Por muito tempo, tratamos a Lua como um deserto geológico morto, um lugar onde a única coisa que muda é a poeira chutada pelos astronautas ou o impacto ocasional de um meteorito.
Mas...e se a Lua ainda tiver um tipo muito específico e sutil de 'lei interna'?
Um mecanismo estrutural. Proponho a existência de um fenômeno que chamo de : Estremecimento de Remanescência.
Não seria um abalo no sentido tectônico terrestre, pois a Lua não tem placas se movendo. Seria algo mais parecido com o estalo e o assentamento de uma casa de madeira muito antiga depois de uma mudança brusca de temperatura.
Não é um tremor violento e destrutivo, mas sim um 'arrepio' na crosta, algo que dure talvez 40 a 60 segundos, com uma magnitude média capaz de fazer a poeira milenar se mover, mas sem força para lançar rochas para o espaço.
...Porque acredito que a energia para esse evento vem de algo que 'sobrou' ,seja um eco de processos muito antigos que ainda não terminaram de acontecer. É a Lua terminando de 'se ajustar' ao seu próprio peso ou á sua prisão orbital Terrestre.
A Mecânica do Evento: Por Que Isso Aconteceria?
Se formos pensar em uma razão física que não comprometa a órbita nem a integridade da Lua, o principal candidato é a 'Variação Térmica Extrema e a Compactação Gravitacional Localizada'
Na Terra, o ciclo de dia e noite esquenta e esfria as rochas. Na Lua, esse ciclo é brutal: duas semanas de sol escaldante (até 120°C) seguidas de duas semanas de escuridão congelante (-130°C). Esse 'choque térmico'constante cria microfraturas.
A minha teoria sugere o seguinte:
●Acúmulo de Estresse:
Durante milhares de anos, algumas crateras muito antigas, formadas por impactos gigantescos, criaram bacias profundas com bordas instáveis. O peso dessas bordas, combinado com o eterno ciclo de expansão (calor) e contração (frio), cria um estresse interno em pontos profundos, no limite entre a crosta solidificada e regiões mais pastosas (não líquidas, mas maleáveis) do manto superior.
●O Evento Gatilho:
O 'Estremecimento de Remanescência' ocorre quando uma dessas grandes bacias de impacto, após milênios de 'respiração térmica', sofre um colapso estrutural mínimo. É como se uma cúpula de pedra, após muito tempo, cedesse alguns centímetros para dentro.
A Consequência Visível (Aumento de Crateras):
- Crateras Maiores:Quando o solo cede alguns metros para dentro da bacia principal, isso comprime as bordas da cratera. Esse empurrão faria com que camadas profundas de poeira e regolito nas paredes internas deslizassem para o centro, alargando levemente o diâmetro aparente da cratera principal e aprofundando seu assoalho. A cratera 'cresceria' de dentro para fora.
- Crateras Novas:
O estremecimento vibraria a superfície. Em regiões de talude (encostas de montanhas lunares ou bordas de outras crateras menores), essa vibração específica (talvez numa frequência entre 4 e 8 Hertz) faria com que pedras instáveis perdessem o equilíbrio. Essas pedras rolariam ladeira abaixo, ganhariam velocidade e, ao atingirem o solo, criariam pequenas marcas de impacto secundário — pequenas crateras novas, não causadas por meteoros, mas por deslizamentos de pedras induzidos por tremor.
Por Que Isso Ligaria um Alerta para Nós?
O perigo não está no evento em si, que é inofensivo para a Terra. O alerta está no que ele representa.
Se um Estremecimento de Remanescência ocorrer, isso nos mostraria que:
- A Lua não é um 'queijo suíço inerte':
Ela ainda responde a forças internas (gravidade se ajustando) e externas (calor do Sol) de maneiras que não prevíamos em escalas de tempo humanas. Nós a subestimamos.
- Risco para Infraestrutura Futura:
Se em algum ponto da Lua, uma área 'estala' e se compacta sozinha, isso significa que qualquer base lunar construída no futuro precisará de fundações mais profundas e flexíveis do que imaginamos. Não é seguro construir em cima de uma bacia de impacto antiga sem entender seu 'humor estrutural'.
- A Lua está 'viva',em câmera lenta:
Isso nos lembraria que a geologia planetária é um campo de estudo que exige paciência.
O que parece imutável aos nossos olhos pode estar em um processo de mudança que dura milênios, e nós tivemos a sorte de testemunhar um 'minuto'desse processo.
Conclusão do Pensamento
Portanto, o 'Estremecimento de Remanescência'seria um bocejo silencioso da Lua. Um lembrete cósmico de que, mesmo os corpos celestes mais próximos e aparentemente estáticos, guardam segredos em suas profundezas.
Seria um evento de magnitude média ,que não a machucaria, mas que nos faria acordar para o fato de que ainda somos meros visitantes em um mundo que julgávamos conhecer.
By Santidarko
Nenhum comentário:
Postar um comentário