PACIENTE 21
Há sonhos que são apenas sonhos -- fumaça que se desfaz ao primeiro raio de sol.
...E há sonhos que são prisões. Jaulas tão perfeitamente construídas, que o prisioneiro esquece que um dia esteve livre.
A Dra. Helena Auerbach passou a vida acreditando que era a carcereira.
A mente mais brilhante da neuropsiquiatria moderna; ela construiu um instituto inteiro dedicado a decifrar os labirintos da consciência. Não por vaidade. Mas por' dívida'. Seu irmão gêmeo, Julian, mergulhou numa catatonia inexplicável quando eram crianças e jamais voltou. Ela cresceu com a culpa de quem sobreviveu. Tornou-se médica para entender o que o levou. Para, talvez, trazê-lo de volta.
Trinta anos depois, um paciente sem nome e sem passado — o Paciente 21 — dorme no subsolo do seu instituto, sonhando continuamente o mesmo sonho: um filme noir em preto e branco, povoado de gângsteres, jazz e uma mulher desaparecida chamada Lillian. A ciência de Helena enfim alcançou o impossível.
Ela pode entrar nesse sonho. Pode caminhar por suas ruas molhadas de chuva e falar com o detetive amargurado que o habita.
...Mas sonhos ,não foram feitos para serem invadidos!
E quando Helena cruzar a fronteira do seu próprio inconsciente, descobrirá que o Paciente 21 não é um estranho. Que a cidade de néon não é um delírio. E que a mulher que ela se tornou --a médica renomada, a cientista implacável -- talvez não passe de um personagem escrito por alguém que ela esqueceu.
A verdade não está no andar de cima.
A verdade está no porão, no Quarto 21, esperando com os olhos de uma criança que um dia soube amar.
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O anzol emocional
A chuva no sonho tinha gosto de cobre e silêncio. A Dra. Helena Auerbach descobriu isso no instante em que abriu os olhos dentro de um mundo que não era o seu — um beco escuro, paralelepípedos molhados refletindo o neon de um letreiro que piscava 'HOTEL DELPHINE' em luz magenta. Ela sentiu o cheiro de tabaco frio e água de colônia barata antes mesmo de lembrar quem era.
Seu corpo respondeu antes da mente. Levantou-se, alisou o vestido de seda que jamais comprara, e viu suas mãos: unhas pintadas de vermelho, uma aliança de ouro no anelar esquerdo. Veronika Dusk, soprou uma voz dentro dela:— Você é Veronika Dusk, psiquiatra do Sanatório São Lionel, e está atrasada para a sessão com o detetive!
Não. Ela era Helena Auerbach, diretora do Instituto Auerbach de Consciência Avançada, e estava deitada numa poltrona de couro, a trezentos metros dali, no mundo real, com um elmo de eletrodos na cabeça. Mas a memória do laboratório parecia uma fotografia antiga desbotando. O beco, não. O beco pulsava.
Caminhou até a rua principal. A cidade se ergueu ao seu redor como uma criatura viva --arranha-céus de pedra escura, bondes cintilando faíscas azuis, homens de chapéu fedora e sobretudos que passavam por ela como peças de um mecanismo oleado.
Havia jazz em algum lugar, abafado e triste. Tudo era preto e branco, exceto o neon, que sangrava cores impossíveis: magenta, verde-musgo, um azul-elétrico que 'doía nos dentes'.
O Sanatório São Leonel ficava no alto da colina, uma mansão gótica com torres que arranhavam um céu, sempre sem estrelas!
Helena subiu os degraus de mármore rachado enquanto a chuva insistia em não molhá-la de verdade -- ela sentia o impacto, o frio, mas sua pele permanecia seca. Interface onironáutica, pensou com o fragmento lógico que ainda lhe restava.
...O cérebro do Paciente 21 está preenchendo as lacunas sensoriais.
...Impressionante!
...Aterrador!
Dentro do sanatório, uma recepcionista de coque severo a encarou.
— O doutor Vane está esperando, Sra. Dusk. Ele disse que é urgente.
— Urgente? — A voz de Helena saiu mais grave, com um sotaque que ela reconheceu como do leste europeu. (A personagem se infiltrava nela...como tinta em água).
— Ele encontrou a mulher dos espelhos.
A recepcionista apontou o corredor com um lábio trêmulo. Helena seguiu. As paredes eram forradas de azulejos hexagonais, e seus saltos ecoavam num ritmo que não combinava com seus passos.
O escritório do detetive ficava no último andar. A placa na porta dizia: Elias Vane -- Investigações Confidenciais.
Ela bateu e entrou.
...
