Ela se chama Astrallyce.
... Desde menina, quando as outras crianças olhavam para as nuvens e viam formas de carneirinhos, ela via apenas uma coisa: Brassbirds.
Aeronaves em formato de pássaro, feitas de latão, cristal e madeira de árvore-nuvem, que cortavam os céus com a elegância de gaviões e a delicadeza de beija-flores. Ela cresceu com o nariz colado no vidro da janela, assistindo os gigantes de metal baterem asas para decolar verticalmente, pairar como libélulas e depois esticar os planadores para riscar o infinito -- exatamente como um avião, 'mas com alma de criatura viva'.
Seu sonho nunca foi apenas voar.
Era entender o batimento das asas de bronze, o zumbido do éter nos cristais, o sussurro do vento entre as penas metálicas.
Aos dezesseis anos, Astrallyce ingressou na Esquadrilha Real dos alavantes alados, a elite dos céus.
Tornou-se uma Alcidada -- piloto de Brassbird -- e por cinco anos defendeu as rotas comerciais, escoltou cidades flutuantes e combateu piratas das nuvens. Mas a esquadrilha era feita de regras, hierarquia, ordens.
...E Astrallyce sentia que o mundo era grande demais para caber numa farda. Queria ver o Arquipélago Vivo, dançar nas Nuvens Âmbar, provar as frutas doces das ilhas-nuvem, ouvir os Monges do Trovão e descobrir o que existia além da corrente de vento que todos chamavam de Rota das Estrelas.
...Então, numa madrugada de nevoeiro denso, ela pintou sua Brassbird pessoal com as cores de um pássaro-sol, batizou-a de Cantadeira, bateu as asas verticais e partiu. Sem autorização, sem destino certo. Apenas com o coração cheio de maravilhamento e um mapa que ela mesma rabiscara nas horas vagas.
Agora, como aventureira, Astrallyce percorre o Reino Fragmentado, um mundo onde ilhas flutuam em diferentes altitudes, oceanos de nuvens sólidas escondem mistérios e figuras fantásticas desfilam paisagens que mais parecem sonhos de um bardo embriagado.
Descubrir que o maior tesouro não está no fim do céu, mas em cada batida de asa da jornada.
O Mundo de Astrallyce
●Brassbirds : Aeronaves com forma de pássaro. Decolam e pousam na vertical, batendo as asas como beija-flores ou helicópteros. Em voo de cruzeiro, suas asas se travam e planam como aviões. Cada Brassbird é única, construída pelo próprio piloto, e carrega um cristal de éter que funciona como coração -- pulsando de acordo com o humor do dono.
●O Firmamento Fragmentado : O mundo não é um globo contínuo, mas milhares de ilhas flutuantes interligadas por pontes de nuvem e correntes de vento navegáveis.
● Ilhas-Nuvem – Nuvens sólidas, pisáveis, onde crescem frutas cítricas de sabor celestial e vivem os Gats, um povo de gatos alados, pequenos, falantes e loucos por objetos brilhantes. Há nuvens coloridas: as Nuvens Âmbar, que brilham à noite com a luz do sol petrificada; e as Nuvens-Trovoada, onde monges silenciosos cultivam raios.
●Cidades Flutuantes : Uma cidade principal é Aerópolis de Nimbus, erguida sobre três nuvens irmãs, famosa por suas termas de vapor estelar. E a esquiva Cidade-Espelho, que só aparece ao entardecer, flutuando sobre um lago de nuvens reflexivas.
●Povos e Criaturas : Os Monges do Trovão, que ensinam a ouvir a música dos ventos. As Madres do Orvalho, colhedoras de gotas de éter que curam metais e corações partidos. Os Senhores das Marés Celestes, seres de plasma e luz que surfam as correntes montados em arraias-voadoras. E piratas do céu, como Barba de Nuvem.
● Maravilhas : A Cascata Invertida, cachoeira que sobe, alimentando jardins suspensos. O Grande Redemoinho de Éter, espiral de vento magnífica de beleza.
●O Tesouro Supremo : O Coração do Firmamento, ou Último Suspiro do Criador, escondido no Olho da Tempestade Eterna, no ponto mais distante da Rota das Estrelas. Reza a lenda que ele permite falar a língua do vento e refazer o mundo… ou despedaçá-lo.
O Mundo Abaixo: Mar e Continente
Enquanto as ilhas flutuantes e os oceanos de nuvens pertencem ao Reino Fragmentado do alto, abaixo se estende um globo mais familiar: um planeta de grandes oceanos azuis e poucos continentes maciços, como o nosso mundo real.
...É aqui que vivem os que não voam -- e muitos que desprezam os que voam.
Os mares são cruzados por piratas de carne, osso e madeira, navegadores que dependem do vento natural em suas velas, não de cristais de éter.
Eles odeiam os voadores como Astrallyce por um motivo simples: inveja e ressentimento!
Para um pirata do mar, que enfrenta tempestades, calmarias e monstros marinhos, ver uma Brassbird cruzar o céu com elegância... é como receber uma bofetada.
'Eles não sujam as mãos. Não sangram com o sal. Não merecem chamar-se aventureiros', rosnam eles nas tavernas.
