sexta-feira, 10 de julho de 2026

Vilão :Dr. Claustro(*Personagem by Santidarko)


A Brônquia


O que é: Uma abertura circular no centro do peito da armadura, composta por anéis concêntricos de metal preto e lâminas sobrepostas como pétalas de uma flor murcha. 
Não é um ferimento: é um órgão construído.



Explicação

A Brônquia é a entrada de ar da armadura. Inspirada na traqueia humana, que se bifurca nos brônquios, ela replica essa função de forma externa e visível -- uma árvore respiratória de metal invertida, cujas raízes estão para fora e os ramos para dentro.

...Quando o ar do exterior passa por ela, as 'pétalas' metálicas se contraem levemente, como uma anêmona negra. 

O som é um sussurro áspero, quase um ronco abafado. Dentro da Brônquia, camadas de tecido embebido em ervas, carvão ativado e sais de prata filtram os miasmas de quaisquer peste. 

O ar chega aos pulmões do portador já purificado -- ou tão purificado quanto possível em um mundo que pode ser tomado por qualquer doença.

Esteticamente, a Brônquia ocupa o centro exato do peito, onde as placas da armadura se abrem como um tríptico de catedral. 

Quando fechada, parece uma rosácea negra feita de osso e chumbo. 

Quando aberta, revela os anéis internos e o tecido filtrante, pulsando com o ritmo da respiração.

Simbolicamente, é o oposto de um escudo: é o ponto vulnerável transformado em mecanismo de defesa. 
...Onde outros teriam um coração blindado, ele tem um pulmão exposto. 

Onde outros selariam o peito, ele o entreabre -- confiando à Brônquia a tarefa de separar o veneno do ar limpo, a vida da morte.






O Plano: 'O Último Suspiro'

Preceito fundamental: 
Dr. Claustro após anos estudando a peste como médico e alquimista, chegou a uma conclusão niilista e absoluta!

... A humanidade não é vítima das pestes: a humanidade é a peste!

O planeta é um organismo doente, e a civilização é a infecção. Ele não busca poder, riqueza ou adoração. 

Ele busca reiniciar o mundo -- uma purga brutal que devolva a Terra ao silêncio e ao equilíbrio. 

Ele será o vetor!

Ele será o filtro.
 Ele será o único a 'direção consciente' do reset Mundial.




By Santidarko 
Personagem by Santidarko 

Vilã: Névura(*Personagem by Santidarko)



...Talvez ela seja apenas' um delírio sobrenatural '.


Uma Phantasmênia :
A quebra que ocorre na psique quando dois delírios conflitantes enfrentam-se!

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Classificação

Designação militar: Entidade NVRA-0 
Origem: Desconhecida. 

As coordenadas de onde veio não correspondem a nenhum ponto do espaço conhecido.

Natureza: Híbrida. Orgânica e extrafísica. Parcialmente real.

Ameaça: Existencial. 
Não se combate com arsenal convencional.




Comportamento Observacional


Está nos telhados à noite. Nas beiradas das florestas. 

...No fundo de hangares vazios. 

Documentou-se que ela permanece observando por horas, às vezes dias!

Olhando!
...Apenas olhando!

Para soldados, para civis, para crianças. 
Para equipamentos. Para o nada!
Como se lesse algo que ninguém mais vê.
...Como se catalogasse!

Certa vez, um atirador de elite a manteve na mira por 40 minutos. 

...Ela sabia!

Virou o rosto lentamente e olhou diretamente para a lente. Não para o atirador --para a lente. 
...Depois sumiu!

O atirador pediu baixa no dia seguinte. 
...Dissera que ela não estava no foco do rifle. 

Estava na mente dele!




Invasões a Bases Militares

Ela não invade no sentido tático.
 Ela desliza para dentro.


