Introdução a CÁRNEO(* Dorian Morbanno) e ao Rancúlmine
Antes de ser o justiceiro que caminha entre as sombras, ele era apenas um homem quebrado!
Um soldado que viu sua família ser consumida pelo fogo cruzado de uma guerra urbana que não era a sua.
No momento da morte -- seu corpo estendido sobre o asfalto molhado, o peito aberto por estilhaços -- ele não clamou a Deus.
Ele clamou por vingança.
...E algo nas profundezas respondeu!
...Não era um demônio!
Era algo mais antigo e mais trágico: um anjo caído, exilado do Paraíso,não por rebelião, mas por se recusar a brandir a espada contra seus irmãos. Um ser que compreendia a dor da injustiça e o peso da desobediência justa.
Esse anjo, cansado de observar o sofrimento dos inocentes, arrancou sua penúltima de sua asa -- uma pena que carregava os últimos resquício de sua graça celestial, corrompida pela queda, mas ainda poderosa!
Ele a entregou a Cárneo ...com um pacto silencioso. Não exigiu sua alma, não pediu adoração. O preço foi outro.
Cárneo confeccionou um medalhão e pôs a pena dentro desse medalhão, que carrega em seu peito.
O anjo caído, Gratiaal ,não quer almas!
...Ele quer memória!
Em troca da pena, Cárneo carrega o peso de jamais ser lembrado como herói, jamais ter seu nome escrito em luz, jamais encontrar paz na morte. Cada vida que salva, cada inocente que protege, cada culpado que pune -- tudo será atribuído ao acaso, ao medo, à lenda urbana.
Cárneo é um espectro que caminha sem glória, um salvador anônimo !
O anjo caído, por sua vez, deseja que suas próprias memórias do Paraíso -- as cores, os sons, a luz -- sejam preservadas dentro da consciência de Cárneo.
...Assim, enquanto Cárneo vive, o anjo não esquece o que perdeu. E Cárneo, ao carregar essas visões celestiais que jamais poderá alcançar, sofre a cada noite com sonhos de um céu que o rejeita. É o preço da pena: lembrar o divino para sempre, mas jamais tocá-lo.
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Rancúlmine : O traje de Carne
Sob o sobretudo negro de kevlar, Cárneo(*Dorian Morbanno) veste Rancúlmine -- um organismo simbionte que é ao mesmo tempo armadura, músculo e confissão.
Ele não veste o traje; o traje o habita!
Quando o medalhão com a pena do anjo caído toca seu peito, a graça corrompida desperta Rancúlmine. O tecido emerge dos poros como uma segunda epiderme: vermelho escuro, textura de fibras musculares estriadas, úmido como carne recém-exposta. Em repouso, parece um uniforme tático de combate justo ao corpo, com placas orgânicas que imitam blindagem balística -- mas que pulsam, respiram, reagem.
Quando ferido, Rancúlmine se regenera diante dos olhos. As fibras se retorcem, buscam umas às outras como vermes famintos, costuram-se sozinhas!
Se Cárneo cai de grandes alturas, o traje absorve o impacto expandindo-se em uma rede de tendões que dissipam a energia cinética. Se recebe disparos, os filamentos endurecem instantaneamente em placas ósseas.
Mas o preço é constante: Rancúlmine se alimenta do rancor de Cárneo. Cada injustiça que ele testemunha, cada culpado que escapa, cada memória do céu que ele carrega -- tudo vira combustível. O traje não o deixa esquecer. Ele mantém Cárneo em estado perpétuo de indignação controlada, uma fúria fria que o torna implacável, mas jamais irracional.
As Tendrilhas de Sístole
Das mangas de Rancúlmine, sob o casaco, emergem os microfilamentos braçais -- tentáculos finos como fios de cobre, mas resistentes como aço.
Eles se movem com vontade semiautônoma, reagindo ao instinto de combate de Cárneo antes mesmo que ele ordene.
