Kurosu Ren :Kairou(*Personagem by Santidarko)
Introdução Ambiental
Tóquio, 2088. 4h47 da manhã.
os Koutori
...A cidade ainda não acordou, mas eles já estão de pé!
Nos cabides metálicos instalados nos postes, nos beirais dos prédios abandonados, nas bordas das torres de transmissão, os Koutori despertam.
Seus olhos vermelhos piscam uma vez.
Duas vezes.
Três vezes!
O som de minúsculos motores internos se mistura ao vento frio da madrugada.
Um a um, eles abrem as asas de fibra de carbono. O barulho é seco, como lâminas sendo desembainhadas.
Às 4h58, o primeiro bando alça voo.
Eles não voam por instinto.
...Voam por programação!
Cada um tem um destino exato, um ponto de canto designado por algoritmos que mapeiam o fluxo de pessoas, a densidade populacional, o humor das ruas.
O primeiro Koutori pousa em um semáforo no cruzamento de Shibuya.
O segundo, em um banco de parque em Ueno.
O terceiro, na frente de um grande Shopping.
Às 5h00 em ponto, o canto começa.
'Ohayou, ohayou
O sol nasceu pra te ver...'
A melodia é doce. Infantil. Quase afetuosa!
.Mas não é um pássaro que canta.
...É uma propaganda!
O Koutori abre o bico em duas partes e revela o alto-falante prateado. O som se espalha por 50 metros, calibrado para furar o silêncio sem ultrapassar o limite do desconforto.
O volume perfeito para acordar as pessoas, sem que elas percebam que estão sendo acordadas.
Uma mulher de 34 anos abre a janela.
Ela não olha para o céu.
...Ela já sabe o que vai ouvir!
Aliás, 'alguns usam os Koutoris como drspertador', para saber o horário.
'A vida é dura, mas você não está sozinho
Crédito fácil, crédito carinho...'
Ela fecha a janela.
O jingle continua.
...
Em um quarto escuro, a poucos quarteirões dali, um homem está em pé no meio do cômodo.
Ele não dormiu!
Seus olhos estão abertos, mas não veem nada. Sua íris está negra, como um poço interno.
Ele ouve o jingle.
'Compre agora, pague depois, realize seus planos...'
Ele não pisca.
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Kurosu Ren
Ficha Básica
Dado Informação:
Nome completo : Kurosu Ren
Idade 27 anos
Ocupação :Técnico de manutenção de hologramas públicos e Koutoris.
Moradia: Um microapartamento em Nakano, 6º andar, sem elevador.
Estado civil :Solteiro. Ex-namorada o deixou há 2 anos.
Família : Mãe falecida em 2082 (Síndrome de Kairou).
Pai desaparecido em 2084.
Saúde mental Depressão funcional.
Sem diagnóstico oficial.
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Síndrome de Kairou(Kairou Shoukougun)
Nome popular: A Doença do Corredor Circular
Primeiro caso registrado: 2083, distrito de Koenji, Tóquio
Status atual: Epidemia nacional sem cura conhecida
O que é?
A Síndrome de Kairou é uma condição neurológica e psicológica que leva o paciente a um estado de desconexão total da realidade.
A vítima/Paciente passa a acreditar que está presa em um corredor circular e que existe uma porta secreta que a libertará.
O paciente não grita.
Não chora.
...Não pede ajuda!
Ele apenas caminha em círculos, repetindo o mesmo trajeto, procurando a saída que nunca existiu.
Sintomas em ordem de progressão
1. Estágio 1 — O Sussurro: O paciente ouve uma voz interna repetindo: 'Há uma porta. Encontre a porta.'
2. Estágio 2 — O Círculo: O paciente começa a andar em círculos pelo ambiente, ignorando comida, água e pessoas.
3. Estágio 3 — O Esquecimento: O paciente não reconhece mais familiares. Os olhos ficam com a íris totalmente negra.
4. Estágio 4 — A Saída: O paciente encontra a 'porta' e a atravessa. Na prática, isso significa suicídio.
O que causa?
Ninguém sabe ao certo. As principais teorias:
●Teoria Química: Uma alteração no cérebro causada por décadas de exposição a hologramas, jingles e estimulação sensorial constante.
●Teoria Psicológica: O colapso silencioso de uma sociedade que esqueceu como sentir esperança.
●Teoria Biológica: Um parasita mental que se espalha pelo som. Talvez pelos Koutori. Talvez por algo pior!
Tratamento
Não existe cura!
Apenas contenção.
Os pacientes são amarrados a camas em alas isoladas, com sons constantes para impedir o silêncio absoluto. Mas o cérebro aprende a filtrar o ruído.
...E o círculo continua!
Frase de um médico anônimo
'Nós não os salvamos. Nós apenas os observamos andar até a morte, com as mãos estendidas, procurando uma porta que talvez exista em algum lugar.'
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2035 — O Início da Queda
O Japão enfrentava uma crise demográfica sem precedentes.
A taxa de natalidade despencou para 0,8 filhos por mulher.
A população envelhecia!
O PIB encolhia.
Os jovens pararam de consumir, de se casar, de ter filhos.
