Da esquerda para a direita :
Rekka, Kage,Hayate
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Lema do Trio:
'Fogo queima, Vento corta, Sombra espreita.
Os RōninCycles não têm mestre, apenas a estrada.'
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Cada um dos RōninCycles carrega uma urna com cinzas – de alguém que amaram e perderam. A viagem é uma peregrinação: eles precisam espalhar as cinzas em três lugares sagrados do Japão (Monte Fuji, Kumano Nachi Taisha e uma ilha deserta em Okinawa).
...
Antes de serem RōninCycles, eles foram apenas três almas perdidas.
Rekka carregava o peso de um incêndio que levou seu mestre Kenji, o homem que lhe ensinou que uma moto não era apenas ferro e gasolina, mas extensão da alma!
O senhor morrera entre chamas na oficina onde Rekka havia passado a juventude, e o garoto nunca soube se fora acidente!
Até hoje, Rekka ouve o crepitar do fogo sempre que fecha os olhos, e por isso acelera — para que o vento abafe o som. Sua urna contém mais do que restos mortais: dentro dela há uma chave enferrujada que ele nunca teve coragem de usar, pois o mestre disse antes de partir ,que a chave abria uma porta que deveria permanecer fechada até que Rekka estivesse pronto para encarar a verdade.
Hayate perdeu Sora, sua irmã mais nova, para uma doença que comeu seus pulmões devagar, como a maresia corrói o aço.
Ele prometeu que estaria ao lado dela no fim, mas a estrada era longa e o hospital ficava em outra prefeitura, e quando Hayate chegou, Sora já havia partido!
O vento que ele tanto amava pareceu trair seu nome naquele dia.
...Desde então, Hayate viaja sem destino, porque todo destino parece uma mentira quando a única pessoa que esperava por você já se foi.
A urna que carrega no peito não contém apenas cinzas, mas um mapa desenhado à mão pela irmã nos dias finais — rabiscos de uma ilha que ela nunca visitou, mas que dizia sonhar todas as noites.
Hayate nunca entendeu por que ela desenhava tanto aquele lugar, e agora suspeita que o sonho era mais que fantasia.
...Kage, porém, carrega o fardo mais cruel de todos.
Sua melhor amiga Yuki desapareceu quando ambas tinham quinze anos, em uma cidade pequena chamada Fuyumi, nas montanhas de Nagano.
As buscas duraram meses e nada encontraram — apenas um colar de contas azuis abandonado em um campo próximo a uma estrutura metálica que os locais chamavam de 'observatório estelar'.
Kage nunca acreditou na versão oficial.
Por isso, quando um velho monge xintoísta apareceu em seu sonho — ou teria sido um sonho? — e disse que as cinzas que ela carregava não eram de Yuki, mas de uma terra que guardava sua memória,
Kage acordou com a certeza de que precisava viajar. Sua urna, ela descobriu mais tarde, não contém cinzas — contém terra preta do campo onde Yuki desapareceu, e uma foto desbotada que mostra as duas rindo sob uma árvore que já não existe mais.
A peregrinação começou assim: três estranhos convocados por um mesmo sonho, três motos negras encontrando-se em um cruzamento no meio do nada, três urnas brilhando fracamente sob a luz da lua como se respondessem umas às outras.
O monge apareceu diante deles — ou seria uma alucinação coletiva? — e apontou três destinos sagrados. Monte Fuji, onde a terra toca o céu. Kumano Nachi Taisha, onde a água encontra a montanha. E uma ilha deserta em Okinawa, onde o mar engole o sol.
Disseram que espalhar as cinzas nesses lugares traria paz, mas nenhum dos três perguntou ao monge o que aconteceria se as cinzas não fossem o que pareciam.
...E assim partiram, atravessando o Japão rural, evitando cidades grandes, dormindo em postos de gasolina abandonados e templos que ainda tinham telhados.
...No início, era apenas uma viagem!
Mas as estradas do Japão escondem segredos ...que os mapas não mostram.
Em cidades pequenas, isoladas por montanhas que engolem o sinal de celular e a luz do sol, os RōninCycles começaram a notar algo estranho.
As pessoas andavam em filas durante o crepúsculo. Não conversavam.
Não riam!
Os filhos não brincavam — apenas observavam, com olhos fixos, como se esperassem uma ordem que ainda não havia chegado. E no alto das colinas, estruturas metálicas se erguiam contra o céu, com discos prateados que giravam lentamente, captando algo invisível.
