Nas ruínas do tempo, onde a névoa se enovela,
Ergue-se um castelo de mármore e dor;
Sussurram os ventos na sala morta, desvela
O eco de um riso que extinguiu-se em pavor.
A Lua, cadáver pálido no céu de um baforado e invernal alcatrão,
Vertia no chão sua luz sem calor;
E a sombra do passado, em triste procissão,
Rastejava nas pedras do lúgubre salão.
Ali, entre estátuas de olhos vazios e frios,
Um espectro de mágoa se pôs a vagar:
Era a alma que outrora, em ardentes desvios,
Sonhara com amores que o tempo apagou.
Ó vento!' — clamava — levai meu lamento
Aos ouvidos surdos do Além, sem perdão!
Pois a carne é terra, o desejo é lamento,
E a vida... um suspiro na escuridão.
Nenhum ser respondeu. Só o gotejar da lage,
Como lágrimas negras da abóbada a cair,
Marcava a sentença do eterno ultraje:
Amar é sofrer, e o sofrer... é finir.
E o relógio de ossos, no alto da torre,
Gritava à meia-noite um fado cruel:
Tudo o que vive, a treva absorve!
Até o eco do grito se funde ao seu véu!
Então, sob o peso do silêncio antigo,
O fantasma rendeu-se à noite sem fim...
E apenas ficou, no salão inimigo,
O frio — e o perfume de um lírio murcho, enfim.
By Santidarko
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