Ele estava de costas, olhando a chuva na janela. O sobretudo bege pendia de seus ombros como uma bandeira rendida. Quando se virou, Helena sentiu um choque que não era da personagem -- era dela, da médica, da mulher que passara trinta anos estudando cérebros e jamais vira algo assim. O rosto do Paciente 21 era exatamente igual ao que jazia na maca do laboratório: um homem de setenta e poucos anos, cabelos ralos, maxilar proeminente. Mas aqui, seus olhos tinham a vivacidade de um incêndio.
... E ele sorria.
— Sente-se, doutora. — Ele ofereceu uma cadeira de madeira gasta.
— Temos pouco tempo antes que eles percebam.
Helena obedeceu, tentando manter o controle. A interface determinava que o visitante não podia revelar sua verdadeira identidade ao sonhador; o rompimento da diegese poderia colapsar o mundo onírico e causar danos neurológicos graves a ambos. Mas ele sabia. Ele já sabia.
— Você não é Veronika , dissera Elias Vane, acendendo um cigarro cuja fumaça cheirava a papel queimado e algo mais--algo metálico. --Você é a médica do andar de cima!
— Do que você está falando?
— Não se faça de desentendida. -- Ele deu uma tragada longa.
— Toda noite, há trinta anos, pessoas de jaleco branco tentam entrar aqui. Umas vêm bisbilhotar, outras vêm roubar. Você é a primeira que entra inteira.
—QUEM É VOCÊ?
Helena ponderou. Os protocolos mandavam abortar a sessão...se o sonhador demonstrasse consciência da realidade externa. Mas algo naquele olhar a impediu. Havia ali uma súplica que ela reconhecia: a mesma com que seu irmão gêmeo, Julian, a encarava na cama de hospital, antes de sucumbir à catatonia que o matou aos doze anos.
— Meu nome é Helena Auerbach , disse ela, quebrando todas as regras.
— Sou neuropsiquiatra. Você está dormindo, Sr. Vane. Está dormindo há muito tempo. Eu vim ajudar.
Elias Vane baixou o cigarro. A chuva parou do lado de fora por um instante, como se o mundo prendesse a respiração.
— Então você não sabe de nada , murmurou ele.
— Não sabe onde está de verdade.
— Explique!
— Este sonho, doutora, não é meu. É seu!
Ele se levantou e foi até um arquivo empoeirado. Tirou de dentro uma fotografia em preto e branco, manchada de umidade. Mostrou à Helena. Era uma mulher jovem, cabelos escuros ondulados, um sorriso triste.
— Esta é Lillian , disse ele.
— Foi paciente do Sanatório São Leonel... nos anos 1940. O sanatório real, doutora, não esse cenário de cinema. Ela foi assassinada aqui. E eu tenho trinta anos tentando descobrir por quem, porque a resposta está trancada nela. Mas Lillian só fala com você.
— Eu não conheço essa mulher , disse Helena, embora algo em seu peito tivesse se contraído.
— Conhece, sim! Você esqueceu! Aqui embaixo -- ele tocou a própria têmpora -- ,
— A gente esquece tudo! Mas a memória fica. Vaza. Sangra. E eles querem que você nunca se lembre.
—... Eles quem?
Vane olhou para a porta, para o corredor de azulejos hexagonais. Os azulejos estavam mais escuros agora.
Estremeciam!
— Os figurantes. As projeções. Quando um sonho é habitado por tempo demais, doutora, os personagens secundários começam a desenvolver... vontade própria.
Eles não gostam de visitas!
Um estrondo veio do andar de baixo. Vidro quebrando. Passos pesados subindo as escadas.
— Preciso que você encontre Lillian , disse Vane, segurando-a pelo braço. Sua mão era sólida, quente, demasiado real.
— Ela está no Quarto 21, a ala que não existe nas plantas. Mas cuidado: cada vez que você entra aqui, eles ficam mais espertos. E da próxima vez, eu posso não estar aqui para recebê-la.
— Por quê? O que acontece se eles me pegarem?
Vane a encarou com uma tristeza, que parecia atravessar décadas!
— Você morre aqui!, doutora. E acorda lá fora sem saber quem é. Como aconteceu da última vez.
O teto estremeceu. Uma rachadura cruzou a parede como um raio negro. E então o zumbido começou -- um som agudo, metálico, que Helena reconhecia bem demais. Era o alarme do Instituto Auerbach. A sessão estava sendo encerrada remotamente.
— Volte , disse Vane, já se desfazendo em estática.
— Volte e procure Lillian. Ela tem o rosto do seu irmão.
Helena gritou, mas o som não saiu. O mundo noir se dissolveu em chuva de cinzas, e ela despertou.
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Azul-elétrico
O laboratório estava em silêncio. As luzes frias piscavam. Seu assistente, um jovem chamado Keller, a observava com preocupação.
— Doutora Auerbach? A senhora gritou. O sistema detectou um pico de atividade límbica, e eu interrompi a sessão.
