●Falcoeiros do Cosmo Alado (*AEspúria dos Prodígios Álgidos)
'Onde a centelha divina nasce morta, nós sopramos a brasa.'
■Natureza
Cinzentos!
...Não servem à luz nem às trevas, mas ao fenômeno. São estudiosos do milagre acidental, do prodígio que não deveria existir. Acreditam que a magia verdadeira é sempre um erro - uma fenda no tecido da realidade --e que todo mago é, por definição, uma anomalia.
Abraçam o fracasso como método e o acaso como mestre. Sua magia é instável, muitas vezes inútil, ocasionalmente devastadora.
■Origem
Fundada nos escombros de uma catedral que ruiu, não por guerra ou terremoto, mas porque um noviço levantara uma questão primordial durante 'uma bênção ',e desencadeou uma reação em cadeia teológica.
Os estudantes Magiciais interpretaram o evento não como castigo, mas como revelação: a fagulha do absurdo é mais honesta que a prece ensaiada.
■Doutrina
O Prodígio Ínfero:
Toda magia nasce de uma liberdade gestual do livre- árbitrio da' Criação'.
O Gesto Espúrio: O mago não conjura, ele nasce pra magia.
O Álgido Toque: A verdadeira centelha é fria, não flamejante. O calor engana; o frio revela.
■Ritual de Iniciação
O neófito é trancado em uma cela de gelo com um objeto banal (um pente, uma colher, um botão). Deve produzir um milagre com ele. A maioria congela tentando. Os que sobrevivem saem com o objeto transformado em algo inútil e sublime -- um pente que desenha mapas de lugares inexistentes, uma colher que serve o gosto da última refeição de um morto, um botão que fecha feridas abertas há séculos. A ordem celebra o resultado, mesmo que o neófito morra no processo. A morte por congelamento é considerada um prodígio álgido em si.
Símbolo
Uma chama invertida, com a ponta para baixo, aprisionada dentro de um cubo de gelo perfeitamente transparente.
Relação com as outras ordens
Desprezam os Oniromantes por considerá-los 'sonhadores passivos'. Respeitam os Geômetras Magiciais como 'engenheiros do óbvio', mas invejam secretamente sua estabilidade.
------------------------
●O Ordo dos Oniromantes
'Não sonhamos o sonho. O sonho nos sonha. ...E estamos acordados!'.
■Natureza
Cinzentos!
...Caminham na fronteira entre o sonho e a vigília, e já não sabem qual dos dois é o real. Para eles, o mundo físico é o verdadeiro pesadelo -- rígido, causal, implacável. O sonho é a única realidade maleável, e portanto, a única digna de ser habitada.
Usam a magia para despertar o que está dormindo, seja uma verdade, um trauma, uma criatura ou um deus.
■Origem
Nasceram do primeiro bocejo de um deus entediado,segundo eles!
...Conta-se ,que uma divindade menor, entediada com a Criação, fechou os olhos por um instante e sonhou com um mago que sonhava com ela. Quando despertou, o mago ainda estava lá, sentado aos pés de seu trono, sorrindo. 'Não sou seu sonho', dissera o mago. 'Você é o meu.'
A divindade desapareceu no mesmo instante. O mago fundou a ordem no local onde o trono se desfez em pó.
■Doutrina
A Vigília Cega: O mundo acordado é uma ilusão consensual.
O Sonho Lúcido: O mago deve aprender a manipular o sonho sem acordá-lo.
O Despertar Último: Algo colossal dorme no centro de todas as coisas. Quando despertar, a realidade cessará. O objetivo não é evitá-lo, mas estar presente quando acontecer.
■Ritual de Iniciação
O neófito é submetido ao Tormento Hipnagógico: ingere um elixir de papoula negra e raiz de Laringe-Túmulo destilada em lágrimas de insone. Permanece 72 horas no limiar entre o sono e a vigília, acorrentado a uma cadeira de ferro diante de um espelho coberto por um véu.
...Na última hora, o véu é retirado. O neófito deve ver seu próprio reflexo e reconhecê-lo como um sonhador que sonha ser ele. Se rir, está apto. Se gritar, desperta sem memória do que viu. Se chorar, torna-se um Sonâmbulo Eterno, servo silencioso da ordem, que nunca mais acorda completamente.
