O Tempo abutre (*Poema by Santidarko)


...Há uma pressa em tudo o que nos cerca!

 A vida corre com sua velocidade de novidades e transformações, o tempo se apressa com sua fúria de nos consumir, e o universo expande-se sem pausa, como se uma consciência cósmica clamasse por mudanças.

 As pessoas também têm pressa — com perguntas, decisões e expectativas que lançam sobre nós.

...Até Deus, dizem, tem pressa na criação, e há uma assinalização ,de que nossa estrela um dia morrerá.

...Mas eu não quero essa pressa!

Eu quero ter calma!; Quero apenas existir em paz — como quem contempla o rio sem precisar ser a correnteza, como quem sente o vento sem precisar ser a tempestade. 

Quero a serenidade de quem sabe que, mesmo com todo o universo apressado, há um lugar sagrado no silêncio onde a alma respira.

...Que eu seja, então, a pausa que não nega o movimento, mas o habita com paz. Porque existir, por si só, já é um ato de coragem e beleza. E eu escolho vivê-lo devagar.

Com serenidade,
Um pequeno observador do infinito apressado.


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O Tempo abutre

Há um vendaval que não cessa —
a Vida corre, e em sua fúria breve
desfaz o que criou, e não tropeça
no que destrói, nem no que em nós se atreve.
O Tempo, abutre de asas silentes,
consome-nos as horas, uma a uma,
e o Universo, em gritos transcendentes,
expande-se no caos, e nada suma.


...E as pessoas — ah, as pessoas! — chegam com perguntas que cortam como espadas,com decisões que em nós se aconchegam e deixam marcas fundas, não curadas.
E Deus, talvez, também tenha pressa enorme de criar mundos, sóis, e de apagar
a estrela nossa — enquanto o céu dorme
e nós, pequenos, vemos tudo ruir.



Mas eu — eu quero a calma que não cede,
quero existir sem pressa de existir.
Que a Vida corra, e o Tempo me degrede,
que o Universo exploda até florir,
que as gentes gritem, que Deus se apresse,e que esta estrela morra sem alarde —eu quero apenas, antes que troveje,
a paz de quem não luta e não se tarde.



Que importa, ó Senhor, toda essa corrida?
Que importa o fim do sol, o caos, a dor?
Se posso, em meio à pressa entontecida,
ser um instante lúcido de amor.
Um ser que olha o abismo e não se afasta,
que sabe do fim e ainda assim respira,
que na velocidade do mundo não se gasta
e no silêncio da alma se retira.



Pois há beleza nisto: ser pequeno
diante do que nos foge e nos devora,
e ainda assim, num gesto quase obsceno,
escolher a paz — agora, agora.
Enquanto tudo passa e se consome,
enquanto a estrela treme e se desfaz,
eu serei só um nome, um frágil nome,
existindo devagar, em santa paz.




...

Sou uma fome que vagueia,
...Sou uma fome que sempre vagueará!

Não busco pão, não busco fim,
busco o próprio caminhar.
E se a paz me encontrar faminto,
que me encontre !— sem me saciar.







By Santidarko 

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