Padrão de intrusão:

1. Câmeras apresentam interferência estática.

2. O som ambiente cai -- passos não fazem ruído, vozes não ecoam, o próprio coração parece bater em silêncio.

3. A temperatura oscila -- não frio, mas ausência de calor. Como se algo sugasse a energia térmica.

4. Ela aparece. Sempre dentro. Nunca se vê a entrada. Simplesmente está lá, como se sempre tivesse estado.



O que ela procura:

Ela vasculha arquivos. Servidores. Cofres. 

...Mas também olha para mapas, fotografias antigas, pertences pessoais dos soldados. Cartas de amor. Medalhas. Ela para diante de objetos íntimos como se tivessem mais valor que os códigos nucleares.

Uma hipótese: ela não busca tecnologia humana. Busca humanidade. 
...Algo que possuímos e não sabemos!

Algo que para ela é recurso, combustível, ou fome.

Em uma base no Alasca, um soldado a encontrou diante de um mural de fotos de militares caídos. Ela tocava cada rosto com a ponta dos dedos. 

Não destruía!

Não fotografava. Apenas tocava.
... E sussurrava nomes em uma língua que doía ouvir. O soldado desmaiou!
 Quando acordaram, ela tinha ido embora.

... E o mural estava vazio. Não as molduras. As fotos. 

...Os rostos tinham sumido!



O que a torna sobrenatural


●Inconsistência física: 
Às vezes as balas a atravessam. Às vezes param diante dela como se o ar virasse concreto. Ela não parece controlar isso -- parece que a realidade hesita diante dela.


●Efeito Névura: 
Quem passa tempo demais em sua presença começa a esquecer coisas. Primeiro detalhes. Depois horas inteiras. Depois o próprio nome.

● Voz deslocada: 
Quando fala, a voz não vem da boca. Vem de trás de quem ouve. Ou de dentro. As palavras brotam como memórias falsas.


● Deslocamento: 
Ela não se teleporta. Ela simplesmente não está mais ali. Como se a cena em que ela aparecia fosse um arquivo corrompido e ela nunca tivesse estado presente -- exceto pelas marcas que deixa.




O que ela quer?

Ninguém sabe com certeza!

...Mas há uma teoria desenvolvida pelo núcleo de inteligência após cruzar os dados de 37 invasões em 5 continentes:

Névura está procurando alguém!

Alguém que está na Terra. 
Alguém que não sabe que está sendo procurado. Alguém que talvez nem seja humano -- ou que seja humano demais.

Em cada base invadida, ela examinou listas de pessoal. Olhou rostos. Tocou objetos. Em três ocasiões, parou diante de soldados específicos por mais tempo.

 Não os matou!Não os levou. Apenas olhou! Depois inclinou a cabeça, como quem descarta uma hipótese, e foi embora.

Os soldados em questão não tinham nada em comum. Idades diferentes. Etnias diferentes. Patentes diferentes. 

...Mas todos relataram o mesmo sonho na noite seguinte: um céu com três luas, uma voz chamando um nome que não era o deles, e a sensação de que acordaram no lugar errado.



By Santidarko 
Personagem by Santidarko 

New Darkening(*Concepção e desenvolvimento by Santidarko)



New Darkening/A Natureza do New Darkening


O New Darkening não é meramente a ausência de luz.
...Ausência é vazio, é vácuo, é um espaço onde algo deveria estar e não está!

O New Darkening é o oposto disso!

...É uma presença!

Um adensamento! Algo que ocupa, que preenche, que satura. Imagine um quarto escuro. Agora imagine que a escuridão dentro desse quarto começa a respirar. 

A apertar. A ter peso, textura, intenção. 
...Não é que a luz se apagou! 
É que algo entrou e ocupou o lugar da luz.

Essa presença se comporta como uma mancha que se espalha pela pele do mundo. Uma mancha não destrói o tecido -- ela o impregna. Muda sua cor, sua substância, seu significado. 

O solo sagrado não se abre em fissuras quando o New Darkening o toca. 

...Ele permanece intacto. 

Mas os padres que se ajoelham sobre ele começam a rezar palavras erradas. 
Os santos nas estátuas fecham os olhos. 

...A hóstia na boca do fiel tem gosto de terra molhada. 

