio Lapidado acredita que é uma ausência devoradora que deve ser contida pela forma.
O Noturno em Âmbar acredita que é um tempo preso em loop que deve ser compreendido pela memória. O antagonista da história -- qualquer que seja a força sobrenatural que os atraiu -- provavelmente não pertence a nenhum dos dois cubos, e será necessário que Takt, Níveo, Soraï, Margot e Lunaire unam suas filosofias opostas para enfrentá-lo.
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■A Cicatriz de Tato (nome próprio: Takt Kiz, mas ninguém a chama assim)
Idade aparente: 13 anos
Origem: Região fronteiriça entre a Alemanha e a República Tcheca, filha de uma restauradora de livros antigos.
Aparência:
Pele muito branca e opaca, como papel de arroz. Tem cabelos castanhos escuros, quase pretos, sempre presos num coque baixo e apertado, de onde escapam fios finos. Os olhos são de um verde tão claro que beiram o acinzentado, com pupilas que raramente se dilatam, mesmo no escuro.
Veste-se com suéteres de gola rulê que cobrem todo o pescoço e mangas que ultrapassam os pulsos -- uma armadura de lã contra o mundo. Nas raras vezes em que se descuida, é possível ver que seus braços são cobertos por marcas: não de cortes, mas impressões digitais esbranquiçadas, como se alguém a tivesse segurado com força excessiva, e a pressão tivesse ficado gravada na pele para sempre.
Personalidade e Simbologia:
Takt sente o toque das coisas muito depois de elas terem partido. Não metaforicamente: ela tem uma condição psicossomática e sobrenatural chamada por ela de 'memória dérmica'.
.Um aperto de mão, um esbarrão no corredor da escola, o roçar de uma cortina — tudo deixa marcas que duram horas, dias. As marcas não doem, mas latejam com as emoções de quem as deixou.
Ela é silenciosa, observadora, quase monástica. Coleciona luvas de renda e cetim que encontra em antiquários, mas nunca as usa — apenas as dispõe em sua cômoda como relíquias. Seu maior medo é ser abraçada por alguém que a ame de verdade, pois acredita que esse toque a atravessaria como agulha, deixando uma marca que jamais se apagaria.
Função na história: Takt é a 'leitora' do grupo. ...Quando algo misterioso acontece, ela toca as superfícies e sente o que ficou impregnado. O preço de seu dom é que cada leitura a deixa mais coberta de impressões, e há sempre o risco de uma delas criar raízes profundas demais.
■Pêsames de Cetim (nome próprio: Soraï Belmont, assina apenas como 'Sora')
Idade: 15 anos
Origem: Descendente de uma família francesa decadente que se mudou para o interior do Japão há três gerações. Vive com o avô relojoeiro numa casa de madeira escura que range como navio.
Aparência:
Andrógino, esguio, com uma elegância que constrange os colegas de classe. Cabelos loiro-acinzentados, cortados em camadas assimétricas que caem sobre um dos olhos — o esquerdo, de íris violeta tão profunda que parece um hematoma. O olho direito é castanho-claro, quase âmbar. Veste-se invariavelmente de preto, mas com tecidos de cetim e seda que reluzem sob a luz fluorescente da escola, criando um contraste cruel entre o ambiente banal e sua presença.
Seus uniformes são sempre modificados com sutileza: uma fita de cetim no lugar da gravata, botões de madrepérola, um lenço de seda no bolso do peito. Carrega consigo um antigo leque preto que pertenceu à sua bisavó, uma atriz de teatro morta tragicamente. O leque nunca é aberto completamente -- apenas o suficiente para que se veja uma pintura de crisântemos murchos.
Personalidade e Simbologia:
Soraï é educado, cortês e profundamente triste. Sua tristeza não é apática, mas ativa: ele a oferece aos outros como um presente. Quando alguém sofre uma perda -- um animal de estimação, um familiar, um amor -- ele aparece silenciosamente e deixa um pequeno cartão preto com uma mensagem de condolências escrita à mão, em tinta prateada. A letra é sempre impecável, caligrafia de outro século.