■Símbolo
Um olho fechado com um único cílio caído, pousado sobre uma almofada de veludo negro. O cílio é a pálpebra do sonho que cedeu.
Relação com as outras ordens
Consideram os Espúrios 'irmãos mais novos e barulhentos'-- também lidam com o acaso, mas não entendem a elegância do silêncio. Veem os Geômetras com uma ponta de piedade: 'Medem o que não existe com réguas que não existem. São os mais sonhadores de todos, e não sabem.'
-------------------------
●Geômetras Magiciais(*Os bons e Justos)
'O universo é um teorema. A magia, sua demonstração. Nós, os matemáticos do invisível.'
■Natureza
Benignos!
...São a única ordem que acredita em uma arquitetura moral do cosmo. Para eles, a realidade é um edifício geométrico perfeito, e a magia é a ciência de compreender suas proporções, ângulos e fundamentos. Não conjuram: calculam!
... Não imploram a deuses: resolvem equações. Defendem os reinos mortais porque entendem que a ordem é frágil, e que o caos é um erro de arredondamento que pode se propagar.
■Origem
No princípio, havia um arquiteto primordial que desenhou o cosmo .
Ao terminar, percebeu que sobrara um único ponto fora da curva: a imperfeição necessária para que a perfeição existisse.
...Esse ponto era a liberdade!
Incapaz de apagá-lo sem destruir a obra, o arquiteto o escondeu no coração dos mortais. Os Geômetras Magiciais juram proteger esse ponto, pois ele é a prova de que o universo tem sentido -- e de que esse sentido pode ser medido.
■Doutrina
O Axioma Áureo: Toda magia segue leis. Compreender a lei é dominar a magia.
A Simetria Restauradora: O mal é uma assimetria. O bem é o equilíbrio.
O Ponto de Fuga: Há um lugar para onde todas as linhas convergem. Chamam-lhe 'A Equação Final'. Quem a resolver, compreenderá a mente do Arquiteto.
■Ritual de Iniciação
O neófito recebe um compasso de prata, um pedaço de giz e uma lousa vazia.
...É conduzido a uma sala esférica chamada O Problema, onde as paredes são cobertas de teoremas irresolvidos, inscritos por gerações de Geômetras. Deve desenhar na lousa uma figura geométrica que represente sua alma.
... Enquanto desenha, as paredes da sala se movem, distorcendo os teoremas, tentando confundi-lo. Se a figura final for simétrica, o neófito é aceito. Se for assimétrica, é convidado a tentar novamente.
...Muitos passam décadas na sala.!
Alguns nunca saem. Dizem que os melhores Geômetras são aqueles que desenharam um círculo imperfeito e tiveram a coragem de chamá-lo de 'esfera'.
Símbolo
Um compasso de prata cujas pontas estão unidas por um fio de luz dourada, formando um triângulo com um olho no centro. Não é um olho que vigia, mas um olho que calcula.
Relação com as outras ordens
Respeitam a Espúria dos Prodígios Álgidos como 'colegas que ainda não descobriram o método científico'.
... Tentam, sem sucesso, convencê-los de que o acaso é apenas uma variável não identificada. Quanto aos Oniromantes, a relação é complexa: admiram sua sensibilidade para o abstrato, mas consideram perigosa sua recusa em distinguir sonho de realidade. 'Não se mede um pesadelo com um compasso',dizem.
...'Mas talvez se devesse!'.
---------------------------------
Algumas plantas para Sortilégios e Poções
●Anatomia e Carne Vegetal
1. Raiz-Feto — porque se enrola como uma criança por nascer, mas de costas para o mundo.
2. Útero Pardo — sua cavidade central é oca e morna, como um ventre que gerou apenas silêncio.