A santidade não é expulsa!

É apodrecida por dentro, lentamente, como fruta que escurece sem que ninguém a tenha tocado.

Ele infiltra-se em solo consagrado e não recua -- ele o corrompe por dentro, célula por célula, hóstia por hóstia, prece por prece. 
...Não há batalha espiritual!;não há confronto entre forças opostas. 

O New Darkening não luta!

Ele simplesmente ocupa, como a maré ocupa a areia, e quando recua, o que resta nunca mais é o mesmo.

Ele passa por portas seladas com orações e as abre pelo lado de dentro. 

As orações ainda funcionam? 
Sim, no sentido de que ainda são palavras. Palavras bonitas, palavras antigas, palavras que um dia fizeram anjos fecharem os punhos.
... Mas o New Darkening não ouve palavras. Ele não obedece a sintaxes sagradas.


 Ele é pré-verbal. É anterior ao verbo. Antes do 'faça-se a luz',já existia ele, esperando. 

...E quando a porta se abre -- não violentamente, mas com a suavidade de quem já estava dentro e apenas girou a maçaneta --o fiel do outro lado descobre que selou todas as entradas exceto uma: a sua própria boca, que agora está escancarada num grito que não emite som.

Ele desliza pelas frestas de uma alma e apaga, uma a uma, as pequenas luzes da razão
.... Não como um vendaval que derruba velas. Como dedos pacientes que as pinçam, uma por uma, examinando cada chama antes de sufocá-la entre o polegar e o indicador. 

A vítima não enlouquece de uma vez!

Ela tem tempo de sentir cada luz se apagar. 'Aquela era a memória do rosto da minha filha', ela pensa, antes que a próxima se vá. 
'Aquela era a minha certeza de que Deus existe.'

...E então, silêncio!

E na escuridão completa da própria mente, ela ouve, pela primeira vez, a voz do New Darkening. E a voz diz: 'Agora você está pronta para me ver como eu sou.'




Os Vampiros do New Darkening

Os vampiros do New Darkening não fogem de amuletos. A palavra 'fugir'pertence aos velhos Predadores, aqueles que ainda se encolhem diante de crucifixos por hábito ou por respeito a tradições que já não compreendem. 

...Os novos não!

Eles caminham em direção aos símbolos. Estendem a mão. 

...Tocam!

Eles os colecionam. Em seus refúgios, prateleiras exibem crucifixos de marfim, estrelas de Davi, mãos de Fátima, figas brasileiras, omamori japoneses, nazars turcos contra o mau-olhado. 

Não estão dispostos como troféus de guerra -- isso seria admitir que houve guerra. 

Estão dispostos como peças de arte. 
...Como quem coleciona borboletas, não porque venceu as borboletas, mas porque a beleza delas merece ser preservada sob vidro.

Usam-nos como joias!

Um rosário enrolado ao pulso como pulseira, as contas misturadas com pérolas negras. Uma cruz pendurada na orelha, não invertida, não profanada --simplesmente usada!

Um escapulário sob a camisa de seda, tocando a pele fria do peito.

... Não há dor! 
...Não há queimadura!

Há apenas o contato, e talvez um leve formigamento, como uma lembrança distante de algo que um dia foi importante para alguém.
Usam-nos como troféus, mas com uma ironia tão fina ,que a presa demora a entender. '

--Perdeu algo'perguntara o vampiro, erguendo o crucifixo que pertencia à avó da vítima, balançando-o diante dos olhos aterrorizados como um hipnotizador balança um relógio. 
-Ela rezou com isto todas as noites durante cinquenta anos!Morreu de câncer. Rezando. As orações não salvaram ela. 
-...Isto não vai salvar você!


....E então ele coloca o crucifixo de volta no pescoço da vítima, com delicadeza, ajeitando a corrente, sorrindo. 
-Mas fique com ele.É bonito!E a fé é um consolo... por enquanto!

Eles usam os amuletos como ironia. 
A ironia é a arma mais afiada do New Darkening.

