Essa teoria ensaia uma explicação do porquê:
- Rostos de familiares em sonhos são 'genéricos', mas sabemos quem são.
- Estranhos podem ter nomes absurdos com lógica onírica (Ah, ele é Klaus, o encanador de Marte) .
... Ao acordar, temos uma convicção de uma identidade, mesmo sem detalhes visuais.
Como alguns sonhadores,na maioria das vezes, reconhecem identidades (nomes) de rostos,que nunca viram completamente,ou que são geometricamente impossíveis?
Como o cérebro sabe algo que não processou visualmente?
Minha hipótese se baseia em alguns pilares:
O Banco de dados desencarnado:
No estado de vigília, nosso cérebro armazena pessoas como'pacotes relacionais',não como fotos. Um'arquivo' contém:
- Tom emocional (medo/afeição)
- Contextos partilhados (trabalho/infância)
- Rótulo linguístico (o nome)
- Traços faciais vagos (um nariz, cor do cabelo... desconectados) .
No sonho, o córtex pré-frontal (responsável pela coerência lógica) está inibido. Acessamos apenas fragmentos do pacote, especialmente o rótulo linguístico e a emoção associada. O nome surge como um 'dado bruto'da memória, sem necessidade de rosto.
O Truque do Atalho Sensorial:
O giro fusiforme (área de reconhecimento facial) fica semiativo durante o REM.
Mas sem input visual real, ele improvisa.
Como um músico tocando de ouvido:
- Gera um 'esboço'de rosto (olhos flutuantes, boca sem queixo).
- Sinaliza para o lobo temporal: É um rosto conhecido!
- O lobo temporal acessa o pacote relacional e injeta o nome na narrativa do sonho-- como certeza intuitiva.
A Ilusão da Epifania Retrospectiva:
Ao acordar, reconstruímos o sonho com o córtex pré-frontal ativo.
Aqui ocorre o truque:
- Sabemos o nome durante o sonho (via pacote relacional).
- Ao recordar, atribuímos essa certeza à 'imagem truncada'.
- Mas no sonho não houve reconhecimento visual — houve um reconhecimento por assinatura emocional...
O nome é uma tag flutuante ligada a uma névoa afetiva, não a um rosto.
Pense em 'Tia Gertrudes'.Você não vê seu rosto inteiro agora, mas sabe que é ela. Seu cérebro acionou o'pacote relacional' (cheiro de bolo, voz rouca, nome). No sonho, esse mecanismo é hiperativo, mas a renderização visual é falha. O nome não vem do rosto— vem do contexto onírico,que você mesmo criou.
Conclusão:
No sonho, rostos são hologramas emocionais. Nomes são etiquetas coladas neles pela memória, não pelos olhos.O cérebro, de alguma maneira não específica, sabe como nomear ou dar assinaturas emocionais a estranhos ou a conhecidos.
Seria talvez um dom oculto da mente?
By Santidarko
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