quarta-feira, 1 de julho de 2026

Luabrubra,Solivagante,Auramingue,Marinévoa,Astraclara e Vesperauna(A Cripta das Nuvens) (*As meninas dos anéis Magisnóx)(Personagens by Santidarko )




O Orfanato: Solar da Misericórdia Imaculada

No alto da colina que vigia Cemitério de Nuvens, a cidade,visível de qualquer ponto , ergue-se uma construção gótica de pedra escura com torres que lembram agulhas fincadas no céu cinzento. 

...Seu nome, gravado em letras de ferro forjado sobre o portão principal, é uma piada que ninguém em voz alta ousa contar:

SOLAR DA MISERICÓRDIA IMACULADA


Os sinos tocam a cada três horas!
... As janelas são estreitas como frestas de arma. 

O pátio interno, onde as crianças nunca brincam, é de paralelepípedos irregulares que machucam os pés descalços. 

A madre superiora, Irmã Clotilde, governa com uma régua de metal que nunca enferruja porque é constantemente lavada com lágrimas.

Dentro daqueles muros, as crianças não têm nomes --têm números!

... Refeitório às seis. 
...Oração às sete!

 Trabalho nas oficinas têxteis até o meio-dia. Silêncio absoluto após o pôr do sol. 
As camas são de ferro, os lençóis são ásperos, e o inverno entra pelas frestas sem pedir licença.

Seis crianças quebraram o ciclo. 
...Numa noite de outubro de 1942, durante uma tempestade que apagou os geradores da cidade, elas escaparam por um duto de ventilação do subsolo, usando uma chave de fenda roubada da oficina. 

A Irmã Clotilde registrou a fuga como 'seis transferências para o campo',, e ninguém perguntou detalhes.

Eram crianças de rua antes de serem órfãs. 
...Sabiam se esconder!

...Sabiam farejar comida em latas de lixo.
 
Sabiam que a única família que existia para elas.. eram umas às outras!




A Chegada ao Circo Dulce

O Circo Dulce havia atracado no porto três dias antes. Sua barcaça negra com velas cor de vinho era um boato antes de ser uma visão: os estivadores falavam de 'gente estranha',que descarregava caixas à noite, de animais que não rugiam como leões comuns, de uma música que dava saudade de lugares onde ninguém nunca esteve.

...Para seis crianças famintas e sem abrigo, o circo não era ameaça

... Era esperança!


Não tinham dinheiro para o ingresso. Encontraram uma fresta na lona, perto do chão, onde o tecido encardido não tocava completamente a terra. Uma a uma, rastejaram para dentro e se esconderam atrás de fardos de palha, perto da coxia dos artistas.

 Dali, podiam ver tudo!




O Espetáculo que Viram

O que testemunharam não era um espetáculo comum. Era magia genuína, do tipo que não precisava de truques.

Lembram-se de cada ato com a nitidez de uma fotografia queimada:

●Lunalba, a trapezista, dançava no ar sem cabo algum, flutuando entre os trapézios como se a gravidade fosse uma sugestão educada que ela podia recusar. Sob a lua cheia ,que entrava pela claraboia da lona, seu corpo ficava prateado.


●Solívago, o palhaço, jamais falava. Mas sua risada era contagiante como uma epidemia de felicidade. Uma criança na plateia, que entrara mancando, saiu correndo.


●Aureliana, a contorcionista, dobrava-se para dentro de uma caixa de música e desaparecia. A caixa continuava tocando, e sua silhueta dançava no interior como uma chama presa em vidro.


●Maristela, a mulher barbada, cantava numa língua que ninguém conhecia, e cada nota fazia as lanternas do circo pulsarem em cores diferentes. O som não entrava pelos ouvidos --entrava pelo peito.


●Astrabaldo, o mago, lia as estrelas como quem lê um jornal. Chamou uma senhora da plateia e sussurrou-lhe algo. Ela desatou a chorar de alegria --depois soube-se que ele havia previsto o retorno do filho dado como morto na guerra.


●Vesperina, a dançarina, fazia suas sombras se destacarem do corpo ,e contarem histórias sem palavras. Eram sombras de animais, de crianças, de navios partindo -- e no final, todas voltavam para ela como filhotes para a mãe.


As seis crianças, escondidas atrás da palha, estavam hipnotizadas!
...Pela primeira vez desde que fugiram do Solar, sentiram algo além de fome e medo. 

...Sentiram maravilhamento!





O Cerco e o Massacre

Foi Solivagante quem viu primeiro. Cutucou Luabrubra e apontou para a entrada principal, onde homens encapuzados se moviam em silêncio.