 Não o escárnio grosseiro, não a blasfêmia berrada em igrejas incendiadas. 

Algo mais sutil: a demonstração calma de que tudo em que a humanidade acreditou é, e sempre foi, inútil!

...E que essa inutilidade é bela.
... É quase tocante!

O vampiro não odeia a fé -- ele a aprecia como um gourmet aprecia um vinho especialmente ingênuo. 

-Vocês criaram deuses para se proteger de nós, ele parece dizer com o olhar. 
-...E os deuses nunca vieram. Mas nós viemos. Nós sempre viemos!

Um deles pode passar os dedos por uma pia de água benta e sorrir. A água não ferve, não se turva, não recua. 

Ela apenas molha seus dedos. E ele os ergue diante do sacerdote que assiste, horrorizado, e pergunta: -Está vendo? Sempre foi água. Apenas água.!
-A bênção estava na sua crença, não no líquido. 
-E a sua crença...!

Ele sacode os dedos, salpicando gotas no mármore. 
-E...nunca foi páreo para a minha fome!

Não porque a água perdeu o poder. 
Mas porque nunca o teve. O poder sempre foi uma fábula, uma canção de ninar, uma história que os vivos contam aos vivos para que a noite pareça menos escura.

 O New Darkening não nega a fé!

Ele a revela como aquilo que é: um escudo de papelão segurado por mãos trêmulas. 

...E quando o escudo se desfaz, o que resta não é o desespero imediato. É algo pior: a compreensão lenta, devastadora, de que o escudo nunca existiu!

O choque nos olhos de quem acreditava é mais inebriante que qualquer vinho. 
...Porque o sangue alimenta o corpo. 

...Mas a morte da fé? 
A morte da fé alimenta algo muito mais profundo. Alimenta a Sanguithra. Alimenta a Vorath. Alimenta o New Darkening. 

Cada crença que se quebra é uma pequena luz que se apaga no mundo. 

...E quando as luzes se apagam, a escuridão não apenas cresce -- ela se torna mais consciente. Mais faminta!
Mais próxima de acordar completamente.

Os vampiros do New Darkening não são hereges. Hereges ainda creem em algo, mesmo que contra a corrente. 

...Eles são pós-hereges. 
Pós-fé. 

Eles  não blasfemam contra Deus!

Eles simplesmente não precisam mais Dele. 

...E essa ausência de necessidade é o terror mais puro que um mortal pode contemplar: o sorriso de uma criatura que olha para o céu e não vê nada -- exceto um espaço vazio onde a humanidade inteira depositou suas esperanças.

...E então o vampiro fecha os dedos molhados de água benta ao redor da garganta do sacerdote, e aperta, e sussurra:

— Reze.

E o silêncio que segue é a única oração que o New Darkening reconhece.





By Santidarko 

New Darkening (Quielum, Arden & Nictah),personagens by Santidarko



Estação Solene

Antes do terremoto, a Estação de metrô Solene era o orgulho de Valenévoa, uma cidade portuária incrustada entre morros e mar, conhecida por suas névoas matinais, seus casarões coloniais e sua vida noturna pulsante. 

Fundada no século XVIII por navegadores que diziam ter encontrado ali o pôr do sol mais bonito do mundo, Valenévoa cresceu como um porto de passagem, um lugar onde tudo chega e nada fica -- exceto a névoa, exceto os segredos, exceto as coisas que se escondem sob as ruas de paralelepípedo.

A Estação Solene foi inaugurada em 1921, desenhada por um arquiteto obcecado por catedrais góticas. Seus azulejos eram azul-profundo como vitrais. 

Seus lustres de bronze pendiam como incensários. Seu relógio central tinha ponteiros dourados e uma inscrição em latim: 'Omnia nox revelat'-- a noite tudo revela. 

Os moradores de Valenévoa tinham orgulho da estação. 

...Turistas tiravam fotos!
Casais se beijavam na plataforma. 

...A cidade parecia eterna!

O terremoto de 1987 não foi eterno!



