segunda-feira, 15 de junho de 2026

Após aos soluços mudos



...Não como quem sobe uma escada de ouro em direção a um trono, 
...mas como quem aprende, enfim, a respirar dentro da própria chama. 


Cada centelha acordada — anjo, demônio ou um simples sopro errante — recebe do universo o mesmo pergaminho em branco 
...e a mesma tinta de assombro. 

Uns desenham asas, outros cicatrizes; há os que escrevem tratados de silêncio e os que compõem canções que só a noite saberá cantar. O importante não é o desenho final, mas o instante em que a centelha hesita diante da primeira palavra, 
...e mesmo assim avança!


Quem dera à escuridão olhos para ver ,
e à luz pálpebras para descansar, talvez descubra que a tarefa última do universo não é somente criar estrelas ou deuses, mas dar a cada  simples centelha , e  ainda oculta -- a sua única e irrepetível chance de acordar.


Porque evoluir é, acima de tudo, a coragem de deixar de ser apenas possibilidade ,e começar a ser presença!
É a escuridão que, tendo recebido olhos, chora de beleza ao ver o próprio avesso; 
...e é a luz que, ganhando pálpebras, finalmente descansa da obrigação de brilhar e aceita também o dom de fechar-se, de recolher-se, de sonhar!


...Evoluir é o barro esquecido que de repente se lembra de que um dia fora um soluço mudo---do que  se cansara de ser invisível, e decide, trémula, ganhar contorno, peso, nome.




 By Santidarko 

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