karyon Kaito (*Personagem by Santidarko)
Signum Kardia
...Em um mundo onde a tecnologia se integrou completamente ao cotidiano, foi criado o SIS — Sistema Integrado de Saúde.
Toda infraestrutura urbana, em certos pontos específicos, fora equipada com scanners biométricos passivos de saúde: lobby de hospitais ,corredores de shopping, saguões de empresas, pátios de escolas.(*Você não é obrigado a ser escaneado em Shoppings , a não ser, em uma Epidemia; em empresas, alguns são obrigatórios, em locais de trabalho, prioritários).
Esses scanners não pedem consentimento.
Eles leem:
● Batimentos cardíacos;
● Temperatura;
●Riscos de alguma doença contagiosa em progressão.
Tudo isso é cruzado em tempo real com o Banco Nacional de Saúde (BNS) — um sistema unificado ,de todos os planos de saúde privados e do sistema público.
Cada cidadão tem um ID Vital vinculado ao celular ou à biometria pessoal.
A Sociedade
A sociedade se divide em três camadas:
1. Os Monitorados — A maioria da população.
Vivem nas Cidades Conectadas, aceitam os scanners, recebem notificações de saúde em tempo real, têm acesso a médicos, tratamentos e 'pontos de saúde', que garantem prioridade em filas, empregos e moradias com certos padrões sociais.
2. Os Isolados — Comunidades que recusaram o SIS .
...Vivem em zonas rurais, ilhas, comunidades autônomas.
São vistos como 'primitivos', 'antissistema', e têm acesso negado a certos hospitais, a determinados empregos formais e a créditos.
Muitos morrem de doenças tratáveis...por falta de acesso.
3. Os Apátridas Digitais — Pessoas que foram deletadas do BNS, por crimes graves ou 'risco social'.
Não existem para o sistema.
Não podem ser tratadas.
Não podem ser salvas.
Kaito Araújo
Kaito Araújo, 30 anos. Nascera e crescera na Comunidade de Vale Sereno, um enclave isolado nas montanhas, fundado por seus avós .
...Mas aos 30 anos, após a morte dos dois avós, decidira ir à cidade grande em busca de respostas sobre a irmã ,que nunca conhecera!
O problema: para poder se alojar na cidade, ele precisou se registrar---para poder alugar um quarto.(*Sim , existia quartos na cidade para : viciados, 'anônimos',foragidos etc.
Que não pediam nada disso, para dormir ou permanecer por um tempo nesses locais.
...Mas, chegar à cidade grande e ficar em locais assim, para alguém que ficara protegido pelo 'isolamento, não era aconselhável.
Certo?
Para se registrar, precisou passar por um scanner. Para passar por um scanner, precisou ser lido.
...E o scanner leu algo ,que ele não sabia que tinha!
Kaito caminhava com uma mochila velha. Vestia roupas simples.
No bolso, um celular um pouco antigo — dado pela avó antes de morrer.
Kaito (pensando):
'Minha avó dizia que o corpo humano é a última coisa que pertence a uma pessoa. Que nenhum sistema deveria ler o que Deus escreveu. Eu achava que era medo de velha. Até cruzar aquele portão.'
Kaito chega à Estação de Integração Cidadã.
Um hospital público com um arco de metal e luz.
Placas: 'Bem-vindo à Cidade Conectada.
Sua saúde é nossa prioridade!'
...Ele hesita!
Faz seu cadastro biométrico.
Olha o celular antigo.
Respira fundo.
...Atravessa.
Um som tecnológico: Zzzzzzt. O scanner o varre em 2 minutos.
Tela do sistema (visão do scanner):
ID VITAL: NÃO CADASTRADO
CRIANDO REGISTRO PROVISÓRIO...
NOME: KAITO ARAÚJO
IDADE: 30
STATUS: ATIVO
ALERTA: ANOMALIA DETECTADA
MARCADOR GENÉTICO: SÍNDROME DE FALHA MITOCONDRIAL PROGRESSIVA (FMP)
ESTÁGIO: 3 (ASSINTOMÁTICO)
PROGNÓSTICO: 14 MESES SEM INTERVENÇÃO
AÇÃO RECOMENDADA: NOTIFICAR PACIENTE. ENCAMINHAR PARA REDE DE ESPECIALISTAS.