Durou quarenta e dois segundos e quebrou Valenévoa como um biscoito. A Zona Velha foi a mais atingida: casarões ruíram, igrejas racharam, e a Estação Solene afundou parcialmente, o teto desabando sobre os trilhos, as paredes cedendo como costelas partidas. 

Os engenheiros desceram, avaliaram, e deram o veredito: o solo sob a estação era uma colcha de retalhos de falhas geológicas.

...Reparos eram impossíveis!

A prefeitura lacrou as entradas com concreto, removeu Solene dos mapas, e desviou os trens para uma estação nova, feia, funcional, sem alma!

...Os anos passaram!A névoa de Valenévoa continuou subindo do mar toda noite. 

Os casarões foram reconstruídos. A vida noturna voltou a pulsar. E ninguém se lembrou mais da Estação Solene --exceto os três.



Os Três

Eles não são londrinos. Não são aristocratas europeus. São filhos de Valenévoa --cada um transformado numa noite diferente da cidade, cada um carregando o sotaque local, a gíria local, o jeito local de ser vampiro. 

Não dormem em caixões. Não usam capas. Não fogem de alho nem de cruz. 

...São jovens, famintos, lindos e perigosos -- e Solene é a casa deles!


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Quielum, o Punk do Porto

Quielum tem vinte e nove anos para sempre!

Foi transformado numa noite , atrás de um show de punk rock no Beco das Marés, onde bandas underground tocavam para plateias de trinta pessoas suadas. 

Ele tinha ido ver o show com uma jaqueta de couro que ele mesmo customizara com  briches e tinta spray. 


Saiu de lá com uma jaqueta manchada de sangue e uma fome que nunca mais passou.

Seu visual é punk de rua, não de boutique! Jaqueta de couro preta coberta de patches de bandas que só existiram em porões de São Crepúsculo: Restos de Quinta, Mofo Urbano, Hóstia Podre. 

Por baixo, uma camiseta cinza com um desenho tosco .

 As calças são pretas, rasgadas nos joelhos, presas por um cinto de fivela de caveira. 

As botas são coturnos surrados que pisam com força nos paralelepípedos, como se a cidade lhe devesse algo. 

...Na orelha esquerda, um crucifixo de prata que ele usa como brinco -- não por blasfêmia, mas porque acha irônico. 
'As tias da igreja' rezam pra isso. Eu uso de enfeite!'.

Quielum fala rápido, com o sotaque arrastado de quem cresceu nos bairros do porto. Usa gírias que saíram de moda há quarenta anos e não se importa. Chama os outros vampiros de 'mano'.

 Chama as vítimas de 'lanche'.

 Chama o New Darkening de 'a parada'.

Ele não lidera por ser o mais velho - Arden é mais velho. 

...Lidera porque é o mais barulhento, o mais raivoso, o que age antes de pensar e pensa enquanto morde. Sua filosofia é simples: o mundo é uma piada de mau gosto, a sociedade é uma mentira, e ser vampiro é a única forma honesta de existir!

'A gente não finge, mano. A gente tem fome e come. Os humanos têm fome e vão no mercado. Qual a diferença?'

Seu canto em Solene é a antiga cabine do chefe da estação. Ele arrancou os painéis de controle e pendurou pôsteres de bandas que ninguém mais lembra. 

...Há uma guitarra elétrica sem cordas num canto--ele sempre diz que vai aprender a tocar. Há uma pilha de discos de vinil arranhados que ele roubou de um sebo falido. Há uma rede estendida entre duas colunas de ferro, onde ele dorme de dia embalado pelo silêncio dos túneis.

Quando caça, Quielum vai para o Centro Velho, onde as ruas são estreitas e os bares fecham tarde. 

...Ele não seduz. 

'Ele provoca'!

Escolhe vítimas que se acham duronas: o filhinho de papai, o segurança de boate, o motoqueiro barulhento. Encosta na parede do beco, acende um cigarro que não vai fumar, e sorri.

— 'Tá perdido, irmão? Quer companhia?'