Porém, aqueles que aceitam seus 'pêsames' sentem um alívio imediato, uma paz sedosa que envolve o coração como cetim. O problema é que essa paz vicia. Logo, a pessoa começa a desejar secretamente novas perdas, novas desgraças, apenas para receber outra dose do conforto de Soraï.
Função na história: Soraï é o consolador e o corruptor involuntário. Ele sabe o que seus pêsames causam, mas não consegue deixar de oferecê-los. Sua presença é ambígua -- aliado ou ameaça? -- e seu leque esconde algo que só será revelado no clímax.
■O Granizo de Pérolas (nome próprio: Margo Haizea, atende por 'Margot' ou 'Hail')
Idade: 14 anos
Origem: País Basco, região litorânea. Filha de um meteorologista obcecado por tempestades e de uma bióloga marinha desaparecida em circunstâncias misteriosas durante uma coleta de pérolas negras.
Aparência:
Baixa, de constituição sólida, como uma bailarina que desistiu da dança. Pele morena salpicada de sardas pálidas que lembram constelações apagadas. Os cabelos são um milagre: longos, ondulados, de um branco perolado natural -- vitiligo capilar, segundo os médicos. Ela os usa soltos, e eles brilham sob a chuva como se fossem feitos de fios de nácar. Os olhos são de um azul tempestuoso, com pontinhos dourados que parecem flutuar na íris.
Veste-se com capas de chuva transparentes que ela mesma customiza com cristais e miçangas, de modo que, quando molhadas, criam prismas pelo chão. Carrega sempre um guarda-chuva fechado que nunca abre -- a única vez que o fez, caiu granizo em pleno verão e as pedras de gelo tinham o formato e o brilho de pérolas.
Personalidade e Simbologia:
Margot fala pouco, mas sorri muito.
...Seu sorriso, porém, não é alegre --é o sorriso de quem sabe que algo terrível está para acontecer e acha isso fascinante. Ela é atraída por tempestades iminentes e consegue sentir a pressão atmosférica mudar horas antes. Sua pele fica arrepiada, seus cabelos se ouriçam.
Seu segredo: ela pode chorar pérolas.
.... Não metaforicamente.!
Quando uma tristeza genuína a domina --- o que é raro --- as lágrimas se solidificam ao tocar o ar e caem como pequenas pérolas perfeitas. Ela as coleciona em um frasco de vidro azul. Cada pérola contém a memória da tristeza que a gerou, e se alguém a segurar, revive aquela dor por um instante.
Sua mãe desapareceu procurando pérolas no mar. Margot acredita que a mãe se transformou em algo --talvez em um banco de ostras, talvez em uma tempestade. Ela vive entre a esperança de reencontrá-la e o terror de descobrir o que a mãe se tornou.
Função na história: Margot é o presságio. Quando o grupo está em perigo, seus cabelos se ouriçam e o ar ao seu redor fica gelado. Ela prevê catástrofes e também as atrai.
Seu choro é o último recurso, e cada pérola derramada enfraquece algo dentro dela.
■O Nevasca de Vidro (nome próprio: Níveo Kholodov)
Idade: 16 anos
Origem: Sibéria, criado pela avó em uma vila de mineiros abandonada. Chegou ao Japão como estudante de intercâmbio, mas nunca mais voltou!
Aparência:
Alto e ossudo, com movimentos rígidos como se o frio tivesse congelado suas articulações. Pele translúcida, quase azulada, com veias visíveis nas têmporas e pulsos. Cabelos platinados, muito curtos, quase raspados, com um reflexo que lembra gelo. Os olhos são de um cinza tão pálido que, sob certas luzes, parecem brancos --- como os de uma estátua de mármore que esqueceu de ter pupilas.