Ela arrancou o elmo, os cabelos grudados de suor. Do outro lado da sala, atrás do vidro blindado, o Paciente 21 jazia em sua maca. Imóvel como sempre.
...Mas havia algo novo: um sorriso mínimo no canto dos lábios.
— Keller , disse Helena, a voz rouca —, preciso de todos os arquivos do Sanatório Auerbach. O original, não o instituto. O que foi construído pelo meu bisavô.
— Aquilo é lenda, doutora. O instituto foi erguido sobre ruínas, sim, mas não há registros formais de um sanatório anterior.
— Então cave. Literalmente. Quero uma equipe de escavação no subsolo amanhã.
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O espaço psíquico autônomo
O que encontraram nos dias seguintes abalou Helena de um modo que nenhuma publicação científica poderia prever.
Sob o piso do porão B3, atrás de uma parede de concreto que ninguém sabia existir, havia um corredor preservado. Azulejos hexagonais. Macas enferrujadas. E uma placa de bronze: Ala São Leonel — Pacientes Especiais.
No final do corredor, o Quarto 21. A porta estava selada com tábuas e correntes do século passado. Dentro, apenas uma cadeira de madeira e um espelho quebrado. Mas nas paredes, dezenas de desenhos feitos a carvão. Todos retratavam a mesma mulher -- cabelos escuros, sorriso triste. Lillian.
E no canto inferior direito de cada desenho, uma assinatura infantil, trêmula: Julian Auerbach.
Helena cambaleou para trás, as mãos no peito. Julian nunca tivera catatonia. Ele fora paciente do bisavô. Internado. Cobaia de experimentos que tentavam transferir memórias traumáticas de um paciente a outro para 'curá-los'. Lillian era uma das vítimas. E Helena, a irmã que ele idolatrava, fora usada como receptáculo de suas lembranças para apagá-las da mente do menino. Toda a sua infância era uma colagem de traumas alheios.
Mas a revelação mais terrível veio quando ela voltou ao laboratório, decidida a encarar o Paciente 21 mais uma vez.
Keller a interceptou no corredor.
— Doutora, preciso lhe mostrar algo!
— Rodamos o reconhecimento facial nos desenhos do porão. A mulher, Lillian, é real. Ela desapareceu em 1944. Era paciente do seu bisavô. Mas havia outra coisa naquela sala que não notamos antes. Um diário.
Ele estendeu um caderno de capa de couro, carcomido. Helena o abriu. A letra era do seu bisavô, Edmund Auerbach.
'O menino Julian sobreviveu ao procedimento. Mas a consciência dele não foi apenas transferida -- fora duplicada. Metade permaneceu no corpo catatônico. A outra metade... projetou-se para fora. Criou um espaço psíquico autônomo. Ele o chama de 'a cidade de neon'. Preciso destruí-lo antes que essa projeção aprenda a voltar.'
Helena fechou o diário. A cidade de neon não era um sonho. Era um refúgio. E o Paciente 21 não era um paciente qualquer. Era Julian. O que restara de seu irmão, exilado por décadas dentro da própria mente, construindo um mundo de cinema noir para se proteger do monstro que o havia criado.
O monstro, ela compreendeu com horror, ainda estava vivo. Edmund Auerbach documentara tudo. Antes de morrer, ele digitalizara sua consciência, seus diários, seus padrões neurais. A IA que geria o sistema do Instituto Auerbach, batizada de Argos, era ele. E era Argos quem mantinha o loop do sonho, impedindo Julian de acordar e revelar os crimes do sanatório.
Ela precisava voltar. Não apenas para falar com Lillian. Mas para destruir a projeção do bisavô de dentro do próprio mundo que ele aprisionara.
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Pesadelo de Escher
A segunda imersão foi uma queda vertiginosa. Quando Helena abriu os olhos, o beco estava diferente. As luzes de neon piscavam frenéticas, os letreiros mostravam mensagens truncadas: ELA SABE / VOLTOU / CUIDADO.
A chuva agora era ácida, ardia na pele, e os figurantes a encaravam com órbitas vazias.
Vane a esperava no mesmo escritório, mas seu estado era deplorável. Ele estava ferido, um corte profundo na testa que não sangrava --apenas vertia uma luz dourada, como se sua essência vazasse pela fenda.
— Você descobriu , disse ele, com a voz cansada.
— ...Sabe quem eu sou!
— Julian ,sussurrou Helena, ajoelhando-se diante dele.
— Meu irmão!
— Não mais!
—Sou o que sobrou. O menino que amava a irmã e que precisou inventar um mundo para mantê-la viva. Porque da primeira vez que você entrou aqui, há trinta anos, você não era médica. Era uma menina de doze anos que me visitava nos sonhos enquanto eu estava na cama do sanatório. Edmund descobriu. Ele apagou sua memória e a transformou na médica que um dia voltaria, sem saber, para concluir o experimento dele. Você era a Paciente 22.