'O celular antigo de Kaito', de sua falecida avó, vibra novamente!
Ele olha para a tela. Uma notificação do BNS:
⚠️ ALERTA DE SAÚDE
Prezado Kaito Araújo,
Identificamos uma condição genética em seu perfil.
Recomendamos consulta imediata.
Médicos disponíveis para sua doença:
- Dr. Yuri Cross — Hospital Central — CRM 4471
- Dr. Marco Túlio — Clínica Vitalis — CRM 8823
- Dra. Yuna Park — Instituto de Medicina Genômica — CRM 1190
[Agendar consulta]
Kaito encara a tela!
Ele nunca ouviu falar dessa doença.
Nunca sentiu nada!
...'Mas o sistema se preocupara por ele': ele está doente, e o sistema já sabe onde ele deve ir.
Kaito (sussurrando):
'Como...,como eles sabem?'
Kaito (Pensando):
'Eu vim para tentar conhecer minha única irmã.
O sistema já descobrira ,quem eu sou, e que estou doente. E não importa o quanto eu corra... ele sempre vai saber onde eu estou.'
...
A Doença, a Compatibilidade, o Tráfico, o Vilão e a Filha
A Doença
Kaito tem Síndrome de Falha Mitocondrial Progressiva — uma condição genética rara que ataca as mitocôndrias, as usinas de energia das células.
Sem elas, o corpo não produz energia suficiente para funcionar. Os sintomas se acumulam silenciosamente, como uma torneira que pinga devagar, até que um dia o balde transborda.
Os sintomas são cruéis na sua simplicidade:
●Cansaço extremo — não é sono, não é preguiça. É o corpo inteiro pesando como chumbo. É acordar cansado e dormir mais cansado ainda.
É olhar para uma escada e sentir que vai desmaiar antes do terceiro degrau.
●Fraqueza muscular — os braços tremem ao segurar um copo. As pernas falham no meio do caminho. O corpo trai a mente que insiste em continuar.
●Falta de ar — como se o ar nunca chegasse aos pulmões. Como se o mundo tivesse menos oxigênio do que deveria.
●Tonturas — o chão se move. As paredes giram. A realidade parece um barco em mar agitado.
●Dores nas articulações — joelhos, cotovelos, ombros. Uma dor surda, constante, que nunca vai embora.
●Febre baixa constante — o corpo sempre quente, sempre lutando contra algo que não consegue ver.
● Falência gradual dos órgãos — o fim.
Lento.
Silencioso.
Inevitável!
Em Vale Sereno, os sintomas eram leves.
Quase imperceptíveis.
O ar puro da montanha, o ritmo lento da comunidade, a alimentação natural, o silêncio, a paz — tudo isso mantinha a doença sob controle.
Kaito sentia cansaço às vezes, mas achava que era normal.
Achava que era só o trabalho na roça, a caminhada longa, a idade chegando.
...Ele nunca soube que carregava uma bomba-relógio dentro de si!
Mas na cidade, tudo mudou!
A poluição entupiu os pulmões já fragilizados.
O estresse acelerou o coração já cansado.
A doença agravou rápido.
Em questão de dias, Kaito passou de um homem cansado...para um homem destruído.
Ele não sabia que estava doente. Ele achava que era só o choque da cidade, a saudade da montanha, o medo do desconhecido.
Mas o scanner detectou. O scanner leu cada marcador, cada mutação, cada sinal de falência.
...E o BNS gerou a notificação!
Prognóstico: 14 meses sem intervenção.
Quatorze meses.
Um ano e dois meses!
Tempo suficiente para fazer as pazes com a vida. Tempo insuficiente para viver.
A Compatibilidade
O scanner não detectou apenas a doença.
Ele detectou duas coisas.
Duas informações que mudariam a vida de Kaito para sempre — uma que o condenava, outra que o tornava valioso.
A primeira: A doença real.
A sentença de morte lenta.
A segunda: um marcador genético raro.
Uma compatibilidade de medula óssea.