Placas do governo anunciavam: 'Observatório Astronômico — Projeto Estelar'.
...Mas nenhuma daquelas cidades tinha um único telescópio visível.
Foi em Fuyumi, a cidade onde Yuki desapareceu, que Kage sentiu a urna pulsar pela primeira vez. Ela parou a moto no meio da estrada, e o silêncio era tão denso ,que parecia líquido.
As casas tinham persianas cerradas, as ruas estavam vazias, mas os postes de luz estavam todos acesos — e em cada um deles, uma pequena antena apontava para as residências. Kage desceu da moto e tocou a terra com as mãos.
A urna tremera!
...E então uma voz saiu de trás de uma janela: uma mulher de olhos vazios, repetindo uma frase como se fosse uma gravação.
'O céu vê tudo. O vazio espera. Vocês não deveriam estar aqui.'
Kage subiu na moto e acelerou. Ela sabia agora que Yuki não havia desaparecido por acaso.
O experimento se chama Kūhaku, que significa 'vazio'.
É o nome de um satélite em órbita baixa, invisível a olho nu, que envia ondas de indução mental para antenas terrestres instaladas secretamente em montanhas.
O governo japonês chama essas antenas de 'telescópios estelares',para manter a fachada, mas os RōninCycles descobriram que os sinais são rebatidos por torres metálicas disfarçadas de postes elétricos e caixas d'água, e então disparados diretamente para as casas das cidades selecionadas.
Os moradores não sabem que estão sendo controlados.
Eles apenas sentem uma vontade irresistível de obedecer.
... Obedecer ao quê?
Ninguém sabe!
Mas os efeitos são terríveis: os residentes mais expostos perdem memórias, perdem nomes, perdem o brilho nos olhos.
Tornam-se sentinelas silenciosos que protegem as cidades de intrusos. Eles não falam — apenas repetem frases que ecoam de alto-falantes espalhados pelas ruas. 'O céu vê tudo. O vazio espera.'
Os Guardiões do Silêncio, como os RōninCycles passaram a chamá-los, bloqueiam estradas com carros abandonados, apontam luzes ofuscantes para desorientar viajantes e murmuram ordens durante a noite.
Eles não são maus — eles são vítimas.
... Mas isso não os torna menos perigosos!
...
As outras urnas também guardavam segredos. A chave na urna de Rekka abria uma porta trancada em Kumano Nachi Taisha — uma porta que levava a uma sala subterrânea cheia de documentos do projeto Kūhaku.
O mapa na urna de Hayate apontava para coordenadas exatas em Okinawa, onde uma base submarina abrigava os computadores centrais do satélite.
Os três destinos sagrados não eram apenas lugares de paz — eram pontos de acesso a um sistema que controlava mentes.
O monge não era um monge. Ele era um ex-cientista do projeto, arrependido, que passou anos reunindo pistas para que alguém finalmente pudesse deter o que ele ajudou a criar.
Mas ele não contou a verdade aos RōninCycles ,porque sabia que, se soubessem, talvez desistissem!
Algumas mentiras são necessárias para que a verdade seja encontrada.
Agora os RōninCycles seguem viagem.
Eles ainda vão espalhar as cinzas, mas cada parada será também uma missão. Rekka precisa abrir a porta em Kumano e descobrir quem estava por trás do projeto.
Hayate precisa navegar até as coordenadas de Okinawa e encontrar os computadores que talvez possam desligar o satélite.
E Kage precisa chegar a Fuyumi mais uma vez — mas desta vez, não para deixar flores no campo onde Yuki desapareceu.
...Desta vez, ela vai entrar em cada casa, cada prédio, cada estrutura metálica, e vai encontrar Yuki, mesmo que precise carregá-la nos braços para fora daquela cidade morta.
(*Ela acredita, no fundo dr seu coração, que talvez ela ainda esteja viva;Ou talvez seja uma alucinação do satélite ,e seus comandos).
..A estrada é longa!
O ronco das motos ecoa pelas montanhas como um aviso. O governo já sabe que há três viajantes perguntando demais, e caçadores foram enviados para detê-los!
Mas os RōninCycles não são fáceis de parar — eles são fogo, vento e sombra, e o Japão que eles atravessam está prestes a descobrir que algumas cinzas nunca descansam!
...E que algumas almas, quando se unem, podem incendiar o céu!
By Santidarko
Personagens by Santidarko
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