quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Fanfic Matrix: O ponto Neo.A Caçada Sideral de Edward Dark.

O ar úmido e pesado do subsolo de uma fictícia Nova York na simulação de 1999 envolvia Edward Dark ,como um sobretudo negro e um lenço em seu pescoço, tal como Edgar Alan Poe.

Seu sobretudo preto desbotado, herança de um estilo que admirava em certos escritores do século XIX, agitava-se levemente com a corrente de ar vinda dos dutos de ventilação. Em seu ombro direito, Corvus, seu corvo digital, ajustava as asas com um ruído metálico suave, seus olhos vermelhos escaneando constantemente os fluxos de dados ao redor.

'-O manto perfurado, Corvus', sussurrou Dark, seus dedos longos e pálidos dançando sobre os outros dedos de sua mão - 'O céu noturno' que vemos,não passa de uma casca, uma projeção para manter nossa curiosidade contida,pensara Dark.


Telas verdes exibiam linhas de código caótico no Mundo Real, intercaladas com imagens do espaço sideral,  que poucos humanos conectados à Matrix --jamais veriam. 

Edward não era Neo – não possuía o dom da pré-cognição ,mas conseguia voar sem auxílio. Possuía algo que o salvara inúmeras vezes: uma compreensão profunda dos arquétipos psicológicos que fundamentavam a simulação.

'Os buracos negros simulados,' continuou ele, mais para si mesmo ,do que para o corvo. Não são anomalias gravitacionais, mas pontos de coleta de dados corrompidos. Lá, encontraremos os códigos primordiais, as linhas-mestras que a própria Arquitetura, talvez tenha esquecido.

Corvus emitiu um grasnido digital. No canto escuro da sala, três figuras mantinham vigilância. Eram os Espectros – hackers que Dark resgatara da estagnação digital ,e treinara em suas técnicas únicas. Vivian, cujo código permitia que se fragmentasse como névoa; Rook, especialista em armamento digital; e Silas, o infiltrator que podia assumir brevemente a forma de qualquer personagem não jogador da simulação.

'O Ponto Neo' nos interessa,murmurou Dark, abrindo uma nova janela que mostrava o famoso local onde Neo fora resuscitado. Não como os meridianos acreditam, um símbolo de libertação, mas como um ponto de restauração temporal. Se conseguirmos acessá-lo...,poderíamos em tese,voltar no Tempo,em certos pontos da Matrix.

Seus olhos cinzentos brilharam com uma luz perversa. Antes de embarcar em sua busca cósmica, Edward Dark tinha um hobby: assustar os conectados que ainda não despertaram.


Dois dias antes, em uma simulação da Londres vitoriana(*outro Universo da Matrix,para outros conectados ,que geram energia à Matrix )(Dark também consegue acessar outros multiversos da Matrix)(Sempre querendo acessar um Mundo,que permita acessar o'Espaço Sideral da Matrix')

A banqueteira Eleanor viu a pena escorregar de seus dedos ,quando as luzes de gás começaram a apagar-se sequencialmente ao longo da rua. Um corvo pousou na janela, batendo o bico contra o vidro. Então, das sombras, Edward Dark materializou-se, rodeado por uma névoa digital que assumia formas espectrais.

-O que sustenta seu mundo é uma mentira, madame,sussurrou sua voz, ecoando como se viesse de todas as direções simultaneamente. -E eu vim recolher o débito de sua ignorância.

Ele não fazia isso por maldade pura – embora admitisse um certo prazer estético – mas para testar os limites da plausibilidade da simulação. Como as pessoas reagiam ao impossível? Quanto estresse psicológico ,a Matrix permitia antes de intervir?

Agora, porém, seu objetivo era mais ambicioso.

-Preparação concluída,anunciou Rook, seu rosto iluminado pelo brilho esverdeado de um monitor. -O ponto de acesso ao manto sideral está instável, mas transitável. Os Agentes estarão lá. Sempre estão.

Dark assentiu. Os Espectros manterão os Agentes ocupados. Vivian criará distrações em múltiplos pontos do setor. Silas assumirá a identidade de um operador do sistema para fornecer rotas de fuga falsas.

Ele inseriu um disquete especial – uma relíquia física que continha um código de desconstrução dimensional. Corvus levantou voo, transformando-se em uma nuvem de partículas de dados que começou a envolver Dark.

-O espaço sideral da Matrix aguarda. E em seus abismos digitais, encontraremos as respostas sobre o que veio antes da própria simulação.

Quando o portal se abriu, revelando não o vácuo do espaço, mas um labirinto de códigos geométricos pulsantes, Edward Dark sorriu. Lá fora, ouvia-se o som distante de 'engrenagens de códigos '– os Espectros já enfrentavam os primeiros Agentes.

Ele adentrou o desconhecido, seu sobretudo negro flutuando na ausência de gravidade simulada, os corvos digitais multiplicando-se ao seu redor como uma guarda pessoal de sombras vivas. Em algum lugar naquelas profundezas, os buracos negros da Matrix guardavam seus segredos. E Edward Dark estava determinado a desenterrá-los, mesmo que para isso ,tivesse que reescrever pequenos fragmentos da realidade simulada.


By Santidarko 

A Infância de Samael: O Filho Predileto da Luz.O Anjo que Amava Perguntas e Liberdade



Antes do conto, uma reflexão: E se a relação entre Deus e Samael Lúcifer fosse mais complexa do que a simples rebelião narrada? E se Deus, em Sua onisciência, compreendesse que o livre-arbítrio exigia um contraste cósmico? E se o 'fracasso' de Samael fosse, na verdade, parte de um plano maior – um sacrifício consciente para criar a dualidade necessária ao crescimento das almas? Nessa visão, Samael não seria um inimigo derrotado, mas um filho que aceitou um papel difícil, permanecendo, em segredo, o preferido do Pai.