Nos continentes, erguem-se cidades portuárias, reinos insulares e vilarejos costeiros cheios de figuras fabulosas -- reis exilados, mercadores de mapas celestes, ferreiros que forjam peças de
Brassbird com metais do fundo do mar, cantoras cuja voz acalma temporais, e velhos lobos do mar que juram ter visto o Coração do Firmamento cair do céu numa noite de eclipse.
Os Piratas do Mar
Diferentes dos corsários do vazio, esses são lobos do mar tradicionais.
Seus navios têm cascos de madeira escura, velas remendadas e canhões que disparam balas de ferro -' mas também ganchos de arpão, usados para tentar fisgar Brassbirds que voem baixo demais.
Sua bandeira mais temida não é a caveira com ossos cruzados, mas uma asa de latão partida ao meio: o símbolo dos Quebra-Asas, a irmandade pirata que jurou derrubar todo voador que ousar cruzar suas águas.
Seu capitão mais lendário é Garrancho, um homem magro como um mastro, de cabelo cor de ferrugem e uma mão de gancho feita do bronze de uma Brassbird que ele mesmo abateu.
Ele pilota o Abutre do Mar, um brigue rápido como o diabo, e quando avista uma sombra alada na água, sorri com dentes de ouro: 'Olha o jantar caindo do céu, rapazes.'
Continentes e Cidades Fabulosas
Os poucos continentes são palco de maravilhas.
Porto Alvorada :Uma cidade-estado cosmopolita, construída sobre colinas brancas que brilham ao sol. É o principal ponto de contato entre o mundo de cima e o mundo de baixo -- aqui, voadores e marinheiros convivem sob trégua tensa.
Suas ruas têm mercado de cristais, oficinas de velas e a famosa Taberna do Mastro Torto, onde o taverneiro Velho Bartô serve rum com mel de nuvem e conhece todo mundo que já cruzou o horizonte. Astrallyce aporta aqui com frequência.
Continente das Torres Verdes : Uma massa de terra coberta por florestas de árvores ocas, tão altas que suas copas tocam as nuvens baixas.
Reino de Sal e Ferro : Uma península árida, governada por um rei ex-corsário chamado Leão de Rocha, que construiu seu castelo sobre uma mina de éter sólido. Ele odeia voadores, mas é justo com quem pousa em seu território sem arrogância. Sua filha, a princesa Cora Coralina, esconde um segredo: ela sonha em voar, e tem um mapa estelar tatuado nas costas que ninguém nunca viu.
Ilha das Carpideiras : Uma ilha-continente cercada por recifes afiados, onde vivem as Carpideiras, mulheres de véu que cantam para os afogados e tecem redes com fios de cabelo. Elas conhecem as correntes marinhas como ninguém e, reza a lenda, podem prever quando uma Brassbird vai cair do céu -- pois ouvem o choro do cristal de éter antes que ele se quebre.
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Barba de Nuvem – O Corsário do Crepúsculo
Dizem que seu nome verdadeiro se perdeu em algum temporal entre as ilhas de Âmbar.
...Hoje, todos o conhecem como Barba de Nuvem, uma lenda que os Alcidados novatos murmuram nas tavernas e os veteranos preferem não encontrar.
À primeira vista, ele parece um pirata do mar que tomou o caminho errado para o céu: corpulento como um velho lobo do oceano, com uma barba branca imensa que lhe desce até o peito, um cachimbo de espuma do mar eternamente aceso no canto da boca, e um olhar que mistura a astúcia de uma raposa com o cansaço de quem já viu o Firmamento mudar de cor.
Seu uniforme é um estranho híbrido: uma jaqueta de couro de aviador, surrada e remendada com retalhos de velas de navio, sobre uma camisa listrada de corsário.
Na cabeça, um gorro de tricô que já foi vermelho e hoje é da cor do barro, com óculos de pilotagem pousados na testa. Na cintura, um cinturão de ferramentas divide espaço com um velho sabre enferrujado.
...Ele é a própria contradição voadora -- um pirata que pilota uma aeronave semelhante a Brassbird.
Sua aeronave é a Poeira, uma Brassbird tão envelhecida quanto ele, de asas cor de ferrugem e um motor que tosse fumaça azulada.
Já foi dourada, reza a lenda, com três pares de asas que brilhavam como o sol.
Mas Barba de Nuvem perdeu essa relíquia em um duelo contra o próprio vento, e hoje voa com o que lhe resta --mas voa, e ninguém consegue igualar sua perícia entre rajadas e nuvens traiçoeiras.
Sua moralidade é um cata-vento!
...Há dias em que salva jovens pilotos de tormentas, oferece rum de éter e conta histórias sobre o Coração do Firmamento com lágrimas nos olhos. Em outros, rouba mapas estelares de aventureiros desavisados e os abandona à deriva no vento, rindo como um trovão.
Astrallyce já experimentou ambas as faces: ele já a resgatou de um ataque dos Quebra-Asas, guiou-a por atalhos secretos na Rota das Estrelas e sumiu com metade de seus cristais de éter enquanto ela dormia.
Ele não é aliado nem inimigo --é um enigma com cachimbo e barba branca, que um dia parece um avô generoso e no outro, um velho egoísta que só pensa no próprio rumo.
Ninguém sabe o que ele realmente busca!
...Talvez nem ele mesmo saiba!
Mas uma coisa é certa: onde há Barba de Nuvem, o vento muda de direção.
By Santidarko
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