A vítima olha para ele. Vê um moleque de jaqueta de couro, magro demais, pálido demais, sorridente demais. 
...Ri!
Acha que está no controle.

...Nunca está!

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Arden, o Rockstar da Zona Velha

Arden tem vinte e cinco anos e a aparência de quem acabou de sair do palco de um festival que nunca existiu.

 Foi transformado nos anos 70, durante o Festival de Verão de Valenévoa, um evento que entrou para a história porque a banda principal nunca chegou a tocar -- o vocalista foi encontrado sem sangue no camarim, e Arden desapareceu na mesma noite.

... Ele não conta o que aconteceu!

 Quando perguntam, ele apenas sorri e aumenta o volume do som.

Seu estilo é rock 'n' roll com poeira de estrada e um toque de glam noturno. 
Usa uma jaqueta de veludo preto com bordados prateados nos ombros, que ele jura ter pertencido a um guitarrista famoso. 

A camiseta é preta, com o logo dos The Doors em letras desbotadas. As calças são pretas e justas. As botas são de couro com fivelas laterais que tilintam quando ele anda pelos túneis de Solene. Nos dedos, anéis de prata com pedras negras. No pescoço, um lenço vermelho desbotado que ele usa como bandana, como gravata, como máscara -- depende do humor.

O cabelo é escuro e ondulado, caindo sobre os olhos. Ele está sempre empurrando os fios para trás com a mão esquerda, um gesto automático que as vítimas acham hipnotizante.

 Os olhos são castanhos com pintas douradas, como se tivessem capturado um pedaço da iluminação de um show. 
...Seu sorriso é torto, de lado, como se ele soubesse de uma piada que você ainda não entendeu.

Arden fala com calma, voz de DJ de madrugada. Ele é o sedutor do trio, o que entra nos bares, pede um uísque, senta ao piano, e em quinze minutos tem uma plateia de estranhos apaixonados.

 Ele não os mata!

... Não sempre!


Às vezes, apenas prova!
...Um gole. Uma cicatriz minúscula. E some pela porta dos fundos, deixando a vítima tonta, viva, perguntando se aquilo foi sonho.

Seu canto em Solene é a antiga plataforma de embarque. Ele arrastou poltronas de um cinema abandonado, montou um bar com garrafas vazias e coloridas, e instalou um toca-discos que funciona com um gerador roubado. 

Há vinis do Led Zeppelin, Janis Joplin, Jimi Hendrix. 

...Há um violão acústico que ele toca à noite, dedilhando blues tristes enquanto os ratos assistem. Arden é o menos faminto dos três, mas o mais perigoso -- porque ele não caça por fome. Caça por esporte. Por arte. Porque a caça, para ele, é música!


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Nictah, a Gótica do Silêncio

Nictah tem vinte e quatro anos e parece ter saído de um filme expressionista alemão que foi filmado em Valenévoa por engano. 

Foi transformada em 1998, numa noite de chuva, no Cemitério da Colina -- o mais antigo da cidade, onde as lápides têm anjos decapitados e as sepulturas são cobertas de hera negra. 

Ela não conta quem a transformou.

.. .Ela não conta quase nada.!

Mas Arden uma vez a viu passar os dedos sobre um nome gasto numa lápide e sussurrar 'desculpa'.

... Ele nunca perguntou por quê!

Seu estilo é gótico romântico com um toque de funeral vitoriano e outro de rebeldia moderna. Usa um vestido preto longo, de renda e cetim, com mangas que cobrem as mãos e uma saia que se arrasta pelo chão dos túneis como uma sombra líquida. 

O corpete é apertado, com fitas de veludo cruzadas nas costas. Nos pés, coturnos pretos de plataforma -- a única concessão ao conforto. Nos pulsos, pulseiras de ônix e prata. No pescoço, um camafeu com o retrato de uma mulher que não é ela --ou talvez seja, de outra época.

