Onde multidão ou as alheias presenças não nos acolhe , apenas nos encobre de nós mesmos!
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Introdução aos sentimentos do personagem :
Teoria da Toxicologia Verbal
Frases Químicas: A Alquimia Oculta da Palavra
Introdução ao Conceito
Chamarei de 'Frases Químicas', àquelas sentenças aparentemente casuais, comparações maldosas ou comentários venenosos, ditos por outras pessoas, que desencadeiam uma reação adversa imediata em nosso organismo.
Não são meras ofensas!
São catalisadores biológicos involuntários.
A palavra entra pelo ouvido, e o corpo obedece antes que a mente possa erguer qualquer defesa.
Quem nunca sentiu isso?
...Alguém diz, com um sorriso adocicado, 'Você está com uma aparência tão cansada', e de repente ,seus ombros pesam.
Um colega comenta, 'Nossa, você é tão sensível',e um calor sobe pelo seu peito, as mãos ficam frias.
Uma comparação familiar: 'Por que você não é mais como seu irmão?', e um gosto metálico surge na boca enquanto o estômago se contrai.
Essas não são reações emocionais abstratas!
São processos químicos. As palavras são as fórmulas, e o seu corpo é o laboratório.
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O Banimento Silencioso(*A dor de não mais caber em si mesmo)
Houve um momento preciso, ainda que imperceptível para quem observava de fora, em que ele deixou de pertencer.
Não fora expulso por outros; foi um ato de autodeportação. Algo havia se instalado em seus sentimentos -- não como uma visita, mas como um invasor que silenciosamente troca as fechaduras da casa por dentro.
...Era difícil nomear ,o que aquilo era!
Não tinha a nitidez de uma tristeza comum, nem o ímpeto de uma raiva.
...'Era uma presença'!
Uma densidade nova alojada na camada mais íntima da experiência emocional, como um sedimento que turva a água sem se deixar ver. Ele ainda sorria, ainda respondia, ainda ocupava seu lugar à mesa. Mas o sorriso agora vinha com um atraso de milissegundos.
A resposta era precisa demais, sem a desordem da espontaneidade. Ele estava se tornando um funcionário de sua própria presença.
...Foi então ,que ele começou a se retirar!
Não com alarde.
Não houve discussão, ruptura ou carta de despedida. Havia apenas uma força centrífuga silenciosa que o afastava do centro quente das relações para uma órbita cada vez mais distante e fria.
Ele recusava convites com a elegância de quem agradece, mas sem a intenção de comparecer no futuro. Mensagens se acumulavam, lidas, não respondidas!
Ele se via do lado de fora da bolha emocional que sempre o abrigou, e o mais desconcertante era saber que foi ele mesmo quem perfurou a membrana para sair.
Aquilo que se instalou havia feito um cálculo perverso: demonstrou que o isolamento não era um castigo, mas uma forma de defesa. Estar perto dos outros exigia um desempenho emocional para o qual ele não tinha mais energia.
A presença alheia tornou-se um atrito insuportável, não porque os outros fossem hostis, mas porque ele já não conseguia vibrar na mesma frequência.
Ele se tornara um corpo estranho em seu próprio círculo, e a única saída honrosa foi remover-se... antes que notassem a diferença.
A bolha emocional que o continha antes,não fora destruída.
Ele apenas não está mais dentro dela!
...Ele a observa de fora, como quem olha pela janela de um café para uma festa da qual saiu sem se despedir.
Os outros ainda o chamam!
'Ainda o amam'!
Mas entre ele e eles agora existe uma membrana que ele mesmo fabricou, feita de silêncio, de distância, de um medo sem nome. Ele não sabe se aquilo que se instalou é permanente. Sabe apenas que, por enquanto, a ideia de ser alcançado dói mais do que a solidão que ele próprio escolheu.
...
O chamado não veio como um som, mas como um silêncio. Um vazio súbito no peito, um buraco na paisagem mental que puxava seu corpo para longe dali.
Um deslocamento. Para Olister, não era a primeira vez!
...Era uma maldição recorrente, uma maré que o arrastava sem aviso para lugares que desconhecia e que, invariavelmente, o rejeitavam.
Ele caminhava. O mundo ao redor se dobrava como uma aquarela molhada, cores e formas escorrendo em túneis de vento.
...E então, eles apareciam!
Os que sabiam!
Os que sentiam o deslocamento. Rostos conhecidos de outros mundos ou estranhos mascarados de compaixão.
...Eles sorriam!
Diziam seu nome com uma doçura que lhe embrulhava o estômago.
Uma mão se estendia. Um gesto simples de afeto, uma tentativa de boas-vindas. Para ele, era o prenúncio de um pesadelo. A pele não tocava a sua; a pele queimava.
Não era uma queimadura física, mas uma sensação de violação profunda, um alarme ancestral que gritava perigo, contaminação, falsidade. Ele retraía o braço como se tivesse tocado uma brasa, os olhos se arregalando em puro terror.
Aquele toque que deveria ser um consolo era a confirmação de que o afeto era uma isca. Pois ele já tinha sido amado. E aquele amor o ensinou que a confiança é a antecâmara da aniquilação.
...
A pior parte, o cerne do trauma, era o silêncio! Não um silêncio de ausência, mas um silêncio em resposta às suas perguntas. Quando Olister, sentindo-se esvair, reunia coragem para perguntar 'Quem sou eu?', 'Por que sou assim?'.
O Eco apenas o envolvia em um abraço mais apertado. A pergunta ecoava no vazio, sem resposta, sendo abafada pela demonstração física de um amor que o consumia.
O afago era a resposta, e a falta de palavras era a sentença!
Ele escapou, arrancando-se desse abraço, rompendo algo dentro de si no processo.
...Agora, como uma errante forçado a atender os chamados de deslocamentos aleatórios, ele carrega uma defesa brutal: a rejeição imediata.
Recusa toques, olhares demorados, palavras gentis. Porque o amor que ele conheceu não respondia perguntas; apenas tocava. O afeto não lhe dava certezas; apenas o silenciava.
Sua Condição:
Sua jornada é uma fuga paradoxal. Ele corre em direção ao centro de cada deslocamento para sobreviver, mas, ao fazê-lo, encontra pessoas que se lembram dele de 'vidas passadas', ou ecos 'de mundos que visitou'.
'Elas o veem como um herói', um amigo, um amor perdido. Oferecem o toque que ele mais teme. Cada interação é uma batalha interior entre a necessidade visceral de conexão e o medo petrificante de ser silenciado novamente.
Ele é um arquivo vivo de perguntas sem respostas, vagando por mundos que o chamam e o repelem, com a sentença perpétua de temer exatamente aquilo que poderia salvá-lo: um simples toque humano, verdadeiro!
By Santidarko
Personagem by Santidarko
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