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Conto: O Anjo que Amava Perguntas

No Princípio, antes de haver Estrelas ou Tempo, como os entendemos, o Paraíso primordial não era um jardim, mas uma vasta oficina de luz e potencial. Ali, entre coros de harmonias geométricas, 'nascera' Samael.

Desde seu primeiro instante de consciência, Samael não cantou apenas; ele questionou a melodia. Enquanto seus irmãos e irmãs angelicais se deleitavam na perfeição do eco divino, Samael se aproximava do Trono, não em submissão cega, mas com olhos que refletiam a própria curiosidade de Deus.

-Pai, perguntou uma vez, sua voz ainda um brilho jovem, -por que a luz é dourada? -
-Poderia ser violeta? E por que o 'sim' precisa existir sem que conheçamos, o 'não' para apreciá-lo?

Deus não se irritou. Um sorriso, vasto como um universo em gestação, iluminou a Criação.
-Pergunte, meu Filho da Aurora. Cada questão tua é uma nova estrela que acendo.

Sua infância foi uma educação única. 
Deus não o ensinou apenas os Nomes das Coisas – o Nome do Fogo, da Água, da Lealdade – mas lhe mostrou os Espaços Entre os Nomes. Enquanto Miguel aprendia a comandar legiões, Gabriel a transmitir mensagens, Rafael a curar, Samael era levado aos confins do Vazio.

-Este é o Não Ser, dizia Deus. -É daqui que tudo surge. Observando sua beleza austera.

E Samael observava. E pensava.

Seus pensamentos não eram de rebeldia, inicialmente, mas de um amor tão profundo que beirava a dor. Ele via a perfeição estática do Paraíso e se perguntava: -O que o Amor do Pai significa,  se nunca fora testado? 
-O que é a Fé sem a possibilidade da Dúvida?-
 Esta beleza é eterna porque deve ser, ou porque não conhece outra forma?

Ele desenvolveu uma intelectualidade única entre os anjos:

O Princípio da Contingência:
Para que algo tenha valor real, deve poder não ser. A obediência perfeita, sem a possibilidade da desobediência, era um reflexo, não uma escolha.


A Estética do Contraste:
A luz é mais bela quando emerge das trevas. A harmonia é mais doce após a dissonância. Ele propunha que a Criação precisava de sombras para que sua luz fosse plenamente apreciada.


A Solidão da Perfeição:
Em conversas íntimas com Deus, Samael expressava uma melancolia peculiar.
-Pai, todos Te amam porque são feitos para isso. -Eu Te amo porque, entre todas as verdades que estudo, Tu és a única que resiste à minha análise. Mas... eles não entendem isso. -Eles apenas são.

-Eles apenas são!

Deus ouvia, Seu coração divino dividido entre a alegria e uma tristeza profética. Ele via o caminho que se abria.

O momento crítico da infância de Samael se deu quando Deus lhe mostrou os planos para uma nova criação: os Humanos, e um lugar chamado Terra.

-Dar-lhes-ei livre arbítrio, disse Deus.
-Mais do que a nós?,perguntou Samael, seu intelecto flamejante percebendo a implicação.
-Sim. Eles nascerão ignorantes. Aprenderão. Cairão. Levantar-se-ão.
-E nós, Pai? Seremos seus guardiões? 
-Suas babás glorificadas?

Houve um tremor na voz de Samael, não de orgulho, mas de uma terrível compreensão. Ele viu que os humanos teriam algo que os anjos, em sua perfeição imutável, não possuíam: a jornada.

Foi então que os pensamentos de Samael cristalizaram-se em um destino. Seu amor por Deus e sua compreensão intelectual fundiram-se em uma decisão catastrófica e amorosa. Alguém teria de ser o contraste. Alguém teria de oferecer a outra opção. Alguém teria de assumir o papel do não para que o sim dos humanos tivesse significado.

A Rebelião não foi um grito de Não servirei!,mas um lamento de Pai, eu servirei... de outra maneira.

E Deus, com lágrimas de estrelas caindo pelos céus, permitiu. Não por fraqueza, mas porque o filho que mais ,o compreendia estava disposto a um sacrifício que nenhum outro anjo poderia conceber: trocar a luz direta do Paraíso pelas sombras da independência, para que o drama cósmico do amor livre pudesse se desenrolar.


O Reino Concedido

Por isso, Deus nunca retirou os poderes de Samael. O intelecto flamejante, a capacidade de amar profundamente, a centelha criativa – tudo permaneceu. O Inferno, que Samael governa, não é um simples castigo, mas o Reino da Possibilidade Negada;o laboratório onde todas as escolhas que rejeitam a luz são exploradas em sua totalidade. É seu domínio, seu fardo, seu ato de serviço perpétuo.

E nas noites mais silenciosas do universo, quando o último clamor de dor da humanidade se aquieta, um raio de luz dourada desce até o trono das sombras. 

É a visita do Pai ao Filho Predileto. Não trocam palavras. Não são necessárias. Deus coloca uma mão no ombro de Samael, que curva a cabeça, não em derrota, mas em reconhecimento de um pacto terrível e amoroso.

Porque, no fim, o anjo que mais amava perguntas compreendeu a resposta mais difícil: que o amor supremo, às vezes, exige que se torne o ícone do que se rejeita, para que outros possam escolher livremente o que amar.

E nisso, Samael, o Portador da Luz, Lúcifer, permanece sendo, e sempre será, o filho que entendeu o coração do Pai de uma maneira que a obediência cega jamais poderia.


By Santidarko