Não com qualquer pessoa!
...Com Lívia Castellar!
[Lívia Castellar, 19 anos, filha de Rodrigo Castellar, CEO da Castellar Corp — uma das empresas que controlam o SIS, o sistema que lê cada cidadão.]
Lívia tem leucemia terminal. Uma forma agressiva, resistente a todos os tratamentos disponíveis.
Os médicos deram a ela seis meses de vida. ...Talvez menos!
A única esperança é um transplante de medula óssea.
...Mas não qualquer medula!
Uma medula 100% compatível.
...E essas são raras.
Uma em milhões!
Kaito é essa raridade. Kaito é 100% compatível.
Kaito é a salvação de Lívia!
...E Kaito não sabia de nada disso!
O Tráfico
Uma das médicas da lista que o sistema enviou a Kaito — não é uma médica comum.
'Ela é uma facilitadora'.
Uma intermediária.
Uma mulher que vende pessoas.
'Ela trabalha nas sombras do SIS', recebendo alertas de compatibilidade, identificando pacientes com marcadores raros, e os entregando para empresas como a Castellar Corp.
Ela não salva vidas. Ela vende órgãos. Ela vende medula.
Ela vende pessoas!
Quando Kaito cruzou o scanner do Hospital para gerar seu cadastro, o sistema fez o que sempre faz: leu.
Leu tudo!
Leu a doença.
Leu a compatibilidade.
...E gerou dois alertas!
O primeiro foi automático: a notificação de saúde que Kaito recebeu no celular.
O BNS informando que ele estava doente, que precisava procurar um médico, que havia uma lista de especialistas disponíveis.
O segundo foi interno: um alerta silencioso, enviado apenas para funcionários autorizados.
Um alerta que dizia: 'Compatibilidade de medula detectada. Receptor: Lívia Castellar. Prioridade: Máxima. Ação: Acionar Protocolo Castellar.'
Dra. Grisma recebeu esse alerta. Ela olhou para a tela, para o nome de Kaito, para a foto tirada pelo scanner, para os dados genéticos.
...E sorriu!
Ela já sabia o que fazer.
Ela já tinha feito isso antes!
Ela ligou para Rodrigo Castellar.
...Disse três palavras: 'Encontramos um compatível.'
... E Rodrigo Castellar, um homem que perdeu a esposa para o câncer há 10 anos, um homem que faria qualquer coisa pela filha, um homem que não se importa com quem precisa morrer para salvá-la, respondeu com outras três palavras: 'Tragam ele vivo.'
O plano era simples.
...Usar a notificação de saúde para atrair Kaito ao hospital.
Fazê-lo acreditar que estava doente, que precisava de ajuda, que os médicos poderiam salvá-lo.
Sedá-lo.
Extrair a medula.
Descartá-lo!
Um corpo vazio, jogado fora como lixo. Ninguém sentiria falta. Ele era um Isolado. Não tinha ID.
Não tinha família!
Não tinha ninguém!
Mas o plano falhou.
Kaito não foi ao hospital.
Ele fugiu.
Não porque sabia do plano — ele não sabia de nada!
Mas porque algo dentro dele, um instinto, uma desconfiança herdada dos avós, o fez correr.
...E agora, Rodrigo Castellar está furioso!
Ele mobilizou a empresa inteira. Drones de vigilância. Carros pretos. Agentes treinados. Scanners de rua.
O SIS inteiro está procurando Kaito Araújo.
Cada câmera.
Cada scanner.
Cada banco de dados.
Tudo aponta para um único objetivo: encontrar o homem que pode salvar Lívia Castellar.
...E Kaito, sozinho, doente, exausto, sem saber em quem confiar, precisa fugir.
Não apenas da doença.
Não apenas do sistema.
...Mas de um império!
...De um pai disposto a tudo.
De um homem que já perdeu tudo e ,não vai perder a filha!
[Frase de Lívia:
'Eu não pedi por isso. Eu não pedi para nascer doente. Eu não pedi para ser filha de um monstro. Mas eu posso escolher o que faço com o tempo que me resta. E eu escolho não ser como ele.']
By Santidarko
Personagem by Santidarko
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