Veste-se com um longo sobretudo de lã branca que pertenceu ao seu avô, um cientista exilado. O sobretudo tem remendos de tecidos diferentes, todos em tons de branco, creme e gelo, e nas costuras escondem-se minúsculos cristais de sal. Ele nunca sente calor. Seu hálito é sempre visível, mesmo no verão.
Personalidade e Simbologia:
Níveo é o oposto do fogo: quieto, contido, mas com uma intensidade devastadora por dentro. Ele fala pausadamente, como se escolhesse cada palavra com pinças, e muitas vezes termina frases que não começou em voz alta.
.. Sua presença esfria os ambientes-- literalmente. Vidraças trincam quando ele está nervoso; copos d'água amanhecem congelados em seu quarto.
...Ele odeia ser tocado!
Não por medo, mas porque seu toque queima de frio, deixando uma sensação de congelamento instantâneo que pode durar horas. Em sua cidade natal, as crianças o chamavam de 'beijo de nevasca'.
Seu maior mistério: dentro de seu peito, onde deveria haver o calor de um coração, há um vazio gelado. Quando ele coloca a mão sobre o próprio peito, ouve-se o som de vidro rachando. Ele acredita que seu coração se quebrou em mil cacos durante uma noite específica de sua infância --- a noite em que sua avó o trancou para fora de casa durante uma tempestade de neve para 'endurecê-lo'. Ele sobreviveu, mas algo dentro dele foi substituído pelo vidro da nevasca.
Função na história: Níveo é o protetor imóvel. Ele ergue barreiras de ar frio, congela ameaças, mas ao fazer isso também congela a si mesmo um pouco mais a cada vez. Seu arco é sobre encontrar um calor que não o destrua -- e há uma ligação silenciosa entre ele e a Granizo de Pérolas, como se suas tragédias fossem estações opostas que se reconhecem.
■A Dissecadora de Nuvens / O Aqueduto de Suspiros (nome duplo: Lunaire 'Lune' Caelestis-Aquino)
Idade: 14 anos (mas há dias em que parece ter séculos)
Origem: Ninguém sabe ao certo. Diz-se que nasceu a bordo de um avião durante uma tempestade, filha de uma meteorologista sem rosto e de um engenheiro hidráulico que enlouqueceu tentando construir canais no céu.
Aparência:
Um único personagem com dois títulos porque Lunaire é radicalmente dupla. De dia, é uma menina de cabelos castanho-claros, presos em duas tranças frouxas, com olhos cor de âmbar e expressão absorta.
Veste um avental de lona cheio de bolsos, onde guarda bisturis de brinquedo, tubos de ensaio, penas de aves e pequenos frascos vazios.
...De noite -- ou quando a pressão atmosférica cai —, seus cabelos se soltam e ganham reflexos prateados, seus olhos ficam quase brancos e ela se torna 'O Aqueduto', uma versão mais sussurrante e fluida de si mesma.
Durante a transição, ela não fala: apenas suspira, e cada suspiro carrega uma frase, uma memória, um lamento que não é seu. Esses suspiros formam trilhas de ar visível, como correntes de água flutuando no ar -- os aquedutos que dão nome ao seu alter ego.
Personalidade e Simbologia:
Lunaire-dissecadora é curiosa, metódica, quase irritante em sua calma científica. Ela quer entender a anatomia do céu: por que as nuvens se formam, por que choram chuva, por que trovejam de raiva. Para isso, ela dissecou nuvens.
...Não as nuvens reais -- ela descobriu que, usando certos bisturis de prata em noites de umidade alta, pode 'cortar' a névoa e extrair sua essência. Em seus frascos, guarda fragmentos de nuvens que sussurram, gotas de chuva que nunca caíram, relâmpagos em miniatura que ainda não decidiram onde atingir.
Lunaire-aqueduto é outra coisa. À noite, ela se torna um canal entre os suspiros do mundo -- os lamentos não ditos, as despedidas engolidas, os 'eu te amo' que morreram na garganta. Ela os ouve, os canaliza e, através de seus suspiros, os libera em forma de ar visível, como um aqueduto que transporta a água invisível da tristeza coletiva.
