quarta-feira, 24 de junho de 2026

Girassombras,Mel Cripta , Melancoisa e Bombom de Bílis(*Assombrações de Cosmo Cárcere)

Girassombras

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Mel Cripta


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Melancoisa


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Bombom de Bílis 



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As. Assombrações de Cosmo Cárcere 

Cosmo Cárcere não é uma cidade no mapa!
...É uma dobra entre o porão e o sonho, um lugar que cabe inteiro dentro de uma caixa de música quebrada. 

Suas ruas são corredores de carpete empoeirado. Seus postes são candelabros que nunca terminam de derreter. 
...Lá, o relógio da praça central marca sempre o mesmo minuto -- aquele minuto longo da infância em que a casa estava escura e você ouvia passos no andar de cima, e tinha pressa para fugir!

Quatro criaturas zelam por Cosmo Cárcere. São assustadoras, sim!
...Mas são bondosas!

Do tipo que assombram para fazer companhia.

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Girassombras

Ele vive no Campo Eterno, nos limites da cidade, onde os girassóis não buscam o sol -- eles buscam o escuro. Girassombras é alto e se move como uma haste quebrada que aprendeu a dançar. Seu rosto é um disco de pétalas secas que se abrem e fecham conforme ele respira, revelando um centro que pulsa como terra molhada.

Dizem que ele segue as crianças perdidas, mas só para guiá-las de volta. O problema é que Girassombras não sabe falar -- ele só estala os dedos de raiz e aponta.

... Às vezes aponta para o caminho certo. 

...Às vezes aponta para um lugar mais bonito, mas mais distante. Ele quer agradar. 

..Ele sempre quer agradar!

Quando alguém chora no Campo Eterno, ele se curva inteiro e deixa que a criança arranque uma de suas pétalas. A pétala, esfregada entre os dedos, cheira a chocolate e terra de chuva. No dia seguinte, uma nova pétala nasce no rosto dele,.

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Mel  Cripta

Mel Cripta mora nas colmeias mortas do bairro dos Favos. Ela é feita de cera antiga e anda deixando pegadas pegajosas pelos rodapés. Seu corpo é um favo de mel virado do avesso -- os alvéolos expostos, alguns vazios, outros lacrados com âmbar.
 
...De dentro dela sai um zumbido abafado, como uma abelha presa num vidro de geleia... esquecido no fundo da despensa.

Ela fala cantando. Sua voz é um sussurro estalado, cheio de estalinhos de cera.
 O que ela mais gosta é de guardar coisas. 
Ela recolhe dentes de leite, cartas não enviadas, promessas esquecidas e os lacra os alvéolos de seu corpo. Diz que é para preservar.

... Diz que tudo merece ser guardado do tempo.

Às vezes, quando uma pessoa está muito triste, Mel Cripta se aproxima e deposita na mão dela um desses pequenos tesouros lacrados. Um dente de leite que não é seu, mas que carrega a memória de uma mordida feliz. Uma carta que você nunca leu, mas que diz exatamente o que você precisava ouvir. Ela não cobra nada. Só pede que você não a lamba, porque ela faz cócegas.

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Melancoisa

... Ele se aninha nos cantos mais escuros dos quartos, atrás das cortinas, dentro dos armários entreabertos,---e espera! Não por maldade -- por timidez.



Ele nunca fala. Sua comunicação é inteira tátil: um peso que acalma, uma textura que lembra algo remendado e gasto, um calor que não queima. Melancoisa é melancólico porque sente tudo o que os outros sentem --e ela abraça isso. Literalmente. Ela abraça a tristeza até que ela durma.

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Bombom de Bílis

Bombom de Bílis é a mais elegante das assombrações. Ela usa um vestido de papel de bombom roxo e uma capa de celofane que estala quando ela caminha. Sua pele tem a textura de chocolate meio derretido e resfriado novamente -- lisa, mas com pequenas rachaduras. De seus olhos ocos escorrem fios dourados que brilham como bile açucarada. Ela sorri sempre -- um sorriso largo demais, com dentes quadrados de chocolate branco.

Ela comanda a Confeitaria do Desconsolo, um casarão torto cuja chaminé solta fumaça com cheiro de baunilha e algo levemente azedo. Nas vitrines, bombons recheados com memórias amargas: o dia em que o bicho de estimação fugiu, a última colher de remédio, a despedida na estação. 

Cada bombom carrega uma pequena tristeza -- mas embrulhada em chocolate tão bom que a tristeza fica gostosa de engolir.

Bombom de Bílis é bondosa à sua maneira! Ela acredita que as crianças devem aprender cedo que o doce e o amargo andam juntos. Por isso, quando alguém morde um de seus bombons e sente a bile escorrer, ela se aproxima, enxuga a boca da pessoa com um lenço de celofane e diz, com voz de papel amassado:

'Doeu um pouquinho? Que bom. Agora você já pode comer o próximo.'

E o próximo é sempre, sempre delicioso.

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A regra de Cosmo Cácere

As quatro assombrações têm uma regra entre si: não se assombra por crueldade. Assombra-se por ofício, por arte e por cuidado. Elas são as guardiãs do que é frágil, do que range, do que estala no escuro. 

Elas não machucam --só lembram que o medo também pode ser um cobertor, se a gente souber se enrolar nele.

Quando alguém encontra Cosmo Cárcere pela primeira vez, Girassombras aponta o caminho. Mel Cripta oferece um dente de leite para dar sorte. Melancoisa se enrosca nos tornozelos como um gato pesado.

... E Bombom de Bílis estende sua caixa de bombons.

'Escolha um', diz ela. 'Mas escolha com coragem. Os mais amargos são os que mais ensinam a gostar.'

E a criança -- ou o adulto que ainda lembra como se perder -- morde o doce amargo e sorri. Porque em Cosmo Cárcere, o escuro nunca apaga a ternura.

.. .Só a deixa mais nítida!


By Santidarko 

Personagens by Santidarko 




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