Esta teoria propõe um novo modelo para compreender a natureza do 'Eu Continuum'--a percepção de um self contínuo ,e provavelmente desunificado,ao longo de um tensional-Tempo
A Teoria da Descontinuidade Psicotemporal propõe aqui,que este continuum é uma ilusão narrativa gerada pela consciência, sustentada sobre uma realidade subjacente de descontinuidades psicotemporais.
Este ensaio define:o mecanismo de 'Ruptura de Fase Psicológica' identificando o 'quando' e 'como' ocorre a transição ,de 'quem éramos',para 'quem estamos nos tornando'.
Exploro ainda ,a etiologia dos Segmentos de Personalidade estrutuais semiautônomas,que nascem de Rupturas de 'fases psicológicas, não integradas.
Introduzo os termos :
-Núcleo de Coerência Narrativa,
-Zonas de Tensão Existencial,
...para descrever a arquitetura da personalidade, e os locais onde as rupturas são mais prováveis.
O Paradoxo do Eu Continuum:
A experiência humana é fundamentada na sensação de um 'eu'que persiste inalterado desde a memória mais remota...até o presente. No entanto, uma análise introspectiva revela que não somos os mesmos---nossos valores, reações e até gostos se transformam.
Este é o paradoxo do Eu Continuum:
a percepção de continuidade versus a realidade da mudança. A Teoria da Descontinuidade Psicotemporal argumenta aqui, que a continuidade é uma função de alto nível do cérebro, (um
'Núcleo de Coerência Narrativa' que tece uma história coerente a partir de eventos descontínuos).
Descontinuidade Psicotemporal
Uma Descontinuidade Psicotemporal é um ponto de inflexão na linha do tempo psicológica de um indivíduo ,onde a taxa de mudança interna (valores, crenças, modelos mentais) excede a capacidade do Núcleo de Coerência Narrativa de integrar essas mudanças de forma suave na narrativa pessoal. Em termos diretos é um momento em que a pessoa sente que 'uma parte de si morreu', ou que 'nada será como antes'.
O Mecanismo de Ruptura: Quando e Como Ocorre a Transição
A Ruptura de Fase Psicológica é a manifestação concreta de Descontinuidades Psicotemporais. É o evento catalisador que força uma reconfiguração da personalidade.
Ela não ocorre no momento do evento externo, mas no momento interno de reavaliação cognitivo-emocional, que o segue.
Quando (Critério Temporal):
A Ruptura de Fase Psicológica acontece no ponto de 'Saturação Assimilativa'.Este é o momento em que o modelo atual do self não consegue mais assimilar, sem dissonância cognitiva crítica, as novas informações, experiências traumáticas ou insights profundos.
...O 'quando'é, portanto, um limiar interno, não um marco cronológico externo.
(Critério Processual):
A transição se dá através de um processo de três estágios:
-Desestabilização:
O Núcleo de Coerência Narrativa enfrenta dados que contradizem sua estrutura atual.
Exemplo: uma pessoa que se define como 'corajosa'enfrenta agora um medo paralisante.(*tal como uma Agorafobia)(*medo de morrer,medo de seu final em um curto espaço de Tempo)
-Colapso da Matriz de Significado :
A estrutura interpretativa temporariamente se fragmenta. A pessoa experimenta confusão, ansiedade existencial e a sensação de 'não saber mais quem é'(*tal como a Despersonalização ).
-Reconfiguração:
O psiquismo busca um novo estado de equilíbrio, reorganizando crenças e comportamentos em torno de um novo axioma central. A pessoa pode se redefinir como'corajosa por enfrentar seu medo', aceitando a sua vulnerabilidade.
...
A Gênese dos Segmentos de Personalidade : Onde e Por Que Nascem as Ruturas
'As Zonas de Tensão Existenciais'são domínios fundamentais da experiência humana onde o self é constantemente desafiado. São os 'pontos fracos'no continuum. As Zonas de Tensão Existencial primárias são:
-Tensão entre 'quem sou' e 'quem deveria ser/quem os outros querem que eu seja'.
-Tensão entre valores internalizados e ações ou desejos reais.
-Tensão entre a autonomia do self e a intimidade com o outro.
-Tensão entre a busca por significado e a percepção do absurdo ou da finitude.
Um Segmento de Personalidade é uma subestrutura psíquica semiautônoma ,que carrega um conjunto específico de scripts emocionais, cognitivos e comportamentais.
'Ele nasce 'quando uma Ruptura de Fase Psicológica não é totalmente integrada a um núcleo de Coerência Narrativa
A dor, o conflito ou a complexidade do processo de Reconfiguração são tão grandes, que a Coerência Narrativa protege a funcionalidade imediata; 'isola' o evento e a nova configuração psíquica resultante.
Este conteúdo isolado cristaliza-se em um Segmentos de Personalidade recente. Ele não é dissociado como no Transtorno de Identidade Dissociativa, mas opera como um 'modo'ou 'versão' de si mesmo, que é acionado em contextos específicos.
Exemplo Prático:
Um indivíduo que sofre uma humilhação pública (Ruptura de Fase Psicológica na Tensão Existencial-Identidade) pode formar um Segmentos de Personalidade( que chamarei de: 'O Autocrítico'.
Sempre que situações de exposição social ocorrem, o Segmentos de Personalidade ( autocrítico é ativado, gerando ansiedade e autossabotagem), enquanto a Zona Tensão Existencial principal mantém uma narrativa de 'sou uma pessoa confiante' ,em outros contextos.
O indivíduo sente uma 'ruptura' entre a versão socialmente confiante e a versão internalizada criticada.
A plasticidade e a fragmentação do self:
Ela sugere que a saúde mental não é a ausência de Ruptura de Fase Psicológica (que são inevitáveis e muitas vezes necessárias para o crescimento), mas a 'capacidade de integração' dessas rupturas nas Coerências Narrativas, minimizando a formação de Segmentos de Personalidades rígidos e disfuncionais.
Conclusão
O Eu Continuum é uma tapeçaria de narrativas bordadas sobre uma realidade de descontinuidades.
As Rupturas de Fase Psicológica , originárias das Zonas de Tensão Existencial são os mecanismos de atualização do self.
'Quando mal integradas' geram segmentos de personalidades descontinuas , que são a fonte da sensação interna de ser 'diferente', em diferentes momentos da vida.
A Teoria da Descontinuidade Psicotemporal tenta inserir aqui ,um léxico novo e um modelo coerente para investigar essa dinâmica fundamental da condição humana.
By Santidarko
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