Em contraposição aos buracos negros comuns – aqueles silenciosos e esféricos que reinam através de uma atração bruta –, proponho a existência de uma variante singular e dinâmica.
Uma 'Mônada'(buraco negro anômalo) não é um lugar, mas um alteração contínua de existência,uma formação ,cuja própria existência é um ato de movimento e transformação.
A Forma que é Fluxo: O Vórtice Lívido
A primeira anomalia do buraco negro anômalo é sua forma. Ele não possui um horizonte de eventos esférico e estático.
Em vez disso, sua superfície limite – a que chamare de : Superfície de Inexistência– é um turbilhão fluidico e assimétrico.
Imagine um globo de líquido pesadíssimo,deformado e escuro, constantemente se distorcendo, formando protuberâncias e reentrâncias, como se fosse uma massa viva e pulsante.
Essa forma não é fixa; é o resultado visível do seu movimento interno fundamental.
A Superfície de Inexistência 'respira', expandindo-se ligeiramente em um hemisfério enquanto contrai-se em outro, num ritmo lento e caótico.
O Movimento Anômalo:
Enquanto um buraco negro comum traça uma rota previsível pela geometria do espaço-tempo, guiado pela gravidade de sua massa, o' Sussurro de Mônada' move-se com uma volição própria e errática.
Esse estranho movimento, a que intitularei de: O Deslocamento de Efeito,não obedece apenas à atração gravitacional de galáxias ou aglomerados estelares.
Ele exiberia três comportamentos principais:
●' A Mônada', por vezes, aproxima-se de grandes massas (como uma nuvem molecular densa ou o núcleo de uma galáxia) ,não em linha reta, mas em uma espiral ampla e sedutora, como se estivesse a 'pedir' ou a 'atrair' a matéria para si, de forma mais ativa do que a gravidade pura explicaria.
●Em ocasiões, ele desvia-se de objetos massivos de maneira sutil, não uma colisão frontal, mas uma mudança .É um movimento de esquiva, não de atração.
●Há períodos, em que o buraco negro anômalo ,simplesmente vagueia por regiões de vazio interestelar, sem uma direção aparente.
A Alimentação e a Digestão: O Ciclo da Transformação
A relação do Sussurro de Mônada com a matéria que o rodeia é única. Ele não a engole de forma simples. Quando uma estrela ou uma nuvem de gás é capturada por ele, o material não cai diretamente em um disco de acreção. Em vez disso, ele é envolvido por uma complexa teia de forças que definirei de Cortina de Penumbra– uma região exterior à Superfície de Inexistência onde o espaço-tempo é torcido em padrões fluidos e transitórios.
Dentro desta Cortina, a matéria não é apenas aquecida e rasgada; ela é 'desfiada'.
Partículas são separadas e recombinadas em estados de energia exótica, antes de serem finalmente incorporadas pela Superfície de Inexistência. Esse processo emite um sinal não de radiação intensa, mas de 'Ecos de Gênese' – pulsos fracos e complexos de energia que parecem conter, de forma cifrada, a assinatura da matéria que está sendo transformada. São os últimos sussurros daquilo que está deixando de existir.
A maior anomalia é o que o 'buraco negro exótico'devolve ao cosmos. Conjecturo que, em intervalos longos e irregulares, quando atinge uma massa ou complexidade crítica interna, o buraco negro anômalo sofreria 'contrações '.
Um de seus 'polos fluidos' (uma das protuberâncias do Vórtice Lívido) projeta para o espaço um feixe sutil e extremamente ordenado de partículas e radiação pura.
A essa suposta emissão ,'poderia-se intitular'--- o nome de :Memória Radiante.
Diferente de um jato relativístico comum, que é caótico e energético, a Memória Radiante é uma transmissão de baixa energia, porém de complexidade informacional imensurável.
A teoria aqui sugere que esse feixe não é matéria comum, mas a 'impressão' ou a 'essência transformada' de tudo o que o buraco negro Anômalo assimilou, reprocessada numa forma de energia-informação primordial.
Conclusão: O Ecossistema Cósmico
Esse buraco negro portanto, não é um monstro devorador, mas talvez um nodo de transformação cósmica. Que move-se com 'capricho';alimenta-se de forma complexa e, por fim, devolve ao universo uma forma purificada de memória física. Ele não perturba o cosmos; ele interage com ele de uma maneira que mal começamos a vislumbrar. Sua dança silenciosa não é de destruição, mas de uma reciclagem profunda, 'um sussurro nas trevas' que, se soubéssemos escutar, poderia contar a história 'de tudo o que já foi lu agiu'.
By Santidarko
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