Ela não sabe qual das duas é a verdadeira.
... Talvez seja as duas.!
...Talvez nenhuma!
Ela tem medo de que, um dia, a dissecadora e o aqueduto se enfrentem, e ela se rasgue ao meio como uma nuvem cortada por um bisturi.
Função na história: Lunaire é a ponte e o abismo. Como dissecadora, ela investiga os fenômenos sobrenaturais que os outros personagens geram. Como aqueduto, ela sente o peso emocional que esses fenômenos carregam. É ela quem frequentemente traduz os mistérios em palavras, e seus frascos de nuvens são itens-chave em vários arcos.
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Dinâmica entre os cinco:
·Cicatriz de Tato lê as marcas que os outros deixam no mundo, mas tem pavor de deixar marcas em si mesma.
·
Pêsames de Cetim tenta consolar as dores do grupo, mas seu consolo é uma armadilha que todos temem desejar.
Granizo de Pérolas e Nevasca de Vidro compartilham uma afinidade estranha: ela prevê tempestades, ele as congela. Seus poderes podem se anular ou se amplificar, e há uma tensão não dita entre eles — um romance impossível entre o gelo e a pérola.
Dissecadora/Aqueduto estuda todos eles, coleta fragmentos de seus fenômenos e, em noites de crise, canaliza os suspiros que nenhum deles consegue soltar.
Juntos, formam uma espécie de 'clube involuntário', unidos por suas maldições e pelo mistério central: quem ou o que está causando o aumento de eventos sobrenaturais na cidade onde vivem?
...E por que todos eles, justamente eles, foram atraídos para o mesmo lugar?
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Onde o Silêncio se Senta
A Entrada
Não há placa, não há endereço!
...Chega-se lá por um caminho que só aparece quando se está perdido. Uma viela estreita entre dois prédios antigos, que de repente se alarga e desce em degraus de pedra cobertos de musgo. Os sons da cidade vão morrendo conforme se desce --- não como se fossem abafados, mas como se cada ruído decidisse, educadamente, ficar para trás.
No último degrau, uma torii de madeira escura, sem nenhuma inscrição. Não é um portal sagrado tradicional --- é um portal de cortesia. Quem passa por ele sente uma brisa que não mexe nas folhas, apenas na alma!
A Geografia do Lugar
É uma clareira em formato de meia-lua, abraçada por uma curva do rio.
O rio é chamado pelos locais de Rio Sem Nome, ou simplesmente 'Ele'.
... Suas águas são estranhamente calm
as --- não há correnteza visível, mas a água se move, lenta, como um vidro líquido.
A superfície reflete o céu com uma fidelidade tão absoluta que, em dias nublados, o rio parece feito de chumbo polido; em dias de sol, é um espelho de ouro pálido.
...Nas margens, crescem cerejeiras que não obedecem às estações. Algumas estão sempre em flor, pétalas caindo eternamente sem nunca se esgotar. Outras estão nuas, galhos retorcidos como bronquíolos de pedra.
... Outras ainda estão cobertas de folhas verdes, imóveis. Cada árvore parece ter escolhido sua própria estação e se recusado a mudar.
No centro da clareira, há uma pedra grande, plana, polida por décadas de chuva. É ali que o Silêncio se senta. Não metaforicamente — os frequentadores juram que, em certos crepúsculos, quando a luz atravessa as pétalas na diagonal, é possível ver uma forma na pedra. Não um corpo, mas uma impressão no ar, como o calor sobre o asfalto. Algo que está sentado, esperando, ouvindo.
As Regras Não Escritas
Quem frequenta o lugar aprende rápido:
1. Não se fala em voz alta. Não por proibição, mas porque o próprio ar parece rejeitar o som. Palavras ditas ali saem como sussurros, mesmo que se grite.
2. O rio aceita oferendas, mas não as devolve. Pétalas, cartas, fitas de cabelo -- tudo o que é depositado na água flutua por um instante e depois afunda sem deixar ondulações.