Quando um inimigo se aproxima pelas costas, os filamentos se eriçam como pêlos de animal acuado. Quando Cárneo precisa escalar, eles se projetam contra superfícies e criam âncoras microscópicas. Em combate corpo a corpo, chicoteiam o ar, desarmam adversários, estrangulam, perfuram.
Eles são a extensão física do rancor que Cárneo carrega -- visíveis, palpáveis, letais.
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A cidade de Vergasta
Vergasta nunca fora uma cidade para os puros. .
...Sob catedrais de fuligem e vitrais manchados de pecado, ergue-se uma metrópole gótica-industrial onde a luz não se compra -- aluga-se em prestações de culpa!
... Dizem que até os anjos pagam para entrar, mas ajoelham-se antes de cruzar os portões.
Porque Vergasta não é apenas corrupta: é Ajoelhada. Curvou-se por vontade própria ao crime, e no seu coração gangrenado dois clãs disputam o direito de podridão.
O primeiro, conhecido como Clã do Sarcófago, entoam obediência ao' Salmista de Sangue'.
Não matam somente por dinheiro -- matam por versículo. Cada execução é um salmo entoado, cada cadáver uma estrofe numa liturgia macabra que só eles compreendem. Vestem-se com estolas de pele humana e entoam ladainhas enquanto cometem crime.
...Para os Sarcófagos, o crime é sacramento!
Abaixo deles, rasteja o Linho Mortuário ; escória devota que serve o clã...como cães famintos!
Devem devoção ao 'Máscara de Ossos';
Um louco com máscara de caveira esculpida com ossos .
Acredita-que ele era um juiz ou empresário antes de assumir ' o seu trono'.
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Malena Vundo, a Auditriz
O que fazia antes?
Malena Vundo era uma física teórica especializada em acústica quântica -- o estudo de como o som se comporta em estados anómalos da matéria. Trabalhava para a Universidade de Vergasta (setor de Indústria Bélica) até perceber que as suas pesquisas sobre frequências de anulação estavam a ser desviadas para uso desconhecido.
Pediu transferência para o Ministério Público como perita forense. Tornou-se promotora -- oficialmente, para combater o crime com provas científicas.
... Mas a verdade é outra!
Por que a Promotoria? (A mentira da justiça)
Malena Vundo nunca quis ser promotora por vocação. Ela veste a toga como quem veste uma Máscara :para se camuflar entre os inimigos do seu verdadeiro alvo.
A sua estratégia é simples e monstruosa:
Quanto mais implacável parece contra o crime, mais perto chega de Cárneo.
Ela constrói uma reputação férrea.
...Acusa bandidos com provas irrefutáveis.
Ganha manchetes como 'A Auditriz '--a promotora que ouve o que ninguém ouve!
Torna-se a cara da justiça em Vergasta. Mas cada processo que move contra capangas menores do Linho Mortuário serve um único propósito: forçar Cárneo a notá-la.
Ela quer que ele a veja nos tribunais.
...Quer que ele leia as suas alegações finais como quem lê cartas de amor codificadas em linguagem jurídica.
Quer que ele perceba que ela não está apenas a destruir o crime -- está a podá-lo, removendo ervas daninhas para que 'a flor negra' do Salmista de Sangue floresça menos ainda!
Ela mente ser justa ...porque a justiça é a única linguagem que Cárneo respeita.
Ele não se impressionaria com uma groupie.
...NO COMEÇO!
...Mas uma ajudante ...brilhante?
Malena quer ser a única voz que ele não consegue silenciar -- e, para isso, precisa de chegar o mais perto possível.
A promotoria lhe dá acesso aos autos, às provas, aos interrogatórios, aos corpos.
...É a posição mais íntima que se pode ter com um criminoso sem lhe tocar.
Como se ganha poderes além do dinheiro?
Ela quer, uma única resposta :como se ganha poderes além do dinheiro?
Como Cárneo tem poderes?
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By Santidarko
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