Escuridão, Meu Eu(*Poema by Santidarko)
Tal como o nosso cérebro está no escuro, nossos pensamentos povoam o escuro.'
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O cérebro é um órgão enclausurado
O cérebro humano nunca vê a luz.
Ele vive dentro de uma caixa óssea, mergulhado em escuridão absoluta, banhado em líquido, isolado do mundo exterior.
Não há fótons ali dentro!
Não há som direto.
Não há textura.
...Há apenas impulsos elétricos e químicos — sinais que chegam como ruído, e que o cérebro precisa traduzir em algo que chamamos de realidade.
O cérebro não experimenta o mundo.
Ele interpreta sombras que chegam até ele!
A neurociência moderna chama isso de percepção inferencial: o cérebro não recebe a realidade pronta — ele a adivinha!
Com base em padrões, memórias e expectativas, ele constrói uma hipótese do que está lá fora. Quando essa hipótese falha, surgem ilusões, alucinações, delírios.
Ou seja:
●O mundo que você 'vê' não está nos seus olhos — está no escuro do seu crânio.
●A luz que você acha que existe é, na verdade, uma tradução elétrica feita no breu.
Os pensamentos nascem como criaturas da escuridão
Se o cérebro está no escuro, então tudo o que pensamos também nasce no escuro.
...Ideias, medos, memórias, desejos — todos são formas que se movem sem luz.
Eles não têm contorno definido!
Não têm prova de existência fora de nós.
Pensar é povoar o escuro com formas que só nós enxergamos.
Isso é científico: redes neurais se ativam sem estímulo externo — o default mode network, por exemplo, funciona justamente quando não estamos focados no mundo.
É o cérebro povoando a si mesmo no silêncio!
O aspecto filosófico: somos habitantes do escuro
Se toda a nossa vida mental acontece dentro de uma caverna biológica, então a metáfora de Platão deixa de ser alegoria e vira anatomia:
● A caverna não é o mundo — é o crânio.
●As sombras na parede não são ilusões externas — são os nossos próprios pensamentos.
●E o fogo que projeta essas sombras não é o sol — é a atividade elétrica de bilhões de neurônios.
Não vemos a realidade!
Vemos o que o escuro do nosso cérebro decide mostrar.
'Como o nosso cérebro está no escuro — nunca tocado pela luz, nunca banhado pelo mundo —, nossos pensamentos povoam o escuro. Eles nascem como formas sem contorno, criaturas elétricas que dançam no breu do crânio'.
Não são o mundo: são o que fazemos com a ausência dele. Pensar é, talvez, a mais solitária das bioluminescências — uma luz que só existe porque nunca houve outra.'
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Escuridão, Meu Eu
Eu sou a noite que não vê a aurora,
o poço onde nenhum raio ousa entrar;
minha mente é uma caverna que devora
a luz que o mundo insiste em me dar.
Não há sol dentro em mim — só eletricidade,
um fogo silencioso, oculto, sem chama;
penso, e o pensamento é escuridão e verdade,
um mundo que só existe porque me chama.
Ó Luz! Se existes, por que não me alcanças?
Meus olhos são janelas de um quarto fechado;
vejo o mundo, mas são só lembranças,
sombras de um real que nunca foi tocado.
Meu crânio é um sepulcro, mas não vazio —
nele habitam fantasmas que eu mesmo criei;
cada ideia é um espectro, frio,
que dança no breu que nunca deixei.
E se a mente é a lâmpada do ser,
por que arde tão só, tão longe do dia?
Pensar é, talvez, um modo de morrer
um pouco — toda noite, toda agonia.
Mas ah! Se o escuro é tudo o que tenho,
então que ele seja meu trono e meu lar;
pois quem vive na noite faz do sonho um reino,
e do silêncio, um modo de cantar.
By Santidarko
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