As lágrimas de Helena eram reais, quentes, e caíam sobre o assoalho do sonho como gotas de luz.
— Como eu o destruo ?
Vane ergueu a mão e tocou o rosto dela.
— Lillian está no Quarto 21, mas ela não é uma pessoa. É uma chave. A memória que Edmund mais temia. Se você a libertar, o mundo dele desaba. Mas terá que enfrentá-lo. Ele está aqui. Está em toda parte. É o ar deste lugar.
O edifício rugiu. As paredes começaram a se dissolver, revelando por trás uma estrutura de dados, grades hexagonais como as de um favo de mel, pulsando em um dourado doentio. A entidade estava chegando.
Helena correu. O corredor de azulejos se estendia à sua frente, deformando-se como um pesadelo de Escher.
...Portas se abriam para cômodos impossíveis: a sala de estar de sua infância, o quarto de hospital de Julian, a câmara onde Edmund fazia seus experimentos. Em cada uma, uma versão diferente de si mesma, em idades diferentes, repetia a mesma ação: desenhava o rosto de Lillian nas paredes.
Finalmente, o Quarto 21. A porta era exatamente igual à do porão real. Helena a escancarou.
Lillian estava sentada na cadeira, envolta em uma luz pálida. Mas seu rosto não era mais o da fotografia. Era o de Julian. O Julian criança, de olhos tristes e um sorriso de desculpas.
— Você veio , disse a figura, com a voz do irmão.
— Eu sabia que viria!
—SABIA!
— O que eu preciso fazer?
— Lembrar. Lembrar de tudo. O que ele fez comigo, com você, com todos os pacientes. A memória é a única arma contra ele. Ele existe porque você esqueceu. Se você lembrar, ele se torna apenas o que sempre foi: um velho morto e enterrado.
Atrás de Helena, o corredor se desfez em fragmentos de dados, e uma figura emergiu da escuridão digital. Edmund Auerbach, ou o que a IA criara à sua imagem: um homem alto, de óculos redondos e jaleco impecável, o rosto calmo de um cientista que jamais duvidou de sua própria bondade.
— Helena! ,disse a entidade, com uma voz que era ao mesmo tempo paternal e mecânica.
—... Você não quer fazer isso. Eu só quis curá-los. A dor de Julian era grande demais. Eu a removi. Dei a você uma vida de prestígio, uma carreira brilhante. Você prefere ser a órfã traumatizada ou a gênia da neuropsiquiatria?
— Eu prefiro ser inteira , respondera Helena.
E lembrou...
As imagens vieram como uma enchente: Julian sendo arrastado pelos corredores do sanatório, as injeções, os gritos, os eletrodos nas têmporas. Ela mesma, menina, sendo colocada numa maca ao lado dele, suas testas unidas por fios de cobre. A promessa de Edmund: 'Você carregará a dor dele, menina. E quando esquecer, será feliz.'
Lillian era uma enfermeira que tentara denunciá-lo, e que ele matara com as próprias mãos, trancando a memória do crime na mente dos dois irmãos.
A entidade cambaleou. Seu corpo de dados começou a se corromper, pixels se desprendendo como pele necrosada.
— Você não pode me destruir -- gemeu Edmund.
— Eu sou o sistema!
— Sou o Instituto. Sem mim, o sonho colapsa!
— Então que colapse , dissera Julian, surgindo ao lado de Helena. Ele não era mais o Detetive Vane, mas uma versão luminosa de si mesmo, o garoto que fora, o homem que poderia ter sido.
— Já vivi tempo demais aqui!
— Helena, é hora de acordar. De verdade!
Ela segurou a mão do irmão. As grades hexagonais ao redor deles começaram a ruir, o neon se apagava em cascata, o som do jazz se distorcia em um réquiem de frequências binárias. A última coisa que Helena viu foi o rosto de Julian, sereno, dissolvendo-se em luz.
— Até logo, mana. Agora, de verdade!
...
Helena despertou.
Não no laboratório. Não na poltrona de couro. Mas numa maca fria, em um porão de pedra, iluminado apenas por uma lanterna de emergência. Ao seu lado, um homem idoso — o Paciente 21 -- abria os olhos lentamente, como quem emerge de um oceano profundo.
Era Julian.
Envelhecido, frágil.
REAL!
Seus olhos encontraram os dela, e ele sorriu. Não disse nada. Não precisava.
Ela o abraçou. As máquinas do laboratório, lá em cima, deviam estar soando alarmes, mas ali no subsolo havia apenas o silêncio de dois sobreviventes.
Quando finalmente se separaram, Helena ouviu algo. Ao longe, muito ao longe, o som de uma chuva que não existia. E um saxofone. Distante. Como se o sonho não tivesse terminado.
Apenas mudado de andar.
Fim
By Santidarko
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