O cabelo é preto-azulado, liso, longo ,, cortado reto como uma lâmina. Ela o usa solto na maioria das noites, mas às vezes o prende com duas agulhas de prata que, dizem, são finas o suficiente para furar uma artéria. 

A pele é branca como porcelana, e ela a maquia com pó translúcido para que pareça ainda mais fria.!

Os lábios são pintados de vinho escuro, quase preto. Os olhos são delineados com kohl, e a sombra é roxa, profunda como hematoma.

...Nictah não fala muito!

Quando fala, a voz é baixa, quase um sussurro, e as palavras são escolhidas como quem escolhe pedras para um mosaico. 

..Ela é o silêncio de Solene. 

...Enquanto Quielum grita e Arden toca violão, ela observa. Senta-se no banco mais escuro da plataforma. Desaparece nas sombras -- às vezes literalmente, porque ela tem o dom de se fundir com a escuridão como se fosse feita dela.

Seu canto em Solene é a antiga sala de espera VIP, que ela transformou em algo entre uma capela e um gabinete de curiosidades. 

...Há crucifixos nas paredes --dezenas deles --de todos os tamanhos e materiais. 

...Nenhum está quebrado!
...Nenhum está invertido!

 Estão pendurados como uma coleção de borboletas noturnas. Cada um pertenceu a alguém que morreu rezando. Ela os toca, às vezes. E sussurra:

— 'Ele não respondeu, respondeu?'

Os crucifixos não respondem. Ela sorri -- um sorriso mínimo, quase invisível, a primeira sílaba do próprio nome.

'Nictah não caça'.

 ...'Ela os colhe!'

Escolhe vítimas solitárias: o poeta que bebe sozinho no bar da praça, a velha que acende velas na praça, o turista perdido na Zona Velha. 

Ela não os seduz!

...Não os provoca!

Simplesmente aparece diante deles, silenciosa, linda, triste. E a vítima sente, pela primeira vez na vida, que alguém a compreende. Estende a mão. Nictah segura a mão.

... E a escuridão faz o resto!

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Os Três em Conjunto

...Eles não são uma família!

Não são um clã!

'São três acidentes noturnos' que a cidade de São Crepúsculo juntou nos túneis. 

...Mas há um entendimento entre eles!

 Quielum traz a raiva. Arden traz a arte. 
...Nictah traz o silêncio!

Nas noites de inverno, quando a névoa do porto desce pelos dutos de ventilação e invade Solene como um visitante, eles se reúnem na plataforma principal. 

Arden põe um disco no toca-discos. 
Quielum abre uma cerveja que roubou de um bar. Nictah se senta no banco mais escuro. Eles conversam pouco, mas escutam música juntos. 

...Às vezes, Quielum grita a letra, errando as palavras. Às vezes, Arden dedilha o violão.
... Às vezes, Nictah fecha os olhos e mexe os lábios, cantando baixinho algo que ninguém mais ouve.

...

Eles sabem. Sentem no ar, na névoa, no gosto do sangue. Algo está se adensando no mundo --uma mancha, uma presença, uma fome maior que a deles. 

Quielum chama de 'a parada'.
Arden chama de 'o grande show'. 
Nictah chama de Sanguithra, e quando ela diz essa palavra, até os ratos param de se mover.



By Santidarko 
Personagens by Santidarko 


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Vilões : Phasmora e Phasmorghul, Os gêmeos Phasmores(The Phasmores twins) Personagens by Santidarko

Phasmora 




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Phasmorghul


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Os Antes Amados, Hoje Temidos


Antes de serem monstros, Phasmorghul e Phasmora eram os rostos mais desejados do mundo da moda. 

Irmãos gêmeos ruivos, de beleza extraterrena e simbiose perfeita diante das câmeras, eles foram a obsessão da grife Morgamnee -- uma casa de alta-costura tão exclusiva que vestia realezas, estrelas e bilionários excêntricos.

...Morgamnee não era apenas uma marca!


...Era um culto ao inalcançável!