...Eram os seguidores do Reverendo Alistácio, acompanhados por policiais do porto. Cortavam as cordas das saídas de emergência. 

Cravavam estacas de carvalho no perímetro. Vendavam os próprios olhos com tiras de pano preto abençoado.

Alustácio  descobrira o segredo dos artistas!

...Pois um dia fora espiar o espetáculo com um entusiasta, descobrira o profano,  segundo ele.

Os artistas poderiam ter fugido!

Lunalba poderia ter levado vários pelos ares. Astrabaldo poderia ter invocado uma coincidência salvadora. 

...Mas havia uma vantagem, que Alistácio  não previra a seu respectivo  favor,e que as crianças testemunharam por inteiro:

O circo não era apenas um espetáculo.
 Era um lar compartilhado!

...Havia crianças pequenas demais para correr. Havia idosos que já não se apresentavam. 

Havia os animais -- não feras de circo, mas familiares: um urso velho que era o único amigo do mago, três corvos que falavam com a cantora, uma raposa mansa que dormia com a dançarina. 

Havia o anão que não era artista, só cozinheiro, e que não tinha poder algum!

Os artistas fizeram uma escolha. Não foi heroica no sentido grandioso -- foi uma escolha prática de quem entende que família não se abandona.

...Enquanto as chamas subiam e os capuzes bloqueavam qualquer olhar externo, os artistas formaram um círculo em volta dos mais vulneráveis. Lunalba flutuou sobre as crianças pequenas, usando o próprio corpo como escudo térmico. 

Solívago riu pela última vez, tentando curar o medo dos animais enjaulados.

 Aureliana dobrou o espaço para criar uma bolha onde coubessem os idosos.
 
Maristela cantou uma canção que tentava apagar o som do fogo. Astrabaldo leu as estrelas uma última vez e sorriu -- viu algo, mas nunca contou. Vesperina lançou suas sombras como uma cortina negra ao redor de todos.

...Nenhum deles voou!

...Porque  eram os das pessoas que eles amavam!


Atrás dos fardos de palha, seis crianças de rua assistiam a tudo com lágrimas correndo pelo rosto. Seis pares de olhos cheios de impotência e terror!

... Seis testemunhas involuntárias ,que não sabiam que estavam, naquele momento, mantendo uma centelha de poder viva.




A Herança

Quando amanheceu, as seis crianças saíram dos escombros. 

A palha que as escondera estava chamuscada, mas intacta. Seus corpos não tinham uma queimadura sequer -- como se o fogo as tivesse poupado deliberadamente.

...Vasculharam as cinzas!

...Não por morbidez, mas porque eram crianças de rua, acostumadas a encontrar valor no lixo. E encontraram os anéis de osso e os dedais de metal derretido. 

Joias que os artistas usavam no momento da morte. Objetos que absorveram o poder no instante da implosão.

Quando Luabrubra colocou o anel de falange de Lunalba, sentiu seus pés descolarem do chão.

Quando Solivagante pôs o dedal de Solívago, riu -- e um pombo que passava desabou, revivendo o dia em que fora expulso do ninho.

Uma a uma, as seis crianças herdaram os 'dons distorcidos' dos artistas mortos.

Elas não são filhas de sangue. São filhas da circunstância, unidas pelo que viram e pelo que carregam. 

Os artistas morreram protegendo os seus -- e, sem saber, protegeram também seis estranhas ,que agora honram sua memória da única forma que conseguem.




A Tragédia Central

...Elas não são vilãs!

 São crianças que viram algo belo ser destruído e herdaram os cacos.

... 'Aterrorizam '  agora ,Cemitério de Nuvens,  cidade, SIM!;'porque precisam' !

...Mas no fundo, cada apresentação é uma homenagem distorcida. Cada ato de terror é uma tentativa de manter viva a memória dos artistas que morreram para salvar os seus -- incluindo, sem saber, seis crianças invisíveis sob a lona.

Elas são as Cinzas do Dulce.

...E o espetáculo nunca termina!


Arremessam comida roubada a suas irmãs do Orfanato, de outros também !

Infernizam à noite,  a casade Alistácio e o  delegado de polícia,  que protege os ricos ; visitam telhados de mansões,  flutuando também no parque de diversão  abandonado,  ...onde residem agora!

...Chamam o parque de diversão de :O Coreto do Caramujo Eólico.

Estão aprendendo  a usar ,os outros poderes dos respectivos anéis,  tais como: proteger- se de tiros e machucados.


Estão sempre descalças e sorridente!

Batizaram os anéis de : Magisnóx.




By Santidarko 
Personagens by Santidarko 

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