segunda-feira, 13 de julho de 2026

Nenhum,A Aparição de Pano(Personagem by Santidarko )


Nenhum — A Aparição de Pano


Quem é?

...Ninguém sabe quando Nenhum surgiu!
 
Ele simplesmente… apareceu!
Não foi costurado por mãos humanas, não foi presente de ninguém, não veio embrulhado. 

Certa noite, no sótão de uma casa de bonecas abandonada, o luar tocou  retalhos de linho esquecido sobre uma cadeira -- e o conjunto de retalho  levantou-se!

Não como quem acorda, mas como quem sempre esteve ali e, então decidiu ser visto.

Nenhum não é um fantasma. 
...Tampouco é um boneco comum!

Ele é uma aparição de pano: algo entre o que existe e o que falta, entre a forma e o vazio. Seu corpo é feito de linho cru, tão pálido que se confunde com a penumbra. 

Com expressões quase imperceptíveis!

...Mesmo assim, quem o observa sente-se observado de volta. Não com ameaça, mas com uma curiosidade antiga e silenciosa.




O jeito dele

Apesar do aspecto assustador à primeira vista, Nenhum é um monstrinho profundamente carinhoso. 


Gosta de ficar junto de outros bonecos. Aprendeu a observar os retalhos que o cercam e a meditar sobre o que vê. 

Quando alguém está triste, Nenhum se coloca ao lado e fica absolutamente imóvel, como se dissesse sem palavras: 'Eu também não sei o que sou. Mas estou aqui.'




Questões filosofais

Nenhum tem um problema. Ele existe, mas não é!
... Ou melhor: ele é, mas não sabe o quê!



...Às vezes, encosta-se a uma janela e observa a lua. Pergunta-se se a lua também é uma aparição -- algo que só existe porque alguém olha para ela. Nenhum e a lua, nesses momentos, são dois seres que brilham sem ter luz própria.



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Orfo Desfio -- O Cachorrinho 




Aparência

Orfo Desfio é um cachorrinho de pano cinzento --cor de tempestade branda, de lã suja de fumaça, de pelo de cobertor velho. 

...É gordinho, mas não de gordura: é gordinho de algodão mal distribuído, com uns caroços aqui e ali, como um travesseiro que foi remendado por mãos aflitas.

 Suas patas são curtas e atarracadas, e suas orelhas são de tamanhos diferentes -- a direita é caída, a esquerda é mais empinada, como se prestasse atenção a algo que só ela ouve.





Quem é?

...Orfo Desfio já teve um dono!
Ele não se lembra do rosto, não se lembra do nome, não se lembra do cheiro. 
...Lembra apenas de um calor que existia e depois deixou de existir. Quando deu por si, estava sentado numa calçada de paralelepípedos, com a chuva fina encharcando seu corpo de pano cinzento. 

O dono não voltou!

A casa não estava mais lá!
Só havia a rua, a chuva e um fio solto saindo de sua barriga.

Orfo não chorou. Cachorros de pano não choram --eles se desfiam.

...Desde então, Orfo caminha. 
Não foge, não procura. 

Apenas caminha!

...E enquanto caminha, vai perdendo fios. 
Um da orelha, outro da pata, um terceiro da cauda. 
...Mas Orfo aprendeu um truque: sempre que se sente vazio demais, ele encontra algodão, retalhos, penugem ou qualquer coisa macia que o mundo tenha deixado cair. 

...E então se enche!

Sozinho. Com as próprias patas desajeitadas, empurra o enchimento para dentro de si. 

Às vezes usa um graveto.


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A Estofo


Aparência

Estofo é uma boneca de pano simples.
 ...Quase rudimentar!

Seu corpo é feito de retalhos de tecidos diferentes: barriga de algodão cru, braços de chita desbotada, pernas de feltro cinzento, um remendo de veludo verde nas costas. 

Não tem cabelo -- sua cabeça é lisa, de linho amarelado, com pequenas imperfeições na costura que parecem cicatrizes de pensamento.

 A boca é um simples ponto-corrente que desce nos cantos, mas não é um semblante de tristeza: é um semblante de aceitação. 

Não tem nariz!
Não tem orelhas!

 Tem, no entanto, um laços de fitas  desbotadas no que seria o pescoço -- presente da criança no dia em que foi terminada.

...Suas mãos são desproporcionais: 

a esquerda, maior, feita para segurar. 

A direita, menor, feita para acenar!

Ninguém sabe se foi erro ou intenção da criança. Estofo acredita que foi intenção. 'Uma mão para ficar. Outra para deixar ir.'





O esquecimento

...Um dia, houve uma mudança!
Caixas, pressa, vozes altas, caminhões. 
A criança carregou muitas coisas. 

Mas Estofo não estava entre elas. 

Ninguém sabe se caiu atrás do armário, se ficou debaixo da cama, se foi deixada de propósito ou por descuido. O fato é que a casa nova ficou sem Estofo. 

...E Estofo ficou sem a criança!

Quando a porta bateu pela última vez e o silêncio tomou conta dos cômodos vazios, Estofo permaneceu no chão do quarto. Sozinha. Careca. Com o corpo de retalhos e o coração de coisas guardadas.

...Ela não chorou!

Bonecas de pano não choram!; --mas sentira algo,  que somente algo vivo sentiria!







By Santidarko 
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