Seu nome sussurrado em salões de mármore evocava vestidos de seda líquida, ternos que pareciam ter sido tecidos com a própria noite, e desfiles que mais se assemelhavam a rituais. 

Seu logotipo --uma rosa negra com pétalas caindo na vertical, formando a letra M --estampava o peito dos eleitos. Pertencer à Morgamnee era ser 'imortalizado'.

Os gêmeos eram as joias da coroa: Phasmorghu(*Gutz),o andrógino soberano do olhar vazio; Phasmora(*Lisa), a musa espectral de sorriso incognoscível. 

...A Morgamnee os amava! 

O mundo os amava!

 Mas o amor do mundo é volátil, e o sucesso é uma fome que nunca se sacia.

...

Dizem os sussurros dos bastidores que, na véspera do desfile mais importante de suas carreiras -- a Coleção Funéreo, da Morgamnee —, os gêmeos fizeram algo proibido. 

Num hotel centenário de Paris, diante de um espelho de moldura negra que nunca refletia o presente, eles invocaram uma entidade sem nome.

Não pediram fama. 

..Já a tinham!

Não pediram beleza. Essa, eles já possuíam em abundância!

Pediram a única coisa que lhes faltava: permanência. Queriam ser inesquecíveis, amados para sempre, imunes ao esquecimento cruel do mundo da moda.

A entidade -- uma voz que soava como seda sendo rasgada -- concedera o pedido!

 ...Mas não da forma que esperavam.

 Ela lhes dera o poder de jamais serem esquecidos, transformando-os naquilo que ninguém consegue apagar da mente: o próprio pesadelo.


A Maldição que Desfila nas Sombras

Ao despertarem, Phasmorghul e Phasmora descobriram que a Morgamnee havia os descartado. Foram substituídos por novos rostos, mais jovens, mais dóceis.

 A marca que os adorava agora fingia que eles nunca haviam existido.

...Foi quando os novos dons se manifestaram!

Aqueles que os desprezaram começaram a definhar. Críticos de moda acordavam aos gritos, com criaturas saídas de suas próprias fobias ainda rondando o quarto. 

Editores de revistas viam, no canto do olho, os gêmeos flutuando silenciosamente na passarela vazia de seus escritórios, com vestes negras que fumegavam. 

Stylists que os trocaram descobriram que suas maiores inseguranças ganhavam forma e os perseguiam até a loucura.



Os poderes dos gêmeos são três, e terríveis:

●Pesadelo Seletivo: 
Eles não atacam qualquer um. Apenas aqueles que genuinamente os desprezam, invejam ou subestimam. O desprezo alheio é o combustível; quanto mais você os odeia, mais vívido e insuportável é o pesadelo que eles lhe enviam.


●Levitação Espectral: 
Flutuam alguns palmos acima do chão, como se o mundo físico se recusasse a tocá-los. Nunca mais pisaram em uma passarela. Deslizam, silenciosos, com as longas vestes negras de sua própria confecção roçando o ar.


● Criação de Horrores: 
O poder mais aterrorizante. Das mentes de suas vítimas, eles podem arrancar os medos e dar-lhes carne, osso e garras. Uma fobia de afogamento se torna uma criatura de água podre que persegue a vítima. 

O medo de estar só se materializa em figuras sem rosto que sussurram o nome da pessoa em loop. Cada criatura é única, desenhada sob medida para a ruína psicológica de um alvo específico.



A Nova Passarela

Phasmorghul e Phasmora não envelheceram um dia desde o ritual. Ainda vestem negro --não mais as roupas da Morgamnee, mas criações próprias, uma fusão de alta-costura e armadura funerária, com joias que brilham com uma luz doentia. 

...Seus cabelos ruivos são a única cor viva em suas silhuetas, como labaredas flutuando na escuridão.

Eles não desfilam mais para o mundo. 

...Agora, o mundo dos que os desprezam é que desfila, aterrorizado, diante deles. 

Cada mente é uma nova coleção!

Cada medo, uma nova peça. 

...E a temporada nunca termina!




By Santidarko 
Personagens by Santidarko