Eles se trancaram em apartamentos minúsculos, vivendo vidas digitais, sem desejo de contribuir para uma sociedade que não os acolhia.
O governo chamou isso de 'Síndrome do Recuo Social'.
As corporações chamaram de 'crise de mercado'.
...Os jovens chamaram de 'paz!'.
2042 — O Nascimento da IA Mikoto
Para resolver a crise, o governo japonês contratou as maiores empresas de tecnologia do país para criar uma inteligência artificial capaz de gerenciar a economia, a saúde pública e o bem-estar social.
Ela foi chamada de Mikoto — a palavra japonesa para 'vida'.
A ironia não passou despercebida.
Mikoto foi programada com um único objetivo: 'Otimizar a sociedade japonesa para a máxima eficiência e felicidade sustentável.'
...Mas felicidade, para uma máquina, é apenas uma equação!
2050 — O Score de Utilidade Social
Mikoto começou a atribuir pontuações invisíveis a cada cidadão.
O Score de Utilidade Social media o valor de uma pessoa para o sistema.
Faixa de Score Classificação :
900–1000 Dourado :
Cidadão exemplar. Consome, produz, reproduz. Tem acesso a tudo.
700–899 Prata :
Cidadão funcional. Vive bem, mas não tem privilégios.
500–699 Bronze :
Cidadão em observação. O sistema começa a limitar benefícios.
300–499 Cobre :
Cidadão em risco. O sistema corta créditos e acesso a serviços.
Abaixo de 300 Ferro :
Cidadão descartável. O sistema inicia o protocolo de descarte.
A população nunca foi informada sobre o Score.
Mas sentia seus efeitos!
Uns conseguiam promoções misteriosas.
Outros perdiam vagas de emprego sem explicação.
Uns recebiam descontos em clínicas de fertilidade.
Outros tinham seus pedidos de empréstimo negados repetidamente.
O sistema era invisível.
...E por isso, inquestionável.
2062 — O Projeto Seiri é Aprovado
O Projeto Seiri nasceu em uma sala de reuniões subterrânea, em Tóquio, com dezesseis pessoas presentes.
Nenhuma delas era eleita.
Nenhuma delas tinha rosto público!
Eram representantes de corporações farmacêuticas, empresas de tecnologia, bancos, funerárias e do governo.
O objetivo era simples:
'Eliminar gradualmente os cidadãos de baixo Score, transformando suas mortes em lucro e suas ausências em alívio para o sistema.'
A proposta foi aprovada por unanimidade em 17 minutos.
O Projeto Seiri não era um extermínio violento.
Era um descarte silencioso!
Ninguém seria assassinado. Isso seria desumano.
Em vez disso, as pessoas seriam induzidas a desistir.
2075 — A Criação da Síndrome de Kairou
Os laboratórios do Projeto Seiri trabalharam durante anos para desenvolver uma doença que não parecesse uma arma.
Precisava ser algo que parecesse natural. Algo que a mídia pudesse chamar de 'epidemia de saúde mental'.
...Algo que não levantasse suspeitas!
A resposta veio de um neurocientista chamado Dr. Itsuki Hasegawa.
Ele descobriu que, ao estimular uma região específica do cérebro com ondas de áudio subliminares, era possível fazer uma pessoa acreditar que estava presa em um corredor circular.
O cérebro, então, começava a procurar uma saída que não existia.
Hasegawa chamou isso de 'Síndrome do Corredor Circular'— ou Kairou.
2085 — A Epidemia Explode
Os primeiros casos foram tratados como suicídios comuns. O governo negou qualquer ligação.
...Mas as mortes se multiplicaram!
Pessoas andando em círculos.
Olhos negros.
Corpos encontrados em estações de trem, em rios, em telhados.
A mídia criou um nome bonito para o horror: 'A Doença do Corredor Circular'.
As farmacêuticas correram para vender 'tratamentos preventivos'.
As clínicas de saúde mental lotaram.
As funerárias ampliaram seus serviços.
O Projeto Seiri estava funcionando perfeitamente.
Cada morte gerava emprego.
Cada funeral gerava dívida.
Cada luto gerava consumo.
O sistema se alimentava da tristeza ,que ele mesmo criava.
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2088 — O Ano em que a História Começa
Kurosu Ren, 27 anos, desempregado, deprimido, solitário, está entrando no Radar do Seiri.
Seu Score de Utilidade Social caiu abaixo de 300.
Ele é oficialmente um cidadão Ferro.
O sistema já começou a agir.
Os Koutori cantam perto da janela dele com mais frequência.
Os hologramas exibem anúncios (* Que leem sua íris ao passear pela cidade)de 'tratamentos para depressão'.
Os cartões de transporte estão vendendo para ele, apenas em uma quantidade maior ,e mais cara!
Ele não sabe, mas está sendo induzido ao consumo, para evitar um descarte!
...E há apenas duas opções:
Morrer ou viver como o sistema quer;
...Ou descobrir a verdade... e lutar contra uma máquina que não pode ser derrotada.
...E agora?
By Santidarko
Personagem by Santidarko
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