terça-feira, 11 de agosto de 2026

Mechael Misteel(*Personagem by Santidarko)



A cruel pun:

Mech — machine.
Ael — fallen angel.
Mis — mistake, flaw.
Steel — cold, unyielding metal.

A mechanical angel, forged from defective steel.
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...Antes da cidade engolir o sol, ele era apenas Michael Castell. 

Detetive de homicídios, 34 anos, casado com o silêncio e amante do uísque barato. Resolvia casos com uma intuição quase sobrenatural -- até que o caso errado o encontrou!

A KrayDyne , megacorporação que fabrica próteses neurais para a elite, não gostou de vê-lo fuçando arquivos sobre desaparecimentos de trabalhadores.

 Numa noite chuvosa, três homens de implantes cranianos o jogaram do 17º andar do Edifício Meridian.

...Ele deveria estar morto!
Mas a queda não o matou - apenas quebrou algo essencial.

Acordou três anos depois numa clínica clandestina, remontado por um cirurgião exilado que trocava carne por metal ...em troca de dívidas.

 Coluna de titânio. Fragmentos de crânio substituídos por placas de liga escura. 

Terminais nervosos soldados a fios de cobre!

E os olhos -- os olhos eram agora lentes rubras que viam o espectro eletromagnético e enxergavam mentiras como manchas térmicas no rosto de quem as contava.


O cirurgião o batizou antes de desaparecer: Mechael Misteel. 

Trocadilho cruel. Mech (máquina), ael (anjo caído), Mis (erro), Steel (aço). 

Um anjo mecânico feito de aço defeituoso.



Ele não lembrava de tudo. Pedaços de memória se perderam entre os destroços do crânio original. 

...Mas lembrava o suficiente: o caso não resolvido, o empurrão, os três pares de olhos frios. 


...E o nome da corporação ecoando como uma bala alojada perto do coração.

Agora ele caminha pelas ruas baixas da metrópole, onde o néon não alcança e a chuva nunca para. 

Não é mais polícia. 
Não é mais humano -- pelo menos não completamente. 

Aceita casos de desaparecidos, gente que a cidade prefere esquecer. 

...Cobra pouco.
 Pergunta menos ainda!

Seus olhos vermelhos são a última coisa que muitos veem antes de confessar.






Introdução 

A chuva caía diagonal, como agulhas de prata contra o asfalto negro. O letreiro do Motel Elysium piscava intermitente, trocando a letra 'E' por um 'A' defeituoso: ALYSIUM. Paraíso dos esquecidos.

Mechael Misteel estava parado sob o beiral de zinco, o sobretudo escuro pesado de umidade. A aba do chapéu gotejava. 
Seus olhos rubros fitavam a porta entreaberta do quarto 7, de onde escapava uma fumaça cinzenta e o cheiro doce de dados queimados.

— Ela está lá dentro? , perguntra a voz trêmula ao seu lado. 
Um homem de terno barato, olheiras profundas, segurando uma foto amassada da filha desaparecida há três semanas.

Mechael não respondeu de imediato. Sua íris esquerda pulsou duas vezes -- o glitch que nunca conseguiu corrigir.

— Não ,dissera por fim, a voz rouca como metal arrastado. 
— Mas a pessoa que sabe onde ela está, sim!

Levou a mão enluvada ao coldre sob o sobretudo. Sentiu as articulações metálicas estalarem. O aço defeituoso rangeu como um lamento.

— Espere aqui. E não olhe nos olhos dela, quando eu a trouxer.

Entrou na chuva sem pressa. A noite o engoliu como se sempre lhe pertencesse.





By Santidarko 
Personagem by Santidarko 



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