Mais do que um Mágico!
Seus poderes são, de fato, aparentemente ilimitados. E é justamente isso que o torna cinzento, melancólico e, no fundo, assustadoramente vazio!
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A Natureza dos Poderes Ilimitados
...Merlyn Myst não conjura,simplesmente!
Ele descobriu que a realidade é feita de camadas sobrepostas --como folhas de papel velho coladas umas às outras.
Cada objeto, cada parede, cada distância é apenas uma dobra que o tempo e o esquecimento selaram. Ele não precisa de varinhas mágicas ou fórmulas; basta que ele toque em algo, com sua bengala, e pergunte a ele o que veio antes. E a coisa sempre responde.
'Uma parede já foi porta. Uma pedra já foi pó. Uma distância já foi um passo. Uma vida já foi um suspiro'
Ele apenas recorda a realidade de seu estado original. E, ao recordá-la, a realidade obedece!
Para atravessar uma parede, ele não a quebra; ele a convence a se lembrar de quando era ar. Para se teletransportar, ele não corta o espaço; ele convence dois pontos a se lembrarem de quando eram um só.
... Para criar monstros, ele não fabrica carne; ele convence um objeto a se lembrar da emoção que o habitou -- e a emoção ganha forma, músculo e fome.
O Paradoxo do Ilimitado
...Se seus poderes são ilimitados, por que ele é um andarilho triste? Por que não reina? Por que não destrói cidades ou ressuscita impérios?
Porque o mesmo toque que abre portas apaga o próprio Merlyn Myst.
Hoje, ele já não sabe o nome da rua onde nasceu.
Amanhã, talvez esqueça o motivo de sua busca!
Cinzento Porque Está no Limite
Merlyn Myst é cinzento porque está entre duas verdades:
Ele poderia, com um único toque, abrir um portal para qualquer lugar.
Poderia criar exércitos de sombras.
Poderia rasgar o véu entre os vivos e os mortos. Mas cada ato o torna menos real.
Ele não é um herói que se sacrifica pelos outros -- 'ele é um homem' que se sacrifica...porque já não tem mais nada a perder!
A melancolia de Merlyn Myst não vem da falta de poder.
...Vem do excesso.!
Do saber que, se usar tudo o que tem, sobrará apenas a névoa -- e a névoa não tem rosto, não tem nome, não tem história.
O Segredo do Cinzento
A verdade que poucos sabem -- e que Merlyn Myst talvez já tenha esquecido -- é que ele já usou todo o seu poder uma vez.
Em um momento de desespero, abriu uma fenda na realidade para salvar alguém (ou algo) que amava.
O custo foi tão alto que a memória daquele ato foi a primeira a ser apagada. Ele não se lembra do que fez, nem de quem salvou!
Sente apenas um vazio cujo formato se encaixa perfeitamente no contorno de uma pessoa.
Esse vazio é o que o move. Ele não busca mais poder -- busca a memória perdida.
E para recuperá-la, precisa continuar usando seus poderes, que o consomem ainda mais. Um ciclo cruel, uma espiral descendente, uma névoa que nunca se dissipa.
Por que Ele Não é Vilão Nem Herói?
Merlyn Myst não tem ambições de domínio porque já entendeu que o domínio é ilusão!
Nada é sólido; tudo pode ser desfeito com um toque. Para que governar um castelo se ele pode se lembrar de quando o castelo era apenas areia?
Ele também não tem inclinação para salvar o mundo, porque o mundo, para ele, é um palimpsesto -- um manuscrito raspado e reescrito tantas vezes que já não importa o que está escrito.
...Salvar o quê? Salvar quem?
Tudo será esquecido, incluindo ele mesmo!
Ele apenas anda. De cidade em cidade, de objeto em objeto, de fenda em fenda.
Às vezes, ajuda alguém -- mas é por tédio, não por bondade. Às vezes, causa destruição -- mas é por curiosidade, não por maldade!
--Já caminhei por corredores que o tempo esqueceu de construir. Já criei monstros com a ferrugem de um prego!
By Santidarko
Personagem by Santidarko