3. O Silêncio que se senta na pedra não é um deus, não é um fantasma, não é um monstro.
....É apenas o Silêncio!
...E ele se lembra de tudo o que ouve.
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Os Cinco e Seus Cantos
Cada um dos nossos personagens descobriu o lugar de forma independente, e cada um se afeiçoou a um ponto específico. Eles nunca combinaram de se encontrar ali --- simplesmente passou a acontecer.
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Takt — A Pedra Menor, sob a cerejeira nua
Takt se senta numa pedra pequena, irregular, à sombra de uma cerejeira que nunca floresce. Ela não se senta na pedra do Silêncio — ninguém ousa —, mas escolheu um lugar de onde pode vê-la.
Ela vem aqui para descansar do toque do mundo. O ar parado não a toca; a brisa é tão sutil que não deixa marcas em sua pele. Aqui, ela pode tirar as luvas e mergulhar as mãos na água fria do rio, que é uma das poucas coisas que a tocam sem deixar impressão — a água passa, e sua pele permanece limpa, sem memória.
...Às vezes, ela encosta a ponta dos dedos na casca morta da cerejeira nua. A árvore, como ela, guarda cicatrizes, mas não as impõe a ninguém. Takt já tentou 'le'a árvore uma vez: sentiu apenas um vazio antigo, paciente, que não doía. Foi a primeira vez que entendeu que o vazio também pode ser um consolo.
...Ela é a guardiã não oficial do lugar.
..Quando chega, verifica se há marcas estranhas nas pedras, nas árvores. Até agora, o Silêncio é o único que não deixou impressão nenhuma -- e por isso ela confia nele.
Níveo — A Margem Oposta
Níveo nunca cruza a ponte. Ele fica do outro lado do rio, onde as cerejeiras são mais ralas e o musgo dá lugar a um solo pedregoso. Lá, ele se senta num tronco caído, os pés quase tocando a água, e observa os outros do outro lado.
Ele é o único cujo corpo reage visivelmente ao lugar: ao seu redor, a grama está sempre coberta por uma fina camada de gelo, mesmo no verão. O rio, perto de seus pés, forma cristais de gelo que se desfazem em segundos. O Silêncio não se importa --é um dos poucos lugares onde Níveo não se sente um invasor.
Ele nunca oferece nada ao rio.
...Em vez disso, retira: com uma colher de chá que carrega no bolso do sobretudo, ele recolhe um pouco da água e a congela na palma da mão, formando uma lente de gelo através da qual observa o mundo.
Tudo fica distorcido, azulado, mais suportável!
Um dia, Margot atravessou a ponte e sentou-se ao seu lado sem pedir licença. Ele não a expulsou. Agora, a margem oposta tem dois frequentadores, e o gelo ao redor de Níveo derrete um pouco mais rápido quando ela está por perto.
Soraï — O Banco de Madeira sob a cerejeira sempre em flor
Soraï descobriu o lugar numa tarde em que carregava um cartão de pêsames que não sabia a quem entregar. Ele se sentou no banco de madeira -- o único mobiliário do lugar, tão velho que parece brotar da terra --- e simplesmente ficou!
As pétalas caem sobre ele o tempo todo.
...Ele as recolhe do colo e as deposita no rio, uma por uma, como se cada pétala fosse um luto que ele precisa deixar ir.
O rio as aceita sem protesto.
Aqui, Soraï não é o Pêsames de Cetim.
....Ele é apenas um menino com um leque fechado e olhos de cores diferentes, observando as pétalas flutuarem. O Silêncio que se senta na pedra é o único 'cliente'que ele não consegue consolar -- e talvez seja por isso que ele volta, tentando entender o que é uma tristeza que não precisa de cetim.
Às vezes, ele abre o leque até a metade, revelando os crisântemos murchos pintados, e o abana lentamente. As pétalas de cerejeira dançam com o vento artificial, e por um instante o ar cheira a algo antigo, algo que já morreu, mas que ainda é belo.