3. Hécate Umbilical — o caule que a prende ao solo é um cordão pálido que pulsa à noite.
4. Carne-Radícula — carne e raiz num só organismo, indistinguíveis.
5. Gêmea Enterrada — cresce aos pares, uma sempre sufocando a outra sob a terra.
6. Crisálida de Terra — sua forma sugere algo pronto para eclodir, mas que jamais eclode.
●Som, Grito e Silêncio
1. Guinchadora — nome direto e brutal, evocando o som que dilacera tímpanos.
2. Boca-de-Cal — seu grito sabe a cal virgem, e os lábios da raiz são esbranquiçados.
3. Cantora de Vala — entoa melodias que só os mortos recentes conseguem ouvir.
4. Sussurro Pardo — as folhas farfalham segredos que enlouquecem quem as decifra.
5. Laringe-Túmulo — quando arrancada, o som que emite é o último suspiro de alguém sepultado vivo.
6. Afônica — ironia macabra: a planta que grita chama-se "a que não tem voz".
●Sono, Torpor e Morte
1. Dormência Negra — sua seiva induz um sono tão profundo ,que o coração esquece de bater.
2. Papoula de Sepultura — cresce exclusivamente sobre covas recentes, alimentando-se do último calor.
3. Hálito de Torpor — exala um vapor invisível que adormece pequenos animais ao redor.
4. Sonífera Maldita — o nome já é uma advertência: quem a usa, sonha com quem não devia.
5. Raiz-Letárgica — o toque prolongado causa uma apatia da qual ninguém retorna por vontade própria.
6. Anestesia Bruta — usada por boticários sem escrúpulos e algozes piedosos.
●Ocultismo e Pacto
1. Assinatura de Baixo — as bifurcações da raiz formam uma assinatura ilegível, que dizem ser o nome do Diabo em caligrafia vegetal.
2. Penhor Negro — plantada como garantia de pactos; se o pacto for quebrado, ela grita por sete noites.
3. Confessora — quem a desenterra é forçado a confessar seu pior segredo em voz alta antes de morrer.
4. Caução de Sangue — regada apenas com sangue menstrual ou de ferida de batalha; sem isso, murcha e amaldiçoa o jardineiro.
5. Testemunha Oca — plantada em encruzilhadas para selar juramentos; dizem que absorve a alma de quem mente.
6. Raiz de Judas — cresce retorcida como um enforcado; a lenda diz que brotou da saliva de Judas ao beijar Cristo.
●Poético, Fúnebre e Litúrgico
1. Lágrima de Gólem — a seiva que escorre quando cortada é salgada e cinzenta, como o choro de uma criatura de barro.
2. Réquiem Vegetal — seu ciclo de vida é uma liturgia: nasce, grita, mata e morre em silêncio.
3. Eucaristia de Terra — os iniciados de certas ordens comungam de sua raiz ralada para vislumbrar o submundo.
4. Planta-Psalmódia — as folhas, quando queimadas, liberam uma fumaça que entoa salmos em uma língua morta.
5. Véspera Eterna — quem ingere sua essência vive em um crepúsculo perpétuo, nem dia nem noite, até o fim.
6. Extrema-Unção — a última planta que cresce sobre o peito de um cadáver; usada para ungir moribundos e acelerar a passagem.
-------------
Alguns integrantes
Solidão Lívida — Espúria dos Prodígios Álgidos
1.Nótulo
2. Umbra
3. Lívio
---------------------------
Ordo dos Oniromantes
1. Onérico
2. Somnia Véu-Alva
3. Létarggo
---------------------
Esquadria Primordial — Geômetras Magiciais
1.Véspera
2. Ossian
3. Lúnula
-------------------------
O que tem na cidade de Hipnagógica?
●Cordilheiras de pensamentos não pensados: montanhas que mudam de forma conforme o contemplador tenta descrevê-las, feitas de matéria que é metade pedra, metade ideia.
●Oceanos de tinta branca: mares quase imóveis cuja superfície reflete não o céu.
●Arquipélagos do Talvez: ilhas flutuantes onde habitam as possibilidades que nunca se concretizaram: o filho que não nasceu, a viagem que não se fez, o beijo que ficou suspenso a um centímetro dos lábios.
●O Sol Negro do Sono: um astro apagado que emite uma luz escura, visível apenas com os olhos da mente. É ele que governa esse horizonte, puxando tudo para o centro com uma gravidade suave e inevitável.
By Santidarko
Personagens by Santidarko
Nenhum comentário:
Postar um comentário