Margot — A Ponte de Madeira
Margot não se senta. Ela se deita na ponte de madeira que cruza o Rio Sem Nome, com a cabeça pendendo para um lado e os pés para o outro, o cabelo perolado caindo em cascata até quase tocar a água.
..É perigoso, e ela adora isso!
Ela vem aqui para sentir as tempestades que ainda não chegaram. Deitada na ponte, ela sente a pressão atmosférica mudar através da madeira, através da água, através do ar. Seus cabelos se ouriçam, seus olhos se fecham, e ela sorri — aquele sorriso que não é alegre, mas profético.
Ela é quem mais conversa com o Silêncio. Não em palavras: ela cantarola.
... Melodias bascas que sua mãe cantava, canções de marinheiros e de despedidas. O Silêncio, ela jura, inclina a cabeça quando ela canta. Ninguém mais acredita, mas ninguém duvida.
Quando chora, ela se certifica de que as lágrimas caiam no rio. As pérolas afundam instantaneamente, e ela imagina que estão construindo um castelo no fundo, um palácio de tristezas onde sua mãe talvez um dia se sente.
Lunaire — A Pedra do Centro
Lunaire é a única que já sentou na pedra do Silêncio.
Não por arrogância --- ela simplesmente chegou tarde da noite, em sua forma de Aqueduto, e a pedra estava vazia. Ela se sentou sem pensar, exausta de canalizar suspiros alheios, e o Silêncio não a expulsou. Talvez porque, naquele momento, ela própria era um suspiro.
Agora, ela divide a pedra. Não literalmente --- ela se senta numa das extremidades, deixando a maior parte livre para a presença invisível.
..Como Dissecadora, ela usa a pedra como mesa de trabalho, alinhando seus frascos de nuvens, seus bisturis de prata. Ela descobriu que as nuvens dissecadas sobre a pedra se comportam de forma diferente: ficam mais densas, mais lentas, como se o Silêncio as observasse.
Como Aqueduto, ela se senta de pernas cruzadas e fecha os olhos, e os suspiros que canaliza formam trilhas de ar visível que serpenteiam pelo rio e sobem pelas cerejeiras.
O Silêncio, ela acredita, bebe esses suspiros. É assim que ele se alimenta. E ela lhe oferece esse alimento de bom grado, porque um mundo sem Silêncio seria um mundo onde todos os lamentos soariam ao mesmo tempo, ensurdecedores.
Ela é a única que fala diretamente com a presença na pedra.
Perguntas que ela sussurra ali recebem respostas --não em palavras, mas em imagens que brotam em sua mente como reflexos na água. Foi o Silêncio quem lhe disse que os cinco estavam destinados a se encontrar. Foi ele quem sussurrou que algo está chegando.
O Encontro dos Cinco
Não há um horário marcado. Simplesmente, há tardes em que todos os cinco estão lá ao mesmo tempo. Nesses momentos, o lugar muda.
O gelo de Níveo não se forma.
As pétalas da cerejeira de Soraï caem mais devagar.
Takt sente as marcas em sua pele suavizarem, como se cicatrizes antigas respirassem aliviadas.
·
Margot não sente tempestade nenhuma se aproximando — apenas uma calma que a assusta e a fascina.
Lunaire, na pedra, abre os olhos e vê, por um instante, uma forma ao seu lado. Não um rosto, mas a sugestão de um sorriso!
Eles não falam muito entre si quando estão lá. O lugar não exige palavras. Mas é ali, 'Onde o Silêncio se Senta' ,que eles são mais verdadeiros.
...Mais inteiros.!
Mais próximos de entender o que são e o que os une!.
E é ali que, um dia, o antagonista finalmente encontrará o grupo --- não para atacá-los, mas para se sentar na pedra e, pela primeira vez, fazer uma pergunta ao Silêncio.
By Santidarko
Personagens by Santidarko
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